Dica de Leitura #4

Por muito tempo fiquei me perguntando se seria uma boa resenhar e falar sobre esse livro. Até hoje conheci apenas uma pessoa que leu Tuareg e, sinceramente, esse fato não deixa muito satisfeito. Essa história não tem anjos caídos, não tem vampiros, não tem fadas ou criaturas mitológicas. Mas o que ela tem vai além, pois traz o valor da história de um povo escasso. É claro que, ainda que eu tenha Tuareg como um dos meus preferidos, o gênero literário fissurante é o fantástico. Mas variar também faz bem para a alma literária, certo?

Bem, vamos ao livro.


Título: Tuareg
Autor: Alberto Vazquez-Figueroa

Sinopse
"Ninguém desonra um tuareg. Homens duros, orgulhosos, só estes guerreiros do deserto conseguem sobreviver no Saara infernal, uma das regiões mais áridas da Terra. Ao contar a história do tuareg Gacel Sayad, Figueroa mergulha no estranho e fascinante mundo dos guerreiros do deserto. Um mundo milenar e misterioso onde homens altivos, orgulhosos, com uma cultura antiquíssima, cultivam sua obsessão pelo isolamento, ignorando a civilização que começa depois das dunas. 'Tuareg' é sobretudo a epopéia de um verdadeiro guerreiro tuareg, que, solitário, faz com que se cumpra a lei do deserto, que condena à morte todos aqueles que infringem o seu milenar e inflexível código de honra".

 ***


Apaixonar-se por esse livro não é, nem de longe, impossível. Vazquez-Figueroa, nessa beleza de narração, conseguiu transmitir de forma surpreendente todos os tortuosos passos de um tuareg, o membro de um grupo étnico do Saara, com poucos representantes.
Gacel Sayad, como todo tuareg, prezava suas normas. Entre o Povo Do Véu não reinavam leis escritas, passadas a papel e tinta. Era uma espécie de consuetodinário, em que os tuaregues viviam suas leis como normas naturais de existência, sem ser necessário um governo que fiscalizasse o cumprimento delas. Não. Assim como Gacel, seu povo vivia as leis, aprendiam-nas assim como aprendiam que o ar entrava e saía de seus pulmões para se manterem vivos. É nesse clima que o livro acontece, através de uma escrita poética e arrebatadora para narrar a luta pela honra.
Honra, é essa a palavra que resume toda a postura de Gacel Sayad. A verdadeira peregrinação de Gacel inicia-se quando ele recebe em sua casa dois viajantes fugitivos. Para os Senhores do Deserto, uma das leis mais sagradas era a Lei da Hospitalidade. O anfitrião daria até mesmo a própria vida para manter em segurança seus hóspedes, até mesmo um inimigo em busca de abrigo receberia igual tratamento. Mas os fugitivos não ficaram foragidos por muito tempo.
Quando a casa de Gacel é maculada por soldados em busca dos dois viajantes, um deles é morto na frente do tuareg, e o outro é levado sem nenhuma satisfação. A honra de Sayad, que era alva como a areia do deserto, é manchada pelo sangue de seus hóspedes.
A lei da hospitalidade fora violada e, para limpar sua reputação diante dos espíritos do deserto, Gacel decide deixar casa e família, vingar a morte de seu hóspede e resgatar o outro que fora arrancado das entranhas de sua cabana (bem dramático, hein?).
 Vivendo segundo a filosofia de uma pedra ao longo do Saara, em uma jornada a passos curtos e medidos, economizando até a última gota de água e outros recursos, nem mesmo o seu camelo será poupado nessa jornada, em que um tuareg precisa cruzar o tórrido deserto e o risco de perecer no caminho para provar que as leis do deserto exigem seu cumprimento. Você faria tudo isso por um hóspede? Daria a sua vida, e até mesmo a de sua família se fosse preciso, para garantir a segurança daquele que confiou à sua casa a própria segurança?

Vazquez-Figueroa não economizou em palavras e sentimentos para contar essa empreitada fustigante, com um desfecho completamente inusitado e uma bravura admirável. Parabéns, senhor escritor, por enfatizar um mundo sofrido que até mesmo a literatura deixa passar batido em alguns momentos. Não é apenas uma dica de leitura, como, também, uma dica de aprendizado, reflexão, ou simplesmente prazer.

Dê mais espaço à sua estante. Deixe o mundo fantástico por alguns minutos e aprecie um livro de conteúdo engajado. Leiam, moçada! Leiam mesmo, porque não é sempre que encontramos um livro tão delicioso como esse!

Fiquem todos na Paz, e uma excelente leitura!

7 inspirações:

  1. Tõ até pensando em ler haha
    Ótimo post, abrçs .

    http://papeldeumlivro.blogspot.com/

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  2. Muito bom! parabéns pelo blog!
    Bjs
    http://amazoniaumcaminhoparaosonho.blogspot.com/

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  3. Ta aí um livro que eu ainda não li.
    Boa dica, adorei!

    Um beijo,
    Luara - @luuara
    http://estantevertical.blogspot.com/

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  4. Olá Pedro!
    Gostei bastante da sua resenha, super sincera!
    Não conhecia o autor... nem o livro..
    Sua resenha me deixou curiosa se tivesse oportunidade, leria sim!

    HAHA acho que 11.11.11, Dream House e O Preço do Amanhã foram os favoritos naquele post


    beijos
    Nana
    Obsession Valley

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  5. Nossa, parece ser bem interessante. Confesso que não conhecia o livro, mas adorei a resenha, vou colocar na minha lista!
    Sei como é gostar de coisas pouco conhecidas, e mesmo sendo fã de "fantasia" também gosto de variar, por isso estava às voltas com "O Conde de Monte Cristo" rs'

    Ah, e o nome da música do meu post é Awake And Alive da banda Skillet, essa música faz parte da trilha sonora do filme Transformers 3!

    Beijos e até mais

    http://kastmaker.blogspot.com/

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  6. Confesso que esse não é meu tipo de livro favortiro... Não pelo cunho realista, mas sim pelo fato de se passar no deserto, no Saara, em um lugar bem distante daqui. Prefiro histórias que se passem mais perto e que sejam criticas com a minha realidade, simplismente porque esse tipo de livro tende a me prender mais.
    Mas a dica vai ficar anotada aqui e, se tiver a oportunidade, não deixarei de ler. =)
    Alias, boa resenha!

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