[Resenha] Caçadores de Tesouros, de James Patterson & Chris Grabenstein

      A editora Novo Conceito trouxe muitas novidades esse ano, inclusive o selo #Irado, com histórias infanto-juvenis repletas de aventura, fantasia, e uma pancada de elementos que encantam os leitorezinhos - e, por que não, os mais velhos? E hoje vamos entrar de cabeça numa aventura com muitos mapas, segredos, viagens em alto-mar e uma boa dose de golpes de caratê! 

      Bick, Beck, Tempestade e Tommy são irmãos que, por motivos de força maior - você nem imagina o quanto - foram afastados de seus pais, o famoso casal Kidd, caçadores de tesouros. Após uma grande tempestade, eles estão sozinhos, mas depois de seu luto - ainda que Bick afirme piamente que os pais ainda estão vivos - eles partem para continuarem o que seus pais não puderam terminar: a caça ao tesouro.
      Enquanto eles se aventuram para atingir os objetivos dos pais, eles vão cruzar o caminho do tio com um emprego um tanto quanto curioso, além de uma boa dose de gangsters ao seu encalço. Envolvidos em trocas de artefatos valiosos e correndo em busca do paradeiro de seus pais (Bick sempre acreditou que o pai estivesse vivo, mesmo que o restante de seus irmãos não colocassem tanta fé nisso), eles descobrem mais sobre os segredos de suas famílias do que poderiam imaginar.

      O livro Caçadores de Tesouros tem uma das capas mais belas que o selo #Irado já lançou: um título vermelho metálico, capa dura, e uma ilustração muito bem feita. E não é só a capa não! A diagramação está incrível, com ilustrações bastante interativas, o tipo de livro que encantaria qualquer leitor de primeira viagem. Não podemos esquecer se tratar de uma obra infanto-juvenil, embora o livro aborde pontos bastante maduros.
      A premissa de Caçadores de Tesouros é muito boa, e cada personagem tem sua simpatia, não dá pra não gostar da teimosia dos gêmeos Bick e Beck, da genialidade de Tempestade ou das fanfarronices do Tommy. Escrito em primeira pessoa, temos Bick como o narrador - por ser bom com as palavras - e temos Beck como a ilustradora - que por sua vez é uma excelente desenhista.
      Infelizmente, como nem tudo são flores, a obra escrita por James Patterson e Chris Grabenstein não tem aquele charme para nos prender o suficiente. Embora seja um livro pequeno, há momentos em que o desenvolvimento da história não é muito convincente, e acaba perdendo um pouco o leitor, embora isso não provoque aquela vontade de abandonar a leitura. Talvez seja a dificuldade em adaptar diálogos cômicos do inglês para o português, o fato é que algumas falas acabaram perdendo o tom bem humorado e fica parecendo algo 'bobo' a se dizer. Apesar disso, é uma narrativa fácil, rápida, com o tipo de trama que chama a atenção sem exigir muito do leitor. Para os que ainda não tiveram aquela experiência com os livros, é uma ótima pedida, ou mesmo para os pequenos amantes de livros que procuram novas experiências. Para os mais velhos, no entanto, acho melhor procurarem por outra coisa, porque aqui em Caçadores de Tesouros a vez é da criançada!

[Resenha] Perdendo-me, de Cora Carmack


Faz dois anos que li Losing It, ainda em inglês, ainda em ebook. Quando a Novo Conceito anunciou que ia lançar, eu basicamente gritei, insanamente, avisando pro Pedro que quando o livro chegasse ele seria meu. Não que tenha sido um enorme esforço da parte dele me ceder o livro - porque não é bem o tipo de livro que ele curte ler - mas ainda assim, obrigada, querido . :)



Nessa história conhecemos Bliss Edwards, 22 anos, quase se formando em artes cênicas e virgem. Sim, porque pra ela, isso é uma coisa bem irritante - ter 22 anos e ser virgem, eu digo. Isso acaba se tornando o maior drama de sua vida, que fica bem balanceado com o fato de ela não fazer ideia do que vai fazer depois da faculdade. E, em uma noite em que ela fez a besteira de contar a sua melhor amiga que ela era virgem, ela sai e decide ter um caso de uma noite só pra resolver seu "problema". (Eu sei, parece idiota, mas esse é só o início, depois ela começa a ser menos estúpida, juro.)

Ela vai pra um bar, decidia, e lá acaba conhecendo um cara lindo - e bem interessante. Papo vai, papo vem, pegação vai... Bliss simplesmente enlouquece, percebe que não quer fazer aquilo, e sai correndo com uma desculpa bem idiota - deixando o gato do bar nu e confuso em seu apartamento. No dia seguinte, ela foca em sua aula para esquecer o episódio do dia anterior e, para sua infelicidade, esbarra com o cara do bar. Na sua sala de aula.
Ele era seu novo professor. 

Claro que, a partir daqui, você já imagina o que vai acontecer. Mas não se engane pela sinopse: dá a impressão de é um livro erótico estilo cinquenta tons de cinza (o que a capa também não ajuda, cinza, com essas fotos nada indicadoras). Ele é um New Adult - aqueles romances de gente jovem, com histórias leves e algumas cenas quentes (obviamente). Mas nada de absurdo.


Bliss tem uma das piores auto-estimas do universo, daquele tipo que é cheia de inseguranças, sabe? Mas ela não chega a ser tão irritante quanto todas as outras que tem aparecido ultimamente nos nossos livros. Garrick, o gato do bar/professor, é um cara daqueles que a gente quer ter do nosso lado: companheiro, dedicado e, bem, lindo. E inglês. Imaginem o sotaque. 

  Cora se autopublicou e seu romance de estréia é aquele tipo de livro que você deve ler quando precisa dar umas risadas e ler um romance fofo. Porque sim, tem romance - e não necessariamente sexo -  e os personagens são super queridos. Bliss e Garrick tem uma boa química - como casal, como amigos ou nos palcos, atuando. 

O livro é clichê, é romance, é fofurinha em excesso. Mas às  vezes é isso que a gente precisa ler (Deus sabe que era o que eu precisava). E tem mais dois livros na série - e a escrita de Cora só melhora. Os enredos também. Mas isso é material para outro post.


[Resenha] Se Eu Ficar, de Gayle Forman


      Provavelmente um dos livros mais comentados esse ano, Se Eu Ficar - escrito pela Gayle Forman e lançado no Brasil pela Novo Conceito - é um romance em que somos apresentados a uma jovem, Mia, e sua experiencia extracorpórea após um acidente de carro que deixou-a em coma, porém não incapaz de perambular pelo hospital e relembrar os momentos mais importantes de sua vida, com pessoas igualmente importantes.

      Mia, assim como o resto de sua família, havia encontrado na música um mundo particular. Mas, diferente de seus pais e seu irmão mais novo, não era o rock que movia sua alma, e sim músicas clássicas, e isso acabou motivando-a a assumir o violoncelo como seu instrumento. Embora ela se sentisse deslocada quando se comparava com o resto de sua família, era ali que ela se sentia segura.
      Foi em uma viagem que tudo mudou. Mia mal acompanhou a sucessão de acontecimentos, desde o instante em que o carro do pai derrapa até a colisão com o caminhão. Depois do acidente, ela se vê no meio da estrada, andando sem compreender o que acontecera. Apenas quando ela encontra o carro destruído, os corpos de seus pais e o próprio corpo (!) soterrado num punhado de neve, ela compreende o que aconteceu.
      Seus pais haviam morrido. Ela - ou melhor, seu corpo - havia sido carregado para o hospital, e estava em coma, enquanto seu irmão, o pequeno Teddy, estava em outra unidade, também em estado grave. Mia, então se vê incapaz de se comunicar, ninguém pode vê-la ou ouvi-la, ainda que ela consiga vagar mesmo não estando em seu corpo.
      Agora cabe a ela decidir, se vale a pena ficar, ou se estará disposta a abrir mão de sua vida para um mundo que já não é a mesma coisa sem a sua família.

      Se Eu Ficar é uma obra escrita em primeira pessoa, e a voz narrativa é a própria Mia. Com menos de 200 páginas, a história tenta trazer um romance que experimenta o sobrenatural em que a protagonista, após sofrer um acidente, se vê numa forma extracorpórea, assistindo ao sofrimento dos seus familiares e a si mesma no leito de um hospital, em coma, tentando descobrir uma maneira de voltar. Infelizmente, a sua trama não convenceu muito.
      Alguns pontos bastante positivos foram as construções dos relacionamentos entre as personagens. A autora se preocupa em torná-los complexos, não são apenas relações boas ou ruins. Mia, por exemplo, tem um namorado, Adam, e ambos parecem não saber lidar muito com o sentimento que têm um pelo outro, causando alguns conflitos que tornam o romance mais verossímil. Da mesma maneira é a amizade entre Mia e Kim, amigas desde crianças e que, de alguma maneira, nunca foi um relacionamento perfeito.
      Infelizmente, embora a "jornada" da leitura tenha sido interessante, ela não parece ter um objetivo. Mesmo quando eu soube que haveria um segundo livro, esse primeiro volume não tinha um desenvolvimento que se sustentasse. Tudo o que temos é um acidente e, após isso, Mia, por meio de flashbacks, relembra situações de sua vida enquanto seu corpo ainda permanece em coma. Ao fim da leitura, é como se fosse apenas isso, sem um clímax ou algum evento que justificasse todo o resto.
      A impressão que tive era de estar lendo a introdução de uma outra historia que estava por vir - história essa que não chegou nas páginas de Se Eu Ficar. Ainda espero, para o segundo livro, a leitura que me prometeram, mas preciso admitir que essa obra não conseguiu me ganhar, apesar da grande repercussão e dos vários elogios.
      Outro ponto negativo é a inconsistência nos sentimentos da protagonista. Durante a leitura, ela parece mais preocupada em saber se Adam havia recebido a notícia do acidente do que com o próprio irmão - internado em outro hospital, enquanto ela não tinha nenhuma notícia dele. Esse e alguns outros pontos contribuíram para dar uma atrapalhada na construção de Mia, inclusive com uma personalidade mal explorada. Mas se o leitor está buscando um drama intenso, então com certeza é o que temos entre as páginas.

      Se Eu Ficar virou filme! Resta conferir a versão cinematográfica e tentar captar a essência que eu não consegui captar durante a leitura. E aí, alguém aí já viu/leu? Curtiu?

      Tenham uma ótima leitura, fiquem na Paz!


[Resenha] O Fogo, de James Patterson e Jill Dembolski


      O Fogo é o terceiro livro da série Bruxos e Bruxas e, sinceramente, é um pouco mais do mesmo. Whit e Wisty continuam fugindo do Único que é o Único, o que já era esperado - mas não com essa intensidade. Só que nesse livro os irmãos Allgood vão enfrentar também a Peste Sangrenta, uma doença que se alastrou pelo lugar. Witsy está contaminada e Whit precisa correr contra o tempo para descobrir como salvá-la, ou vai acabar perdendo sua irmã.


      A resistência se espalhou, os Allgood estão sozinhos e tendo que, a cada dia, superar todos os medos que sempre tiveram. Vamos conbinar que perder os pais, descobrir ter poderes e fugir de um vilão que está decidido a matá-los não é mole pra ninguém, ainda mais pra dois adolescentes. Nesse livro vamos ver que eles estão conseguindo melhorar suas habilidades. O problema é que, mesmo estando mais cientes do seu poder, eles continuam agindo de modo infantil, cheios de desculpinhas e de "tadinhos dos caras maus, não vamos machucá-los", o que é bem idiota quando se trata da própria sobrevivência.


      O Único que é o único passa a ter um papel mais presente no livro, assim como seus seguidores. O leitor conhece mais sobre ele, suas motivações, o que ele esconde por trás da máscara de vilão e, mais importante, quais são os planos absurdos que ele tem. 


      Um grande personagem que ganhará uma maior exploração na narrativa é o Único que é o Único e seus fiéis seguidores. Conheceremos um pouco mais sobre quem é o cara por traz do Único que é o Único, se há sentimentos por baixo da casca de um vilão cruel e também sobre suas ambições e seus planos mais cruéis para a Superfície.


      E, sinceramente, se tem uma coisa que Patterson sabe escrever é um bom crime. Então, no que diz respeito aos planos da Nova Ordem, eu não tenho muito do que reclamar. As cenas eram bem intensas, as crueldades bem descritas e tudo bem real. Os irmãos Algood continuam a fugir do Único, tudo continua super monótono nesse ponto, mas ai vem uma crueldade básica e anima as coisas um pouco. Um pouco.



      De tudo, o final foi o que mais me deixou empolgada para ler o próximo. Assim como no livro anterior, Fogo colocou um final cheio de mistério e em uma situação inesperada, então qualquer ser humano curioso acabaria por ficar querendo a continuação.Não sei muito bem o que esperar de O Beijo, mas desde o primeiro livro da série eu não venho esperando muita coisa para não me decepcionar demais. James Patterson é um ótimo escritor, mas ele devia deixar a distopia e o infanto-juvenil para outras pessoas.



 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos