[Resenha] Belleville, de Felipe Colbert



“Ilustre desconhecido,


Hoje é o seu dia de sorte. Você acaba de ser premiado com um passeio de montanha-russa!”
Capítulo 1, página 5

     A primeira vez em que li Felipe Colbert foi quando conheci o jonalista Daniel no livro Ponto Cego, um thriller que me fez colocar o autor na lista de favoritos. Até aí tudo bem. O "problema" foi quando comecei a ler Belleville. Eu não sabia o que era ser versátil até então. Sim, amigos, temos um James Patterson brasileiro, capaz de escrever um livro de suspense, ou um romance tocante que, nesse caso em específico, é capaz de viajar através dos anos para resgatar um amor que parecia impossível!

      Belleville conta a história de dois jovens vivendo em tempos diferentes. Temos Lucius, o calouro do curso de Matemática na faculdade de Campos do Jordão, que vive em 2014 em meio a sua desorganização e introspecção, além de um pai com o coração frágil e igualmente bondoso. Enquanto isso, cinquenta anos antes, temos a jovem Anabelle, órfã que passa seus dias enclausurada em sua casa, vivendo apenas com a companhia de Tião, seu gato preto.


      As coisas estavam difíceis para ambos, cada um em seu tempo (literalmente). Em 1964 Anabelle não tinha dinheiro para se manter, mas sua teimosia era o combustível necessário para manter de pé a sua casa, herança deixada pelo seu pai, fotógrafo conhecido enquanto na região enquanto vivo. Já no futuro - ou melhor, no nosso presente - Lucius vivia sob a sombra do medo de que, a qualquer momento, seu pai poderia sofrer um infarto, mas ele não deveria se preocupar, afinal, estava em Campos do Jordão para estudar, ainda que seu pai não estivesse com ele pelos próximos anos de faculdade. Detalhe importante: Lucius alugara uma casa antiga. Coincidência ou destino, era a casa onde Anabelle viveu sua vida inteira.
      E é nesse momento que os romances, mesmo aqueles que superam o espaço-tempo, nascem. Um dia, enquanto Lucius descobria o esqueleto de um projeto de montanha-russa no jardim da propriedade, encontrou a terra revolvida e, ao desenterrar uma caixinha com um bilhete dentro, descobriu a antiga moradora daquela casa. Além da foto, encontrada entre os livros empoeirados da antiga residência, Lucius descobriu em Anabelle uma menina que lutou para que o sonho do pai pudesse se tornar realidade: o de ver Belleville, a montanha-russa, um dia finalizada. Mas, infelizmente, isso nunca aconteceu.
      Quando, enfim, Lucius conhece um pouco mais da história de Anabelle, ele se compadece de seu sonhos frustrado, e decide enterrar a caixinha com uma carta escrita por ele mesmo, convencendo o próximo morador a concluir o projeto Belleville. E assim como a caixinha, enterrou aquele assunto.
      O que ele não esperava era que, um dia, movido por curiosidade, desenterrasse a caixinha e descobrisse que sua carta fora respondida! A partir daí, Lucius descobriria uma maneira de falar com a jovem Anabelle, que mesmo tão distante no tempo, conseguiu roubar o coração do rapaz. Mas se engana quem pensa que essa correspondência duraria para sempre. Um tio há muito desaparecido, quando bate na porta de Anabelle, coloca tudo em risco: as cartas, o amigo do futuro... Belleville! E cabe ao jovem Lucius garantir que o sonho do pai de Anabelle - e o dela! - seja concretizado.


      Escrito em terceira pessoa, o livro nos faz viajar em dois tempos diferentes: 2014 e 1864. A temporalidade foi muito bem feita, expondo as diferenças do tempo, e tomando o cuidado de não deixar nenhuma ponta solta. Não apenas isso, em alguns momentos as cartas que Anabelle e Lucius escrevem um para o outro nos são apresentadas e, assim, podemos ver um pouco mais da personalidade de cada um, além de suas respectivas vidas, cada uma em seu tempo.
      Uma das coisas que me incomodou - só um pouco, na verdade - foi a elaboração de diálogos. Por ser um livro ambientado no Brasil, eu esperava um "dedo de prosa" mais abrasileirado. Apesar disso, não impede em nada a imersão da história, mesmo porque as personagens têm personalidades muito bem construídas, e é muito fácil sentir simpatia pela causa de Lucius, e quase impossível não amar Anabelle! O problema mesmo é que, em alguns momentos, fica fácil esquecer que estamos em terras tupiniquins.
      E não se engane se pensou que a história é apenas mais um romance. Há muito mais em jogo. Além de, por vezes, o livro retratar a violência contra a mulher, podemos também encontrar questões como bullying, relacionamento familiar, amizades improváveis... Tudo isso permeia essa incrível história com um dedo verde e amarelo. Felipe Colbert não poderia ter sido mais feliz ao escrever Belleville!
 

      

2 inspirações:

  1. Olá, conheci seu blog através do Cia do Leitor e gostei muito.
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    Sucesso!!!
    Mia Antiery

    * Muito interessante a resenha.

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Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos