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Saída de Emergência, sua editora fantástica!


      Alô, amigos Inspirados!


      Alguém aí é apaixonado por literatura fantástica? Pois saiba que, por essas bandas, lit-fan é sinônimo de Saída de Emergência Brasil! A editora recém-chegada não veio só pra compor um hall de grandes selos, nada disso! Ela veio trazer novos mundos, criaturas fantásticas, veio nos presentar com amigos que só existem no imaginário de outros escritores. Dá só uma olhada no que ela oferece!


Clique na imagem e saiba muito mais sobre as novidades dessa editora que é só sucesso!

[Resenha] Outlander, de Diana Gabaldon

      Você já viajou pro passado, em um lugar onde um bando de marmanjo usa saia formam um clã de guerreiros, onde os escoceses acham que você é um espião inglês e os ingleses querem a sua cabeça? Pois é, Claire Randall sabe bem o que é isso.


      Claire, casada com o jovem e amistoso Frank Randall, viveu maus momentos como enfermeira na Segunda Grande Guerra, mas agora, em 1945, ao lado de seu marido nas Terras Altas, nas ilhas Britânicas, ela deseja apenas ter uma segunda lua de mel.   
      Enquanto Frank, um professor universitário renomado, vai em busca de sua árvore genealógica de uma maneira bastante fanática, por assim dizer, a jovem Claire parece mais fascinada nos costumes e nas paisagens do lugar. E seu fascínio aumenta quando ela, acompanhada de seu marido, seguem um grupo de mulheres da região durante a noite. Num círculo de pedras da colina de nome Craigh na Dun (não, não é Stonehenge), aquelas mulheres dançavam e pareciam realizar algum ato místico.
      No calor do momento, ela se aproxima das pedras e, naquele momento, começa a ouvir vozes e brados, como se as pedras falassem. Fiquem tranquilos, nossa protagonista não é doida, ela só estava prestes a voltar duzentos anos no tempo. Normal.


     Ao abrir os olhos, ela percebe estar sozinha, sem Frank, sem mulheres dançarinas da meia-noite, apenas ela e as vozes que, logo, reconhece como um cenário de conflito. Escoceses contra ingleses, para ser mais específico, e mais tarde ela acaba sendo caçada por ambos os lados.
      Depois da terrível experiência de quase ter sido violentada por Jonathan Randall, um antepassado de Frank, cruel e assustadoramente parecido com o marido que Claire deixara no futuro, ela acabou sendo resgatar por um membro do clã dos MacKenzie, um grupo de homens e mulheres escoceses que, pelos próximos dias de sua aventura, seria sua família, por assim dizer.
      Em sua aventura indesejada, ela acaba conhecendo o jovem Jamie, um leal guerreiro do clã cujo pescoço está na mira dos ingleses (em especial do nosso anti-herói, Jonathan Randall), e uma relação muito curiosa irá surgir entre eles. Desde histórias de flagelos terríveis a casamentos arranjados, Claire acaba se apaixonando por um tempo que não é o seu, e no processo, conhecendo uma coragem em si mesma, algo que nem ela acreditava possuir. E nesse discurso de romance barato, posso afirmar que, se você é aficionada por romance de época, então Outlander deveria ser sua primeira escolha.

      Escrito em primeira pessoa, temos a narrativa de Claire descobrindo-se em um novo momento da história. Antes em 1945, de repente, lá está ela caminhando pelos campos britânicos de 1743. Eu preciso dizer, antes de começar, que a autora tinha muitas maneiras de abordar essa "descoberta", a maneira como Claire descobriria ter viajado 200 anos no passado, a sua reação diante desse fato. A escolha que a autora fez infelizmente não me convenceu, mas podem ficar sossegados, isso é só uma observação de um leitor chato que ainda não conseguiu se decidir ter gostado ou não da leitura.
      Quando comecei a leitura de Outlander, esperava muito mais fantasia e muito menos romance, e foi exatamente o contrário que ocorreu. Há, sim, elementos fantásticos na obra, bem moderadamente utilizados, enquanto o romance lambuzou as páginas do livro. As primeiras 50 páginas (de um livro com quase 800!) foram bem difíceis de encarar, cogitei interromper a leitura por não conseguir me conectar com a história proposta. Ainda assim, insisti. Apesar disso, não dá pra dizer que não gostei, pois a narrativa é muito bem feita, com uma descrição tão verdadeira do cenário de das pessoas, uma abordagem tão real das personalidade da protagonista e das outras personagens, que a leitura passou a ser prazerosa.
Cena de Outlander, série de televisão baseada no livro de mesmo nome (por sinal, você tá lendo a resenha desse livro xD)
       A medida que a leitura foi fluindo, Jamie e Claire se tornaram um casal muito querido, é engraçado vê-los agindo como camaradas mesmo diante da química rolando entre eles, ou mesmo da postura que adotam vez ou outra quando percebem que estão dando muita pinta. Mesmo eu, que não costumo me divertir com romances de época, preciso dizer que esse foi bem feito, quase me faz querer colocá-lo como uma leitura favoritada. Não faço isso porque meu preconceito com o gênero está muito arraigado em mim, mas pretendo ler a continuação pra me livrar de vez desse pensamento quadrado!

      Um brinde - digno daqueles feitos em tabernas no meio da noite, acompanhado por amigos escoceses bêbados e broncos - à Diana Gabaldon, que fez uma obra que merece ser lida, não apenas pelos familiarizados com o gênero, como também aos que estão dispostos a mudarem de opinião. Outlander pode convencê-lo de que, vez ou outra, viajar em meio a páginas de gêneros que exploramos tão pouco, pode nos proporcionar uma ótima leitura.


      E para os que gostam de Outlander, saibam que já tem série rolando por aí! E o segundo livro também já tá batendo na porta dos fãs, então nem hesitem em se aventurar nesse mundo criado por Diana Gabaldon!

      Tenham uma ótima leitura, fiquem na Paz!

[Resenha] Mago - Espinho de Prata, Livo 3, de Raymond E. Feist


     Vamos combinar que, entre tantos mundos para visitarmos, Midkemia, criado por Raymond E. Feist, é um dos mais incríveis onde visitei. E, sim, depois de ler os dois primeiros volumes da saga Magos, o terceiro só confirma o óbvio: Feist criou uma das melhores sagas que já li na vida, e não é a toa que está na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos!

Para conferir a resenha do livro 1 - Aprendiz, clique AQUI
Para conferir a resenha do livro 2 - Mestre, clique AQUI
Para conferir a resenha do livro 3, continue lendo que tá bom demais!

      Na continuação dessa aventura, nossos heróis estão mais velhos, o portal para os outros mundos está fechado e casamentos estão a caminho. Os irmãos Martin, Arutha e Liam (este o rei) estão cada vez mais unidos, e a jovem Anita, princesa de Krondor, é prometida ao príncipe Arutha, personagem que se torna foco da nossa história ao longo da narrativa. 
      Nessa história também nos reencontramos com o jovem Jimmy, A Mão, um dos mais promissores larápios dos Zombadores, a guilda dos ladrões em Krondor. Se você leu o segundo volume da série, então viu o pequeno bandido ajudando nossos protagonistas a protegerem Anita das mãos de um dos nobres que estavam prestes a dar o golpe na coroa do reino. Aqui, no entanto, ele se torna um escudeiro do príncipe e se mostra um personagem de grande valor. 
Raymond E. Feist
      Mas a gente sabe que uma boa saga épica que se preza não termina em "feliz para sempre" assim tão fácil. Aqui nós nos deparamos com um mal, algo tão terrível que o próprio Pug, dominador da Arte Superior da Magia, não consegue lidar completamente. Lembram-se de Pug, o escudeiro que trabalhava na cozinha de Crydee, foi raptado pelos tsurani e desenvolveu sua vocação como mago? Pois é, demora um pouco, mas ele acaba aparecendo. Mas aqui há muito mais em jogo do que a magia tradicional que se conhece. Forças envolvendo necromancia e a Sacerdotisa da morte estão envolvidas, e eles descobrem que esse novo mal, um inimigo que não conhecem completamente, traz consigo uma força tenebrosa, algo que os sacerdotes não haviam lidado até então. 
      E, quebrando completamente a progressão dessa resenha, não dá pra deixar de lado o romance entre Laurie e uma princesa que ganha nossa simpatia desde o começo. Mas, claro, não dá pra revelar mais do que isso, afinal, Midkemia é um mundo maravilhoso que precisa ser desbravado pelo leitor aos poucos. 
      Com uma narrativa poética e muito bem trabalhada, Raymond E. Feist conseguiu elevar o nível nessa terceira obra, nos mostrando a maneira como nossos heróis amadureceram, trazendo até nós novos elementos fantásticos do mundo Midkemia e nos fazendo imergir sem hesitar em novas experiências como leitor. Preciso dizer que, em alguns pontos, a narrativa pode ser cansativa e chega a ser quase infantil em alguns momentos, mas isso não significa que Mago seja uma saga menos do que sensacional, porque apesar desses aspectos negativos, não há como negar: essa é uma das melhores aventuras que um leitor pode querer!

      Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz! =)

[Lançamento] - Espinho de Prata, de Raymond E. Feist!


Alô, amigos Inspirados!

      Para os apaixonados por lit-fan, aqui vai uma new da boa! A Editora Arqueiro lança agora, no dia 7 de maio, o livro O Espinho de Prata, terceiro volume da saga Mago, e promete trazer mais um pouco da jornada vivida por Pug e Tomas, dois amigos que cruzaram seus destinos com forças incríveis de outro mundo. Numa ambientação medieval e um cheirinho de estábulo e vinho envelhecido, Raymond E. Feist promete nos transportar novamente para Midkemia e esse extraordinário mundo ficcional com dragões, elfos e anões. O clichê da lit-fan nunca foi tão lindo quanto em Mago! Aguardem!


      Espinho de Prata é a promessa desse mês, e eu não vejo a hora de começar a ler! E aí, curioso? =)

Resenha do livro Aprendiz - volume 1
Resenha do livro Mestre - volume 2

Fiquem na Paz!

[Lançamento] - A filha do sangue, de Anne Bishop

Alô, amigos Inspirados!

     A linda editora Saída e Emergência Brasil está com mais um lançamento pra dar um up no seu catálogo de literatura fantástica! E, como se não bastasse o design da capa ser bonito toda vida, ainda tem a premissa que promete uma boa leitura, além do fato de se tratar de uma trilogia, que é pra poder aproveitar as personagens um pouco mais. E aí, quem vai conferir?


O Reino Distorcido se prepara para o cumprimento de uma antiga profecia: a chegada de uma nova Rainha, a Feiticeira que tem mais poder que o próprio Senhor do Inferno. Mas ela ainda é jovem, e por isso pode ser influenciada e corrompida. Quem a controlar terá domínio sobre o mundo. Três homens poderosos, inimigos viscerais – sabem disso. Saetan, Lucivar e Daemon logo percebem o poder que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. Assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, no qual as armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e inimaginável.

     O lançamento tá pertinho, dia 20/03, então nada de adiar essa leitura, hein?


[Resenha] - A Corte do Ar, de Stephen Hunt


Molly Templar e Oliver Brooks, dois adolescentes órfãos que possuem um segredo escondido até deles mesmos, não se conhecem, e muito menos imaginam que Dama das Luzes está movendo seus pauzinhos para mudar essa realidade. Há segredos antes e depois de Brumaencantada, tantos que nem mesmo a Corte do Ar poderia monitorá-los.  



Título: A Corte do Ar
Autor: Stephen Hunt
Editora: Saída de Emergência Brasil
540 páginas / 2014

     Molly Templar foi deixada num templo quando ainda era bebê, e passou todo o seu crescimento no Internato Portas do Sol. Sem conseguir se fixar num emprego (uma vez que o diretor do Internato indica um emprego para os órfãos enquanto estiverem sob a tutela do instituto), ela aguarda o dia em que atingisse a maioridade e seu direito de voto, quando finalmente poderia se ver livre daquele lugar. Açomédio, o lugar onde cresceu, sempre foi seu lar, mas se mostraria hostil muito em breve.
    Enquanto isso o jovem Oliver Brooks, sobrinho de um comerciante conhecido em Cem Cadeados, passava seus dias sob a sombra de um medo que existia nas redondezas. O garoto, quando criança, foi o único sobrevivente dos efeitos da desconhecida magia de Brumencantada, depois disso o povo passou a repudiá-lo como se fosse um criminoso. Mal sabia o órfão que seu tio - e seu pai! - eram parte de um esquema tão grande que precisou ser colocado acima das nuvens.







     Muitos elementos são criados pelo autor ao longo da trama. Há os homens-vapores, máquinas dotadas de alma que possuem princípios próprios; cantores do mundo, homens que controlam a magia existente na natureza (não são encantados, veja bem!); e, claro, a tão temida Brumencantada.
    Brumencantada pode ser imaginada como, o que seria hoje, um lugar afetado por radiação. Seria uma espécie de Chernobyl do século XV, com a diferença de que, ao invés de uma radiação, temos uma energia mágica que afeta as pessoas, e as transforma em encantados, isso quando estas não morrem. Essa sacada foi genial!
     A história gira em torno de Molly e Oliver. Enquanto a garota é perseguida em Açomédio por um assassino interessado no sangue da jovem, Oliver tenta fugir das autoridades, que acreditam ter sido ele o responsável por uma chacina em sua cidade. Ao lado de Harry, um visitante misterioso, o rapaz acaba obtendo respostas que envolve, também, seu falecido pai.
    Num universo steampunk cheio de homens-vapor, cantores do mundo e humanos encantados pela força obscura de Brumencantada, A Corte do Ar existe sob as nuvens, monitorando as nações em busca de manter um equilíbrio, este cada vez mais frágil. Nessa aventura cheia de personagens cativantes, a tecnologia anacrônica, as superstições, os misticismos e os elementos mágicos se misturam de um jeito único, tão bem feito que é impossível separá-los. Máquinas desempenham funções de grandes oráculos, homens subvertendo o governo, caçadas assassinas em busca de um segredo contido no sangue de indivíduos como Molly Templar.


    O que Stephen Hunt criou aqui foi muito mais do que uma ficção steampunk. Ler A Corte do Ar é como aprender a falar outra vez. A princípio são tantas informações e tantas denominações desconhecidas, que o leitor até se perde. Mas basta continuar a ler e aí, como uma conexão entre dois homens-vapor, a o livro compartilha com a gente todos os seus segredos. É sensacional! Toda a ambientação no gênero é impecável, com nomes bastante sugestivos, como Tristesperança, a cidade subterrânea onde uma política revolucionária começa a nascer. O steampunk está presente a todo instante, desde as vestimentas até o armamento da Guarda Especial e os aerostatos (dirigíveis). Ao longo da leitura dá pra sacar algumas pegadas de Julio Verne, especialmente durante a jornada de Molly até Tristesperança, o que me fez lembrar bastante de Viagem ao Centro da Terra. Enfim, um prato cheio de ficção da melhor qualidade!
    Com uma narrativa rica, Stephen Hunt consegue nos ler num frenesi incontrolável, e você precisa se lembrar constantemente de respirar, porque é exatamente esse o efeito do livro.Talvez Hunt seja um encantado, e passou um pouco da energia de Brumencantada para sua escrita, que não tarda a povoar nossas mentes como num filme. Se duvidam, leiam! 

    Claro que não dá pra deixar de perceber na arte da capa e na diagramação. O que a editora Saída de Emergência fez aqui foi uma arte. Sabe, tô achando que tá cheio de humanos encantados por aí, e eles resolveram escrever e criar capas de best sellers. Alguém tem outra explicação pra tanto talento em um só livro? 



    É isso aí, pessoal! Espero que curtam a leitura! Eu recomendo A Corte do Ar, um dos meus preferidos de 2014, o ano mal começou mas tô achando difícil achar um que supere! 
    Fiquem na Paz! =)

[Resenha] Mago: Aprendiz, de Raymond E. Feist

     Venha, bom amigo, tome um lugar ao redor da fogueira, aqui nós contamos as histórias que os bardos narram em tavernas, de cavaleiros que viveram e morreram lutando, de trolls que sentiram a força oculta de um jovem aprendiz de mago. aproximem-se porque, hoje, nosso contador de histórias é Raymond E. Feist, que desbravou reino após reino em Midkemia até que a história do jovem Pug pudesse ser revelada aos nobres leitores para quem escrevo.



Título: Mago - Livro 1: O Aprendiz
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 432
2013
     Midkemia é um mundo diferente do nosso - ainda bem! Habitado por trolls, goblins e elfos, e uma outra infinidade de criaturas mágicas, os homens tentam co-habitar em harmonia. Mas é claro que isso nem sempre é possível, conflitos de interesses sempre existiram, espécies com ódio mútuo, como os moredhel e os elfos (parentes que não se suportam nenhum pouco), ou os próprios homens com os Irmãos das Trevas. 


     Pug é o primeiro a ser apresentado. O jovem de treze anos estava na floresta, fora do reino de Crydee, estava prestes a ser pulverizado por um animal selvagem quando o caçador Meecham surge para ajudá-lo. Pug foi levado para a cabana do mago Kulgan, do reino de Crydee, e seu dreagonete-de-fogo Fantus. O menino jamais trocara mais do que algumas palavras com o mago de seu povo, mas naquele dia uma estranha relação se formou entre eles. Kulgan viu no garoto um potencial singular para as artes mágicas. Até mesmo Fantus se afeiçoou ao menino instantaneamente. 
     Ao lado dos amigos Carline, Tomas e Roland, Pug costumava viver sua rotina de órfão do castelo com certa resignação, era aquela sua vida e não lhe incomodava vivê-la como era imposta, embora fosse um caso incorrigível de travessuras. Mas os últimos acontecimentos mudaram sua vida, especialmente quando Kulgan escolheu o garoto como seu aprendiz de mago.
     Os meses se passaram, e o tempo era um aliado de ninguém. Kulgan, no entanto, começou a duvidar da habilidade do menino ao ver que Pug não respondia bem aos treinamentos, e por isso optou em deixá-lo á vontade para praticar seu mago interior por conta própria. E, quando Pug salvou a vida da Princesa Carline contra dois trolls usando sua mágica oculta, o mago do reino percebeu que, de fato, havia uma natureza incomum no menino, algo que valia ser cultivado.
     Uma guerra, enfim, pairou sobre os reinos de Midkemia. Uma ameaça de outro mundo - literalmente, um mundo paralelo - colocou em cheque a paz do reino de Crydee e, sem alternativas, o Lorde Borric precisou viajar para uma difícil conversa com o Rei. Acompanhado pelo mais novo escudeiro Pug, Tomas e o mago Kulgan, eles viajaram milhas e milhas, lidando com as mais diversas situaçoes, desde devoradores e alma até os formidáveis tsurani, povos de uma outra realidade e responsáveis pelo estado de caos nos reinos. Era uma viagem necessária, afinal, precisavam das tropas reais, e tantas mais fosse possível obter. O inimigo surgia em grande número. 

     Em Mago: Aprendiz, nos deparamos com a coragem dos anões, a elegância dos elfos, o funeral do dragão-mago, um possível encontro com Macros, o Negro, e a iminente guerra entre o povo de Midkemia e os tsurani. O mundo apresentado por Raymond E. Feist é uma invenção genial e complexa, com espécies digladiando umas com as outras, sustentando rivalidades milenares e, mesmo diante disso, mantendo a honradez de um povo inteiro.  



Narrativa: escrito em terceira pessoa, viajamos ao lado de todas as personagens, descobrindo suas virtudes e fraquezas. Com descrição e poesia equiparável aos grandes nomes da Literatura Fantástica, Raymond E. Feist consegue fazer de suas palavras uma âncora que nos arremessa nas profundezas de Midkemia. A narrativa foi essencial para provocar em mim todo o tipo de sensações, e certamente é esse tipo de escrita que as histórias precisam hoje para manter o leitor dentro da trama por tanto tempo.
Personagens: como não gostar de cada criação de Feist? Pug, pra começo de conversa, é um garoto de espírito livre, inseguro à sua maneira, e tem uma personalidade que encantaria qualquer leitor! Não é à toa que nos divertimos tanto em acompanhar o aprendiz de mago em suas aventuras. 
     Tomas, o leal amigo de Pug, é um dos mais corajosos que vamos ver por aqui. Sua lealdade aos amigos é incrível e, com certeza, é a personagem que mais cresce ao longo da história - claro que isso não ocorre de forma natural, mas melhor não dizer pra não me condenarem por spoiler (rs). 
     Carline é uma princesa arrogante, esquentada demais e com modos pouco femininos, mas tem um espírito tão livre quanto o de Pug, embora o título de princesa força a menina a reprimir seus instintos boa parte do tempo. 
     Kulgan é um mago sábio, com um humor que ganha a simpatia do leitor em questão de minutos. Sua sabedoria quase entra em conflito com seu lado infantil - quase. E sua relação com todos, inclusive com os príncipes de Crydee, são sempre muito informais. Detentor do respeito e da atenção de quase todos, apenas Martin do Arco parece não e inibir diante do título de mago. 
     Aliás, Martin do Arco é outro personagem sensacional. Embora não esteja dando as caras sempre ao longo da trama, quando resolve aparecer, tem a habilidade de roubar a cena. É uma personalidade forte, embora ela tenha oscilado um pouco desde a sua primeira aparição até a última. Ou seja, ainda não descobri muito desse sujeito.

    - Nenhum de nós tem a liberdade de sentir algo diferente daquilo que sentimos, Roland.                                                                                                                   página 347

Ambientação: a temporalidade é a mais clássica possível. Com ares equivalentes ao medieval, o mundo Midkemia se passa em tempos em que os territórios são divididos em ducados, reinos livres, províncias e florestas e montanhas habitadas por seres mágicos. É possível fazer algumas comparações com a Terra-Média de Tolkien, mas não há dúvida que Feist fez brotar sua própria fonte para criar seu mundo e apresentá-lo aos leitores com originalidade. Vales, lagos, florestas densas, reinos com castelos, pontes e grandes portões, tudo isso recheia o cenário de Midkemia. Os reinos estão sempre ali, unidos ou em disputa, como deve ser um universo fantástico épico. Eu não poderia escolher um lugar melhor para compor o fundo das aventuras de um heroi cavaleiro (ou mago, que é o nosso caso)!
Desenvolvimento: gostar de uma coisa não significa não enxergar seus defeitos. Mago é, pra mim, uma das melhores leituras do ano e provavelmente um dos melhores do gênero que já li em toda minha vida. Mas sua história é complexa, envolve muitos reinos e muitos acontecimentos. Acredito que a história merecesse muito mais do que 400 páginas e por isso, talvez, eu tenha sentido falta de mais detalhes. A forma como Feist desenvolve os duelos, as guerras, é incrível, mas acredito que tenha faltado um melhor detalhamento na transição do tempo, como o crescimento de Pug e Tomas. Claro que o fantástico épico não precisa ter mil páginas se quiser ser bom, mas Midkemia é um universo incrível, merecia mais detalhamento.
     Apesar disso, a forma como Feist conduz a narrativa é tão linda que eu não poderia dar menos do que cinco estrelas para a obra. O crescimento das personagens é trabalhada de forma coerente, e a maneira como o autor nos leva ao clímax é do jeito que tem que ser: sem aviso. Quando percebemos, opa, olha a ação aí. E os nomes? Ah, os nomes! A forma como os reinos, personagens e acontecimentos são nomeados... É como se isso fosse suficiente para nos fazer captar a essência da coisa. Pug é um nome ideal para o garoto e, embora não se pareça com um nome de mago (como Kulgan, por exemplo), cabe muito bem em um jovem destemido. Tomas nos trás a imagem de um garoto alto, cavaleiro e divertido, e ele de fato o é. Crydee, o nome do reino, nos trás a ideia de um povoado justo, onde há nem que seja o mínimo de honra guardada dentro de suas muralhas.
   
     Mago é um livro fantástico, em todos os sentidos. Recomendo não apenas como um simples leitor, mas como o mais novo fã de Raymond E. Feist. Agora é só praticar a paciência enquanto o segundo livro da saga não é lançado! \o

Ótima leitura!

Fiquem na Paz! =)


 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos