[Resenha] Perdendo-me, de Cora Carmack


Faz dois anos que li Losing It, ainda em inglês, ainda em ebook. Quando a Novo Conceito anunciou que ia lançar, eu basicamente gritei, insanamente, avisando pro Pedro que quando o livro chegasse ele seria meu. Não que tenha sido um enorme esforço da parte dele me ceder o livro - porque não é bem o tipo de livro que ele curte ler - mas ainda assim, obrigada, querido . :)



Nessa história conhecemos Bliss Edwards, 22 anos, quase se formando em artes cênicas e virgem. Sim, porque pra ela, isso é uma coisa bem irritante - ter 22 anos e ser virgem, eu digo. Isso acaba se tornando o maior drama de sua vida, que fica bem balanceado com o fato de ela não fazer ideia do que vai fazer depois da faculdade. E, em uma noite em que ela fez a besteira de contar a sua melhor amiga que ela era virgem, ela sai e decide ter um caso de uma noite só pra resolver seu "problema". (Eu sei, parece idiota, mas esse é só o início, depois ela começa a ser menos estúpida, juro.)

Ela vai pra um bar, decidia, e lá acaba conhecendo um cara lindo - e bem interessante. Papo vai, papo vem, pegação vai... Bliss simplesmente enlouquece, percebe que não quer fazer aquilo, e sai correndo com uma desculpa bem idiota - deixando o gato do bar nu e confuso em seu apartamento. No dia seguinte, ela foca em sua aula para esquecer o episódio do dia anterior e, para sua infelicidade, esbarra com o cara do bar. Na sua sala de aula.
Ele era seu novo professor. 

Claro que, a partir daqui, você já imagina o que vai acontecer. Mas não se engane pela sinopse: dá a impressão de é um livro erótico estilo cinquenta tons de cinza (o que a capa também não ajuda, cinza, com essas fotos nada indicadoras). Ele é um New Adult - aqueles romances de gente jovem, com histórias leves e algumas cenas quentes (obviamente). Mas nada de absurdo.


Bliss tem uma das piores auto-estimas do universo, daquele tipo que é cheia de inseguranças, sabe? Mas ela não chega a ser tão irritante quanto todas as outras que tem aparecido ultimamente nos nossos livros. Garrick, o gato do bar/professor, é um cara daqueles que a gente quer ter do nosso lado: companheiro, dedicado e, bem, lindo. E inglês. Imaginem o sotaque. 

  Cora se autopublicou e seu romance de estréia é aquele tipo de livro que você deve ler quando precisa dar umas risadas e ler um romance fofo. Porque sim, tem romance - e não necessariamente sexo -  e os personagens são super queridos. Bliss e Garrick tem uma boa química - como casal, como amigos ou nos palcos, atuando. 

O livro é clichê, é romance, é fofurinha em excesso. Mas às  vezes é isso que a gente precisa ler (Deus sabe que era o que eu precisava). E tem mais dois livros na série - e a escrita de Cora só melhora. Os enredos também. Mas isso é material para outro post.


[Resenha] Se Eu Ficar, de Gayle Forman


      Provavelmente um dos livros mais comentados esse ano, Se Eu Ficar - escrito pela Gayle Forman e lançado no Brasil pela Novo Conceito - é um romance em que somos apresentados a uma jovem, Mia, e sua experiencia extracorpórea após um acidente de carro que deixou-a em coma, porém não incapaz de perambular pelo hospital e relembrar os momentos mais importantes de sua vida, com pessoas igualmente importantes.

      Mia, assim como o resto de sua família, havia encontrado na música um mundo particular. Mas, diferente de seus pais e seu irmão mais novo, não era o rock que movia sua alma, e sim músicas clássicas, e isso acabou motivando-a a assumir o violoncelo como seu instrumento. Embora ela se sentisse deslocada quando se comparava com o resto de sua família, era ali que ela se sentia segura.
      Foi em uma viagem que tudo mudou. Mia mal acompanhou a sucessão de acontecimentos, desde o instante em que o carro do pai derrapa até a colisão com o caminhão. Depois do acidente, ela se vê no meio da estrada, andando sem compreender o que acontecera. Apenas quando ela encontra o carro destruído, os corpos de seus pais e o próprio corpo (!) soterrado num punhado de neve, ela compreende o que aconteceu.
      Seus pais haviam morrido. Ela - ou melhor, seu corpo - havia sido carregado para o hospital, e estava em coma, enquanto seu irmão, o pequeno Teddy, estava em outra unidade, também em estado grave. Mia, então se vê incapaz de se comunicar, ninguém pode vê-la ou ouvi-la, ainda que ela consiga vagar mesmo não estando em seu corpo.
      Agora cabe a ela decidir, se vale a pena ficar, ou se estará disposta a abrir mão de sua vida para um mundo que já não é a mesma coisa sem a sua família.

      Se Eu Ficar é uma obra escrita em primeira pessoa, e a voz narrativa é a própria Mia. Com menos de 200 páginas, a história tenta trazer um romance que experimenta o sobrenatural em que a protagonista, após sofrer um acidente, se vê numa forma extracorpórea, assistindo ao sofrimento dos seus familiares e a si mesma no leito de um hospital, em coma, tentando descobrir uma maneira de voltar. Infelizmente, a sua trama não convenceu muito.
      Alguns pontos bastante positivos foram as construções dos relacionamentos entre as personagens. A autora se preocupa em torná-los complexos, não são apenas relações boas ou ruins. Mia, por exemplo, tem um namorado, Adam, e ambos parecem não saber lidar muito com o sentimento que têm um pelo outro, causando alguns conflitos que tornam o romance mais verossímil. Da mesma maneira é a amizade entre Mia e Kim, amigas desde crianças e que, de alguma maneira, nunca foi um relacionamento perfeito.
      Infelizmente, embora a "jornada" da leitura tenha sido interessante, ela não parece ter um objetivo. Mesmo quando eu soube que haveria um segundo livro, esse primeiro volume não tinha um desenvolvimento que se sustentasse. Tudo o que temos é um acidente e, após isso, Mia, por meio de flashbacks, relembra situações de sua vida enquanto seu corpo ainda permanece em coma. Ao fim da leitura, é como se fosse apenas isso, sem um clímax ou algum evento que justificasse todo o resto.
      A impressão que tive era de estar lendo a introdução de uma outra historia que estava por vir - história essa que não chegou nas páginas de Se Eu Ficar. Ainda espero, para o segundo livro, a leitura que me prometeram, mas preciso admitir que essa obra não conseguiu me ganhar, apesar da grande repercussão e dos vários elogios.
      Outro ponto negativo é a inconsistência nos sentimentos da protagonista. Durante a leitura, ela parece mais preocupada em saber se Adam havia recebido a notícia do acidente do que com o próprio irmão - internado em outro hospital, enquanto ela não tinha nenhuma notícia dele. Esse e alguns outros pontos contribuíram para dar uma atrapalhada na construção de Mia, inclusive com uma personalidade mal explorada. Mas se o leitor está buscando um drama intenso, então com certeza é o que temos entre as páginas.

      Se Eu Ficar virou filme! Resta conferir a versão cinematográfica e tentar captar a essência que eu não consegui captar durante a leitura. E aí, alguém aí já viu/leu? Curtiu?

      Tenham uma ótima leitura, fiquem na Paz!


[Resenha] O Fogo, de James Patterson e Jill Dembolski


      O Fogo é o terceiro livro da série Bruxos e Bruxas e, sinceramente, é um pouco mais do mesmo. Whit e Wisty continuam fugindo do Único que é o Único, o que já era esperado - mas não com essa intensidade. Só que nesse livro os irmãos Allgood vão enfrentar também a Peste Sangrenta, uma doença que se alastrou pelo lugar. Witsy está contaminada e Whit precisa correr contra o tempo para descobrir como salvá-la, ou vai acabar perdendo sua irmã.


      A resistência se espalhou, os Allgood estão sozinhos e tendo que, a cada dia, superar todos os medos que sempre tiveram. Vamos conbinar que perder os pais, descobrir ter poderes e fugir de um vilão que está decidido a matá-los não é mole pra ninguém, ainda mais pra dois adolescentes. Nesse livro vamos ver que eles estão conseguindo melhorar suas habilidades. O problema é que, mesmo estando mais cientes do seu poder, eles continuam agindo de modo infantil, cheios de desculpinhas e de "tadinhos dos caras maus, não vamos machucá-los", o que é bem idiota quando se trata da própria sobrevivência.


      O Único que é o único passa a ter um papel mais presente no livro, assim como seus seguidores. O leitor conhece mais sobre ele, suas motivações, o que ele esconde por trás da máscara de vilão e, mais importante, quais são os planos absurdos que ele tem. 


      Um grande personagem que ganhará uma maior exploração na narrativa é o Único que é o Único e seus fiéis seguidores. Conheceremos um pouco mais sobre quem é o cara por traz do Único que é o Único, se há sentimentos por baixo da casca de um vilão cruel e também sobre suas ambições e seus planos mais cruéis para a Superfície.


      E, sinceramente, se tem uma coisa que Patterson sabe escrever é um bom crime. Então, no que diz respeito aos planos da Nova Ordem, eu não tenho muito do que reclamar. As cenas eram bem intensas, as crueldades bem descritas e tudo bem real. Os irmãos Algood continuam a fugir do Único, tudo continua super monótono nesse ponto, mas ai vem uma crueldade básica e anima as coisas um pouco. Um pouco.



      De tudo, o final foi o que mais me deixou empolgada para ler o próximo. Assim como no livro anterior, Fogo colocou um final cheio de mistério e em uma situação inesperada, então qualquer ser humano curioso acabaria por ficar querendo a continuação.Não sei muito bem o que esperar de O Beijo, mas desde o primeiro livro da série eu não venho esperando muita coisa para não me decepcionar demais. James Patterson é um ótimo escritor, mas ele devia deixar a distopia e o infanto-juvenil para outras pessoas.



[Resenha] Nosferatu, de Joe Hill


      Depois que o maior escritor de livros do capiroto, Stephen King, ganhou a simpatia dos leitores, foi a vez da sua cria, Joe Hill, ganhar o público. Se A Estrada da Noite e O Pacto não conseguiu ganhar os amantes do terror, as chances de isso acontecer com Nosferatu acabaram de aumentar.  

      NOS4A2 (em inglês, a pronúncia é algo semelhante à Nosferatu) é o nome oficial da obra, publicado aqui no Brasil pela editora Arqueiro, e conta a história de Victoria McQueen, uma garota filha de pais complicados cujo relacionamento sempre foi nocivo pra pequena Vic. A menina, ainda criança, havia descoberto uma habilidade muito peculiar de encontrar coisas perdidas ou coisas que queria muito achar: ela pegava sua bicicleta, atravessava uma ponte velha de madeira no bosque e, quando terminava a travessia, chegava ao lugar onde fora esquecido o que procurava. 
      Enquanto isso, o terrível Charlie Manx abusava de sua estranha habilidade para exercer o macabro: com seu Rolls-Royce (apelidado de Nosferatu), ele era capaz de levar criancinhas para passear por um mundo terrível, por caminhos que terminavam na Terra do Natal. E, ao longo de sua "jornada" (mais do que macabra, diga-se de passagem), acabou encontrando o perturbado Bing Partridge, que com um pezinho na psicopatia e outro não sei aonde, fazia atrocidades em nome de Manx sem nem pestanejar, acreditando ser aquele um bom homem que levava as crianças para um mundo onde tudo era alegria - quando na verdade elas tinham suas vidas sugadas para assegurar a imortalidade de Charlie Manx. 
      Em um determinado momento, a Pirralha - assim era o apelido de Vic - vai cruzar o caminho de Manx, tudo porque um dia ela decidiu atravessar a ponte para encontrar encrenca. Olha que beleza, moça, a senhora encontrou! E depois disso, é melhor ficar atento, só pra não perder a contagem de sustos e de mortes que Nosferatu carrega em suas páginas.

      É um livro perturbado. Isso: acho que se eu pudesse resumir NOS4A2 em uma só palavra, eu diria "Perturbado". Em alguns momentos não é no melhor sentido, mas para os amantes do terror ao estilo classudo, e com uma pitada de insanidade pra poucos, é um prato cheio. 
      Escrito em terceira pessoa, os capítulos alternam entre a ótica de Vic e de Manx, sendo que há momentos em que acompanhamos o desequilibrado Bing tentando ganhar o amor de seu chefe. Os personagens recebem uma construção especial que eu vi poucas vezes por aí. Não existe o vilão 100% maldade, nem o mocinho - no caso, mocinha - modelo de vida. São cheios de falhas de caráter, e falhas verossímeis, e têm o que todos temos: inclinação para fazer o mal.
      Talvez esse seja um dos pontos mais perturbadores dessa obra: saber o que um homem seria capaz se tivesse poderes como esses. Não se trata apenas de uma história de terror, e sim um terror contado numa ficção. Cada personagem é tão bem construído que, depois de ler, você prefere não sair do quarto com medo de encontrar com algum deles pelo corredor. 
      Já o que me incomodou no livro é algo muito pessoal, pois a construção e a evolução da história são muito bem feitas, o pano de fundo é impecável e o final é surpreendente, mas alguns trechos ainda me incomodaram ao ponto de me fazer querer abrir mão da leitura em alguns momentos, e por isso não me sinto inclinado a recomendar a obra. Mas fique sabendo, se você já é um fã de King ou Hill, então Nosferatu vai cair muito bem nas suas próximas leituras. O terror está em cada página, e quem sabe não está te esperando?

      Tenham uma ótima leitura, fiquem na Paz (depois desse livro, é melhor que fiquem mesmo!)

[Contos Avulsos] - Mercearia

            Mercearia

Vila pequena, era o que havia por entre aquelas bandas. Apenas uma praça, gente bem vestida,
coisa de interior que só se vê em quadro pintado a óleo. Asfalto não havia, só rua cheia de pedra, tão parecida era com pé-de-moleque, que dava vontade de morder a cada passo. Poste, só se fosse lampião, mesmo porque eletricidade não se via por ali. Quando o sol ficava dourado, como naquele dia, dava pra assistir, de longe, o passeio que os pardais namoradeiros ensaiavam. Uns se faziam de difíceis, outros logo cediam espaço entre as asas.
O cheiro de café era coisa comum, histórias de dar medo em criança levada eram notórias e, vez ou outra, os mais velhos faziam aquela cessão de causos, só pra ter certeza de que molecada nenhuma iria esquecer das assombrações.
Além da boa gente, tinha casa acolhedora, simples, com janelas de madeira floreadas com cortinas tecidas pelas beatas que, vez ou outra, abandonavam as agulhas para se espetarem em suas próprias línguas. Entre uma casa amarela e outra não sei que cor, tinha uma mercearia. Só uma, onde se vendia de nada um pouco, de tudo muito.
            Na venda o homem servia a todos, mas se lhe pediam o que não tinha, tratava logo de falar “chispa” e já ficava carrancudo.
            Veio tão logo o menino, pequeno, ligeiro, inteligente como velho de muitas vidas, que, como qualquer um da sua idade, gostava de falar e ser respondido. Se não tinha a atenção desejada, logo insistia, até desistir de chatear. Naquele dia, porém, não foi de boa vontade, foi ordem da mãe, que fez o menino deslocar, de casa, até a mercearia.
            - Seu môço, me vê um pouco de simpatia, que é pra mãe faze o mingal.
            - Tem não – diz, carrancudo, o homem da mercearia – agora chispa que eu já vô fechá.
            -Seu môço, então me vê um cadim de alegria, que é pra mãe fazê compota.
            - Tem não. Agora chispa que eu tenho mais o que fazê.
            - Seu môço, vê então se tem um poquinho só de boa-fé, que é pra mãe fazê pão doce.
            O seu môço logo se impacientou.
            - Tem aqui não, diacho. Agora foge, se não chamo o delegado.
            - Ô, seu môço. Intão o que o senhor tem aí pra mãe cozê?
            - Só sobrô sardade, se ocê quisé...
            Menino faz cara de quem pensa muito, depois diz, sorrindo:
            - Quero não. Lá em casa ainda sobrô um cadim de esperança.
            - Ah! – logo sorri o dono da mercearia, já interessando no produto de seu intento – Esperança? Sinhora sua mãe num vende não? Pago bom preço.
            - Ah, não, seu môço. Esperança tem, mas cabô de acabá o restim da boa-vontade que tinha.
            E sai rindo o menino, endiabrado, da cara do moço que tinha de nada um pouco, de tudo muito.

[Resenha] As Gêmeas, de Saskia Sarginson


     Isolte e Viola são gêmeas idênticas e melhores amigas. Elas são muito ligadas, mesmo que suas personalidades sejam completamente diferentes. Elas vivem na floresta com a mãe, uma pessoa bem irresponsável, que decidiu ter uma vida livre e sem regras, que esperava tirar da natureza o que precisavam para sobreviver. o que faz com que as meninas não tenham muitas orientações para seguir em suas vidas. Mas as meninas são felizes no cenário idílico da floresta, pelo menos bem mais felizes que são na vida adulta, e lá elas se tornam amigas de John e Michael, que também são gêmeos. Enquanto crianças, elas não tem uma vida tão ruim. Quando ficam mais velhas é que começa o problema. Principalmente depois do acidente que muda completamente a vida das meninas, e que faz com que tudo comece a sair dos trilhos e a dar errado.

     O tempo passa, ninguém entende de fato o que aconteceu, e com o tempo Isolte se torna uma mulher bem sucedida, que tem um relacionamento com um fotógrafo. Enquanto isso, Viola possui transtornos alimentares e está em um hospital em estado grave. Enquanto Isolte era a destemida, extrovertida e forte, Viola era introspectiva e tímida, e parecia estar sempre sendo consumida por algum tipo de culpa. Agora, Isolte vai até sua irmã e tenta ajudá-la a sair da situação em que está.

      E é aqui que o passado e o presente passam a se encontrar. Viola vive repensando sua infância e tudo que aconteceu, e Isolte também começa a rever todas as suas memórias e a questionar suas atitudes. Mas, acima de tudo, ela é levada a questionar se realmente vale a pena desenterrar o passado, quando sua relação com a irmã não está tão bem assim. E a porque, apesar de não parecer, Isolte foi tão marcada pelos acontecimentos do passado quanto sua irmã.

     As gêmeas é narrado em primeira pessoa, hora por Isolte e hora por Viola, hora no presente e hora no passado. O acidente que aconteceu não é muito claro para o leitor a princípio, porque as meninas mais descrevem as sensações de estarem naquela situação que comentam sobre o acidente em si. E essas idas e vindas entre presente e passado, Viola e Isolte, fizeram com que a leitura fosse um pouco confusa a princípio. Mas a gente se acostuma, e aí a leitura flui fácil. Além da narrativa cheia de suspense que prende o leitor até o fim para tentar descobrir o que aconteceu com as duas. Tão suspense que chegava a beirar o terror em algumas cenas. O final é, literalmente, surpreendente, porque eu acho que ninguém esperava por aquele desfecho. Leitura recomendada!


[Resenha] De Repente Acontece

     .

Em De Repente Acontece conhecemos Sara, uma adolescente como outra qualquer. Ela ama estudar e seus amigos a consideram nerd por isso. Não que ela não quisesse ser poluar, porque ela queria, mas as pessoas de seu colégio nunca lhe deram alguma atenção. Na verdade, ela era ignorada por todos. Mas isso muda quando ela começa a namorar Dave, um jogador de basquete lindo e super interessante. Pelo menos a princípio. Porque, logo no primeiro encontro de casais que vai com ele, Sara começa a se questionar porque aceitou aquele namoro. Ela não se sente bem sendo alguém que não é, que tem que usar roupas diferentes das suas para ser aceita e que definitivamente não pode mostrar um mínimo de espontaneidade. Mas ela insiste em seu namoro com Dave porque sonha em ter um amor.



     Também conhecemos Tobey, um cara carismático, que tem uma banda de rock e sonha em se tornar um músico famoso. E seu objetivo agora é ganhar a Batalha das Bandas. Ele não quer fazer faculdade, ao contrário de absolutamente todos em sua escola, e não se importa nem um pouco com suas notas. Ele é inteligente mas se recusa a fazer os exercícios, e então suas notas são sempre baixas. E, é claro, ele se apaixona por Sara, e não entende porque raios ela está com Dave.




     O livro é narrado em primeira pessoa, entre os pontos de vista de Tobey e de Sara, então conseguimos ver o que acontece pelos dois lados da história, o que torna a narrativa mais divertida. É bem fofo, a leitura é super rápida e você é cativado pelos personagens - tanto os principais quanto os coadjuvantes. Sabe os clichês americanos? Então, esse livro é um deles e, eu não sei você, mas eu adoro passar algumas horas na companhia desse tipo de história. Dá pra ler em um dia, e é uma boa pedida pra quando só estamos querendo passar um tempo em companhia de pessoas divertidas


[Resenha Nerd] Watchmen, de Alan Moore

     Considerada uma das melhores HQ's do mundo em todos os tempos, Watchmen é a história com estereótipos de herois, uma das obras mais belas de Alan Moore com um caos tão bem organizado que nem sei mais o que estou dizendo. E falar desse clássico dos quadrinhos não é uma tarefa fácil, mas é como disse o tinho Ben: com grandes leituras, vem grandes resenhas.


     Ao longo da leitura nós somos apresentados aos homens-minuto, heróis que viveram nos anos 40, os encapuzados ou mascarados. Comediante, Coruja, Espectral, Justiça-Encapuzada... Esses e outros nomes acabaram por compor nossa lista de super-heróis. No entanto, na guerra do Vietnã os heróis caíram no esquecimento. Houve o surgimento do Dr. Manhattan, um homem que sofrera um acidente no laboratório - aquele clichê que todo mundo adora, inclusive eu! - e adquiriu poderes extraordinários (aliás, é o único com super-poderes em toda a trama). O Dr. Manhattan foi o responsável por criar a fama dos EUA em todo o mundo como a potência que deveria ser temida. Foi por isso que os encapuzados aposentaram. O Coruja virou mecânico, o Comediante se tornou uma espécie de "soldado americano" na guerra do Vietnã, alguns são mortos (ou não). Enfim, não morfavam mais. 


      Anos depois forma-se uma nova equipe, com Rorschach, um dos mais complexos, a filha da Espectral, que assume o alter-ego da mãe como herança. O novo Coruja, O Comediante. Bem, acontece que tudo isso dito até agora não nos é apresentado de forma cronológica, pois somos levados primeiro ao local do crime, onde o Comediante foi assassinado. Ou seja, esse "herói" (sinceramente, um dos que menos me agradou) tem sua vida apresentada ao leitor ao longo dos flashbacks dos outros personagens, e ninguém parecia apreciar o sujeito como um bom amigo.


     Após a morte do comediante, Rorschach (um herói degradante e genial) suspeita de uma conspiração para sabotar os mascarados, seja matando-os ou tirando-os do caminho (como fizeram com Dr. Manhattan). O engraçado é que ficamos o tempo inteiro a procura DAQUELE vilão. Há o Molloc, um sujeito que, sim, foi um vilão que deu muita dor de cabeça, mas todo o tempo não encontramos um arqui-inimigo. Sim, há uma ameaça, mas nem mesmo Rorschach com sua genialidade e incrível capacidade analítica, consegue chegar até a resposta antes de ser capturado pela polícia e agredido um bocado.


     Enquanto isso, a iminência de uma guerra nuclear se aproxima, e os murmúrios nas ruas é de "apocalipse", "fim do mundo", especialmente após o sumiço do Dr. Manhattan, dando abertura para uma possível Terceira Guerra Mundial.

"Não é Deus que mata as crianças, não é o acaso que as trucida, nem é o destino que as dá de comer aos cães. Somos nós. Só nós"
-Rorschach-

      Ao longo da leitura, nós acompanhamos o romance entre o Coruja e Espectral, as divagações de Dr. Manhattan e a grande revelação ao fim da história, com um desfecho surpreendentemente chocante quando se trata de Rorschach. Watchmen é o tipo de obra pra paladares seletos, é preciso realmente gostar para apreciar. Ou, como eu, você pode acabar gostando ao passar de cada página. Uma das melhores HQ's que já li, sem dúvida.


      A leitura é complexa, não é o tipo de obra que dá fundamento à falácia "história em quadrinho é pra criança". Pelo contrário, é preciso ser bem esclarecido e comprometimento com a leitura, além de manter a atenção ligada a todo instante pra não perder NADA. E não espere ter todas as respostas, pois muitas coisas ficam no ar ou simplesmente não são respondidas. Claro, havia planos para elucidarem muitas delas, mas vamos dizer que Alan Moore "mudou de ideia". Enfim, tretas mil a respeito de direitos autorais que não cabem aqui. Mas vale dizer que a leitura é incrível, compensa do início ao fim!


      E, claro, a edição final - volume único - está incrível! Capa dura, extras, processo de criação, de tudo um pouco, item indispensável para fãs e colecionadores. E não dá pra negar: a ilustração é sensacional. Bonito de dar gosto de ver!

É isso aí, pessoal, espero que tenham curtido!
Fiquem na Paz!


[Resenha] O Resgate, de Nicholas Sparks



      Todo mundo sabe que sou uma apaixonada convicta pelas histórias de Nicholas Sparks. Nem adiante dizer que é fórmula pronta, que é tudo a mesma coisa, porque eu vou ler mesmo assim - até porque pra mim os romances não são tão parecidos assim. Gosto tanto de Nicholas que implorei pro Pedro correr atrás de senha dele pra mim, na Bienal do ano passado, e ele conseguiu! o/ (ETERNAMENTE GRATA) Então, quando a Arqueiro lança alguma coisa dele, Pedro já nem precisa perguntar: ele simplesmente pede logo. E O Resgate foi o re-lançamento mais recente em terras tupiniquins.

      Esse é o quinto romance do autor (que já tem 17 ou 18 publicados), e te faz matar saudades do Nicholas Sparks da primeira geração - porque qualquer leitora de Nicholas percebe uma diferença na narrativa dos seus primeiros livros para os livros mais recentes. Não que eles sejam ruins, longe disso, mas a narrativa mudou, o estilo de história mudou um pouco também, e as fãs tem duas versões de Nicholas pra escolher quando querem um romance fofo, com uma certa dose de tragédia e com muito amor.

      Nesse livro conhecemos Denise, uma mãe solteira que abriu mão de tudo para poder cuidar de seu filho, Kyle. O menino, com 4 anos, apresenta uma dificuldade enorme em desenvolver a fala. A linguagem para ele é uma coisa difícil de entender, o que faz com que Denise precise treinar palavra por palavra, dia após dia, por pelo menos 4 horas. Os diagnósticos até ali não levaram a nada conclusivo, e Denise já tinha lido todo tipo de literatura que falasse sobre qualquer problema que englobasse pelo menos um dos sintomas de Kyle. E agora ela se dedica a ajudar seu filho a desvendar os mistérios da língua falada.

      Denise se muda para Endenton (sim, uma cidade da Carolina do Norte ♥ ), porque herdou uma casa de sua mãe na cidade e, com sua dedicação à seu filho, ela acaba não tendo tanto tempo - e dinheiro - pra pagar aluguel. E é nessa cidade nova que, em um dia normal de ida ao mercado, ela se pega lembrando de sua trajetória até ali: o caso sem compromisso que acabou resultando em Kyle. O cara com quem compartilhou a cama e depois não compartilhou mais nada. A morte de sua mãe. O fato de que seu filho, tão lindo e tão amado, não fosse perfeito. E, enquanto pensava em todas essas reviravoltas da vida, ela sofre um acidente de carro. E, quando acorda, se depara com Taylor, um bombeiro voluntário.

      A chuva estava muito forte, a noite já havia escurecido tudo ao seu redor e ela estava atordoada por causa do acidente. E, quando descobre que Kyle não está no carro com ela, ela fica desesperada. E aí Taylor começa as buscas incessantes por Kyle, o meio da noite, no meio de uma chuva absurda, na tentativa de encontrar o menino são e salvo. Carpinteiro de dia, voluntário do corpo de bombeiros quando é requisitado, Taylor tenta fugir dos fantasmas que assombram seu passado se voluntariando para todas as missões de resgate que o corpo de bombeiros precisar. Ele e seu melhor amigo, Mitch, fazem isso há alguns anos. Mitch, casado e com quatro filhos, já não acha que vale mais a pena se arriscar tanto - ele tem uma família para manter e para ver crescer. Taylor nem cogita deixar de ser voluntário, mesmo que muitas vezes ele tenha ficado bem perto da morte. E, agora, nessa madrugada de tempestade, ele inicia uma busca incessante por Kyle. E, depois dessa noite horrorosa, a vida de Denise e a de Taylor se encontram e eles vão ter que aprender a superar diversos fantasmas, juntos.

      Esse livro tem elementos inspirados na vida de Nicholas, como todos os seus primeiros romances. Nesse caso, a dificuldade de Kyle é a mesma que a do filho do autor, Ryan. Além disso, os personagens são super bem construídos, com personalidades fortes, fraquezas e um bom caráter. Denise e Taylor tem uma longa estrada pela frente: ela precisa aprender a dividir seus dias entre o filho e o novo amor, ele precisa superar os traumas que vem guiando suas ações e relacionamentos desde cedo. Os dois precisam aprender a compartilhar. Não é fácil, para nenhum dos dois, mas eles precisam deixar o passado para trás para dar uma chance para o presente. É um livro que nos faz perceber que os fantasmas do passado são só fantasmas, que não deviam ter nenhuma opinião no que fazemos agora. E que segundas chances são importantes. E, além de tudo, que se deixar ser resgatado não é sinal de fraqueza.



[Resenha] Enquanto a Chuva Caía, de Christine M.



      Eu tô contente. De verdade. Esse ano foi uma verdadeira maratona de livros nacionais, e é incrível constatar um fato: nossa literatura está a todo vapor, sem perder em nada para os escritores 'lá de fora'. Christine M. provou isso de um jeito que eu chamo de: show de bola!

      Erik era o típico consultor dos federais que não estava na lista de pagamento. E por dizer "consultor", eu me refiro ao tipo de sujeito que dá cabo dos meliantes que, por questão de ética, as autoridades brasileiras não podem... Dar um sumiço. Sem firulas, Erik era um assassino secreto dos federais que agia quando algo estava além do que é certo.
      Enquanto isso, em Nova Iorque, a jovem Marina, advogada, chefe e herdeira da grande empresa de advocacia Holmes&Lewis, tenta lidar com o escândalo do pai que, agora, sofre de Alzheimer, além de tentar sobreviver aos eu infindável luto pelo ex-marido, Adam, que morreu em campo quando se alistou para o exército.
      Em um determinado ponto, a vida de Erik e Marina acabam se cruzando em Nova Iorque, quando o "consultor" acaba indo para NY numa espécie de férias, exercendo sua formação - Direito - justamente na empresa Holmes&Lewis. A vida dos dois acabam se cruzando num dia de chuva, com direito a uma estrada encharcada, um pneu furado e uma nota de cem dólares.
      Mas sempre surgem problemas quando ambas as partes entram em um relacionamento com muitos segredos em suas bagagens, e no caso de Erik e Marina não foi diferente. Com direito a mortes suspeitas, um grande escândalo e mistérios que poderiam colocar em cheque o romance e, quem sabe, suas próprias vidas, Enquanto a Chuva Caía é uma história que poderia ser uma verdadeira tempestade na vida amorosa de duas pessoas com segredos demais.
   
      "Sabe quando uma ideia aparece e você se pergunta por que não pensou nela antes? Eu tenho uma teoria sobre isso: a ideia já estava lá. Você só não havia prestado atenção."
capítulo 28, página 219

      Enquanto a Chuva Caía é escrito em primeira pessoa, alternando entre o ponto de vista de Erik e de Marina. Normalmente eu não curto esse tipo de leitura, não gosto de muitas "vozes" na narrativa, mas a maneira como Christine elaborou essa alternação ficou bem agradável, sem colocar o nome do narrador como título, apenas o texto corrido que, com a leitura, já podemos diferenciar a ótica de Erik da ótica de Marina. Essa estrutura parece mais natural, fluida, e dispensa apresentações, pois as personalidades dos protagonistas são muito bem talhadas.
      A leitura é fluida, de fácil compreensão e, o melhor, a imersão na história é muito rápida! Embora a trama não seja tão complexa, ela tem muita originalidade, pois se sustenta sem arremeter a qualquer outra obra. Christine M. fez um ótimo trabalho dando vida a esse romance, pois criou um livro para quem ainda não tem paixão pela leitura - já que Enquanto a Chuva Caía deixa uma ótima primeira impressão, além de uma trama gostosa para se livrar daquela ressaca literária que parecia não ter fim. E se você não se enquadra em nenhum dos casos, ainda tem a terceira opção: se você é o tipo de leitor que curte um bom romance sem pretensão de querer impressionar, ainda que o resultado seja justamente esse!

      Nota do resenhista: está chovendo hoje! De verdade! Quer um presságio melhor do que esse? Boa leitura pessoal! 


[Resenha] A Escolha do Coração, de Amanda Brooke


Em A Escolha do Coração, conhecemos Holly, uma artista plástica casada e feliz, em um dos melhores momentos de sua vida. Envolvida com sua casa nova e com sua rotina diária com Tom, ela não consegue imaginar uma vida melhor. Ela ama planejar, criar listas e traçar metas, e um desses seus planos é ter um filho - mesmo que a sua relação com sua mãe não fosse nada feliz. Ela passou toda a sua vida sentindo que sua mãe preferiria que ela não tivesse nascido, e só quando conheceu Tom que ela encontrou o amor e descobriu como uma família unida funciona. E agora ela queria ter a sua própria família.





E, na sua nova casa, enquanto ainda estava organizando a mudança e as reformas na casa, um relógio lunar aparece no jardim. E, o que parecia ser só um enfeite acaba mostrando o poder de ver o futuro. E, em uma noite de lua cheia, Holly vê sua vida em algum tempo: Tom está com sua filha nos braços. E, tentando falar com o marido, ela percebe que não consegue. E que ele está sofrendo a sua morte. Para terem Libby, sua filha, Holly acabou morrendo no parto. Só que Holly não usa o relógio só uma vez. E, a cada vez que ela vê o futuro, o seu amor por Libby cresce mais. E ela tinha que escolher entre ficar viva e nunca ter Libby, ou deixar Libby viver e nunca ter a mãe. 




Holly acaba tendo que se ver diante de escolhas muito difíceis, e ver sua luta para decidir o seu futuro e o de sua filha faz com que o leitor consiga entender seus questionamentos e suas decisões. Imagine se você tiver que escolher entre a sua vida e a de alguém que você ama? E saber que, para que seu sonho se realize, você precisa ficar de fora dele... Não é bem uma escolha das mais fáceis. 


Mas a autora soube lidar com o tema que propôs e, com muita sensibilidade, nos fez ver o amor de mãe para filha e nos permitiu isso com uma leitura prazerosa e cheia de emoção. Com personagens incríveis, de personalidades fortes, e recheada de amor, A Escolha do Coração é uma história linda que não me deixa falar quase nada, com medo de contar spoilers e estragar a surpresa. Mas posso dizer que é um livro incrível!

[Inspire-se] Construindo campeões




      A gente vive tantas e coisas e, quando vemos um vídeo como esse, percebemos que não vimos nada! Imagina essa professora te dando aulas? Matemática seria mamão com açúcar! Não dá pra dizer muita coisa, esse vídeo vai dizer por ele mesmo. Ou melhor, por ela, a professora que fabrica campeões.


     Pensar que tudo poderia ser uma questão de conexão, torna as coisas mais claras. Dá pra ser um campeão sim, é preciso apenas ouvirmos o discurso certo!
     E lembre-se: +2 sempre é melhor que -18.

[Resenha] Minha Vez de Brilhar, de Erin E. Moulton



      Indie Lee Chicory é uma criança que faz cara de peixe, fala com as constelações, é amiga de uma lagosta dourada e está tentando ser uma Indie melhor, aquela que vai dar orgulho à irmã, aos pais, e vai tentar não ser tão estranha. Por favor, alguém diga pra essa menina que ela já é incrível!

      Indie mora em uma cidade praiana, Plumtown, com sua família bastante normal, uma mãe dedicada, um pai pescador e uma irmã, a Bibi, com muitos talentos e um grande desejo de ascensão social. E não dá pra esquecer Monty Cola, a lagosta dourada rara pescada pelo pai há alguns anos, e que se tornou a melhor amiga e confidente da pequena Indie.
      Indie, mesmo criança, conseguia se lembrar de momentos em que era ainda menor, quando ela brincava com sua irmã mais velha, Bibi, de fazer caretas de peixe, pedir desejos às estrelas e serem grandes amigas. Mas, com o tempo, Indie se sentiu pra trás, enquanto sua irmã brincava com outras garotas, participava do teatro da cidade, sempre brigando quando a caçula fazia cara de peixe. Parafraseando Bibi, ela dizia algo como "pare de ser estranha, Indie". Dá pra ver que aquela amizade se perdera em algum momento enquanto elas cresciam.
      Por esse motivo, e por alguns outros, Indie acreditava não ser uma boa pessoa - o que é um absurdo! - mas tudo o que ela queria era ser normal, não ser a estranha, não fazer a irmã passar vergonha. Até o dia em que Monty, a lagosta, acidentalmente é levada para a escol de Indie dentro de sua mochila, e depois que a confusão se instalou, Monty fugiu e desapareceu no mar.
     E, no processo de ser uma Indie melhor, ela entrou para o teatro assim como a irmã. Bem, não exatamente, já que a  nossa protagonista ficaria apenas nos bastidores, ao lado de seu novo e nerd amigo Owen e sua chefe e punk Sloth. O que a garota não esperava era ver sua nova amizade e seus princípios de criança em provação, tudo para ser aceita pela pessoa que mais admira: sua irmã mais velha.

      Escrito em terceira pessoa, Minha Vez de Brilhar é uma história de crescimento e de auto-confirmação. No começo conhecemos uma pequena Indie que parece não se importar em fazer caretas de peixe ou conversar com sua lagosta. Mas, ao longo da leitura, ela passa a mudar sua maneira de ser, tudo porque acredita não ser boa o suficiente para a família Chicory, acreditando não ser uma boa irmã para Bibi, e acredita piamente ser culpada pela própria irmã se envergonhar dela.
      O grande crescimento, no entanto, acontece com Owen, o garoto nerd e 'estranho' que passa a ser um tipo de amigo em segredo, uma vez que as amigas de Bibi iriam criticá-la se soubesse que "sua irmã está andando com aquele esquisito". A história nos mostra o amor e admiração de Indie por Bibi, e como a protagonista vai sentindo esse amor, até o ápice, em que... Bem, vocês precisam realmente ler pra saber o que acontece.
      A leitura é de fácil entendimento, divertida e dá pra devorar o livro em um dia só. Por fazer parte do selo #Irado da Novo Conceito, trata-se de uma história infanto-juvenil, e apesar disso é um ensinamento para qualquer idade. Mesmo porque, em alguns momentos, até mesmo uma criança sem muita experiência como a Indie pode nos ensinar a ser pessoas melhores.

      Boa leitura e fiquem na Paz, amigos Inspirados!

[Resenha] A Máquina de Contar Histórias, de Maurício Gomyde


      Eu já havia lido 2 livros do Gomyde até hoje, e a cada leitura era uma experiência diferente. Quando li A Máquina de Contar Histórias, seu primeiro romance publicado pela Novo Conceito, eu me toquei: por que tenho tão poucos livros nacionais na minha estante?

      Vinicius Becker, o nosso protagonista, despendeu todos os seus esforços para realizar o seu sonho: ser um grande escritor. Sua dedicação ao trabalho, seus horários e técnicas respeitados religiosamente, sua reclusão do mundo para criar seus romances, sua total submissão ao próprio sonho, tudo isso levou-o a se tornar um famoso escritor brasileiro best-seller em todo o mundo. Mas havia algo que ele não havia considerado nessa equação de sucesso: sua família.
      Ele estava em um evento importante para a sua carreira quando recebeu a notícia de que sua esposa Viviana, com leucemia há alguns anos, veio a falecer. Ele estava longe do leito, longe de suas duas filhas, Valentina e Vida. Elas sentiram a perda e o abandono tudo em um único dia, e isso custaria o amor entre pai e filha.
      Quando ele percebe que a família V está em ruínas - tudo por causa de sua ambição sem medidas - ele decide fazer algo para reaproximá-lo de suas filhas e, quem sabe, receber o perdão que sua esposa nunca pode dar devido a tantos anos de ausência.
      Vinícius Becker abre mão de eventos e contratos - deixados para que seu amigo e empresário Salvatore os resolva - e planeja uma viagem especial para ele e suas filhas, um gesto desesperado para ter de volta o amor de Vida, a caçula, e Valentina, a filha mais velha com o coração endurecido pelos anos de abandono e que não daria o braço a torcer antes que o pai provasse merecer seu amor.

      A Máquina de Contar Histórias é muito mais do que um livro de reconciliação. Escrito em terceira pessoa, nós acompanhamos a jornada desse escritor de sucesso que, sem perceber, deixou seus sonhos consumirem seu tempo e afastarem os amores de sua vida. Mais do que isso, ele usou seu talento como escapismo, tentando fugir da triste realidade onde sua esposa definha até a morte e suas filhas só podem assistir à perda da mãe.
      A progressão do relacionamento entre pai é filha é muito bem construída, desde as discussões até o instante em que Valentina começa a baixar os muros de seu coração e Vinícius começa a ver como seu comportamento foi corrosivo para sua família. Aliás, todos os personagens são muito bem entalhados, o que os torna mais possíveis.
      A obra, escrita com maestria por Maurício Gomyde, tem uma magia escondida em suas páginas: aquela de nos fazer sentir o mesmo que os personagens, de nos fazer querer abraçá-los e dizer que tudo vai ficar bem. Talvez isso seja porque o autor emprestou um pouco de si para o personagem, e tornou-o alguém verdadeiro, capaz de nos provocar esse tipo de sensação, quase como se o conhecêssemos.
      Ler A Máquina de Contar Histórias só confirma o que costumo dizer por aqui: a literatura verde-e-amarela não perde em nada para a do Tio Sam, ou a de qualquer outra nacionalidade. Gomyde fez o belo trabalho de encantar os leitores com uma singela história de reconhecimento das próprias limitações e de sua dependência para com as outras pessoas, tudo isso com apenas 192 páginas. Um livro rápido de ler, pequenino, mas surpreendentemente profundo em conteúdo. 
      Se vale a pena ler? Acho que a pergunta certa é: por que você ainda não tá lendo?!
     
      E como o Maurício é um amante assumido de música, por que não deixar aqui uma pequena trilha sonora? Let Her Go, de Passenger, é uma boa pedida!


     Tenham uma ótima leitura, pessoal! Fiquem na Paz!


[Resenhas] Deb Caletti, meu amor, meu bem, meu querido



     “Meu amor, meu bem, meu querido” conta a história de Ruby, uma adolescente que se apaixona pelo bad boy do bairro. Mas não, esse não é somente um besteirol adolescente, e o romance não é o foco da história. Ruby vive com a mãe e o irmão mais novo, uma vez que seu pai basicamente abandonou a família para seguir seu sonho de ser um músico famoso. Ela não entende porque sua mãe continua com seu pai, já que ele nunca está em casa e raramente os visita.

     Bem, um dia Ruby está voltando da escola e inesperadamente conhece Travis, com quem vai acabar criando um certo tipo de relacionamento. Ele a desafia e faz aflorar nela tudo o que ela nunca foi. O problema é: Travis não é o melhor exemplo de pessoa, e faz coisas que Ruby não acha que sejam certas. Ruby tenta se afastar de Travis, e sua mãe, que nunca aprovou o garoto, tenta distrair a filha, e a leva para um clube de leitura do qual participa. Na minha opinião, é a partir daqui que o livro fica realmente bom.
    O clube de leitura é basicamente formado por idosos, e todos eles tem personalidades bem fortes. As Rainhas Caçarolas, nome que deram ao grupo (mesmo tendo um senhor no meio), ajudam Ruby a ver a vida por um outro lado. Ruby tem a chance de conhecer outras histórias, e percebe que o mundo não acabou só porque a vida dela parecia um pouco fora dos trilhos.
   Como o livro é narrado em primeira pessoa por Ruby, você acaba conseguindo ver a mecânica dos pensamentos da menina. Mas a história não se atem somente em Ruby. Você conhece os outros personagens, e eles são importantes durante toda a história. Também é muito bom ver como a relação de Ruby com a mãe vai mudando aos poucos, e como elas começam a se entenderem melhor, e a escutarem uma à outra.
     Não espere uma trama dramática ou arrebatadora: meu amor, meu bem, meu querido não tem pretensões de ser esse tipo de livro. Parece mais que a autora estava tentando mostrar que a vida acontece de muitas maneiras diferentes, para pessoas diferentes, e que a perspectiva que você decide adotar ao ver o caminho a sua frente é o que interessa. Se eu tivesse lido as resenhas que vi por aí, sobre esse livro, provavelmente nunca o teria lido. E isso seria realmente uma pena, porque passei por bons momentos vendo o que acontecia com as personagens. O livro meu deu bons momentos, com uma leitura leve e despreocupada.


 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos