[Resenha] As Gêmeas, de Saskia Sarginson


     Isolte e Viola são gêmeas idênticas e melhores amigas. Elas são muito ligadas, mesmo que suas personalidades sejam completamente diferentes. Elas vivem na floresta com a mãe, uma pessoa bem irresponsável, que decidiu ter uma vida livre e sem regras, que esperava tirar da natureza o que precisavam para sobreviver. o que faz com que as meninas não tenham muitas orientações para seguir em suas vidas. Mas as meninas são felizes no cenário idílico da floresta, pelo menos bem mais felizes que são na vida adulta, e lá elas se tornam amigas de John e Michael, que também são gêmeos. Enquanto crianças, elas não tem uma vida tão ruim. Quando ficam mais velhas é que começa o problema. Principalmente depois do acidente que muda completamente a vida das meninas, e que faz com que tudo comece a sair dos trilhos e a dar errado.

     O tempo passa, ninguém entende de fato o que aconteceu, e com o tempo Isolte se torna uma mulher bem sucedida, que tem um relacionamento com um fotógrafo. Enquanto isso, Viola possui transtornos alimentares e está em um hospital em estado grave. Enquanto Isolte era a destemida, extrovertida e forte, Viola era introspectiva e tímida, e parecia estar sempre sendo consumida por algum tipo de culpa. Agora, Isolte vai até sua irmã e tenta ajudá-la a sair da situação em que está.

      E é aqui que o passado e o presente passam a se encontrar. Viola vive repensando sua infância e tudo que aconteceu, e Isolte também começa a rever todas as suas memórias e a questionar suas atitudes. Mas, acima de tudo, ela é levada a questionar se realmente vale a pena desenterrar o passado, quando sua relação com a irmã não está tão bem assim. E a porque, apesar de não parecer, Isolte foi tão marcada pelos acontecimentos do passado quanto sua irmã.

     As gêmeas é narrado em primeira pessoa, hora por Isolte e hora por Viola, hora no presente e hora no passado. O acidente que aconteceu não é muito claro para o leitor a princípio, porque as meninas mais descrevem as sensações de estarem naquela situação que comentam sobre o acidente em si. E essas idas e vindas entre presente e passado, Viola e Isolte, fizeram com que a leitura fosse um pouco confusa a princípio. Mas a gente se acostuma, e aí a leitura flui fácil. Além da narrativa cheia de suspense que prende o leitor até o fim para tentar descobrir o que aconteceu com as duas. Tão suspense que chegava a beirar o terror em algumas cenas. O final é, literalmente, surpreendente, porque eu acho que ninguém esperava por aquele desfecho. Leitura recomendada!


[Resenha] De Repente Acontece

     .

Em De Repente Acontece conhecemos Sara, uma adolescente como outra qualquer. Ela ama estudar e seus amigos a consideram nerd por isso. Não que ela não quisesse ser poluar, porque ela queria, mas as pessoas de seu colégio nunca lhe deram alguma atenção. Na verdade, ela era ignorada por todos. Mas isso muda quando ela começa a namorar Dave, um jogador de basquete lindo e super interessante. Pelo menos a princípio. Porque, logo no primeiro encontro de casais que vai com ele, Sara começa a se questionar porque aceitou aquele namoro. Ela não se sente bem sendo alguém que não é, que tem que usar roupas diferentes das suas para ser aceita e que definitivamente não pode mostrar um mínimo de espontaneidade. Mas ela insiste em seu namoro com Dave porque sonha em ter um amor.



     Também conhecemos Tobey, um cara carismático, que tem uma banda de rock e sonha em se tornar um músico famoso. E seu objetivo agora é ganhar a Batalha das Bandas. Ele não quer fazer faculdade, ao contrário de absolutamente todos em sua escola, e não se importa nem um pouco com suas notas. Ele é inteligente mas se recusa a fazer os exercícios, e então suas notas são sempre baixas. E, é claro, ele se apaixona por Sara, e não entende porque raios ela está com Dave.




     O livro é narrado em primeira pessoa, entre os pontos de vista de Tobey e de Sara, então conseguimos ver o que acontece pelos dois lados da história, o que torna a narrativa mais divertida. É bem fofo, a leitura é super rápida e você é cativado pelos personagens - tanto os principais quanto os coadjuvantes. Sabe os clichês americanos? Então, esse livro é um deles e, eu não sei você, mas eu adoro passar algumas horas na companhia desse tipo de história. Dá pra ler em um dia, e é uma boa pedida pra quando só estamos querendo passar um tempo em companhia de pessoas divertidas


[Resenha Nerd] Watchmen, de Alan Moore

     Considerada uma das melhores HQ's do mundo em todos os tempos, Watchmen é a história com estereótipos de herois, uma das obras mais belas de Alan Moore com um caos tão bem organizado que nem sei mais o que estou dizendo. E falar desse clássico dos quadrinhos não é uma tarefa fácil, mas é como disse o tinho Ben: com grandes leituras, vem grandes resenhas.


     Ao longo da leitura nós somos apresentados aos homens-minuto, heróis que viveram nos anos 40, os encapuzados ou mascarados. Comediante, Coruja, Espectral, Justiça-Encapuzada... Esses e outros nomes acabaram por compor nossa lista de super-heróis. No entanto, na guerra do Vietnã os heróis caíram no esquecimento. Houve o surgimento do Dr. Manhattan, um homem que sofrera um acidente no laboratório - aquele clichê que todo mundo adora, inclusive eu! - e adquiriu poderes extraordinários (aliás, é o único com super-poderes em toda a trama). O Dr. Manhattan foi o responsável por criar a fama dos EUA em todo o mundo como a potência que deveria ser temida. Foi por isso que os encapuzados aposentaram. O Coruja virou mecânico, o Comediante se tornou uma espécie de "soldado americano" na guerra do Vietnã, alguns são mortos (ou não). Enfim, não morfavam mais. 


      Anos depois forma-se uma nova equipe, com Rorschach, um dos mais complexos, a filha da Espectral, que assume o alter-ego da mãe como herança. O novo Coruja, O Comediante. Bem, acontece que tudo isso dito até agora não nos é apresentado de forma cronológica, pois somos levados primeiro ao local do crime, onde o Comediante foi assassinado. Ou seja, esse "herói" (sinceramente, um dos que menos me agradou) tem sua vida apresentada ao leitor ao longo dos flashbacks dos outros personagens, e ninguém parecia apreciar o sujeito como um bom amigo.


     Após a morte do comediante, Rorschach (um herói degradante e genial) suspeita de uma conspiração para sabotar os mascarados, seja matando-os ou tirando-os do caminho (como fizeram com Dr. Manhattan). O engraçado é que ficamos o tempo inteiro a procura DAQUELE vilão. Há o Molloc, um sujeito que, sim, foi um vilão que deu muita dor de cabeça, mas todo o tempo não encontramos um arqui-inimigo. Sim, há uma ameaça, mas nem mesmo Rorschach com sua genialidade e incrível capacidade analítica, consegue chegar até a resposta antes de ser capturado pela polícia e agredido um bocado.


     Enquanto isso, a iminência de uma guerra nuclear se aproxima, e os murmúrios nas ruas é de "apocalipse", "fim do mundo", especialmente após o sumiço do Dr. Manhattan, dando abertura para uma possível Terceira Guerra Mundial.

"Não é Deus que mata as crianças, não é o acaso que as trucida, nem é o destino que as dá de comer aos cães. Somos nós. Só nós"
-Rorschach-

      Ao longo da leitura, nós acompanhamos o romance entre o Coruja e Espectral, as divagações de Dr. Manhattan e a grande revelação ao fim da história, com um desfecho surpreendentemente chocante quando se trata de Rorschach. Watchmen é o tipo de obra pra paladares seletos, é preciso realmente gostar para apreciar. Ou, como eu, você pode acabar gostando ao passar de cada página. Uma das melhores HQ's que já li, sem dúvida.


      A leitura é complexa, não é o tipo de obra que dá fundamento à falácia "história em quadrinho é pra criança". Pelo contrário, é preciso ser bem esclarecido e comprometimento com a leitura, além de manter a atenção ligada a todo instante pra não perder NADA. E não espere ter todas as respostas, pois muitas coisas ficam no ar ou simplesmente não são respondidas. Claro, havia planos para elucidarem muitas delas, mas vamos dizer que Alan Moore "mudou de ideia". Enfim, tretas mil a respeito de direitos autorais que não cabem aqui. Mas vale dizer que a leitura é incrível, compensa do início ao fim!


      E, claro, a edição final - volume único - está incrível! Capa dura, extras, processo de criação, de tudo um pouco, item indispensável para fãs e colecionadores. E não dá pra negar: a ilustração é sensacional. Bonito de dar gosto de ver!

É isso aí, pessoal, espero que tenham curtido!
Fiquem na Paz!


[Resenha] O Resgate, de Nicholas Sparks



      Todo mundo sabe que sou uma apaixonada convicta pelas histórias de Nicholas Sparks. Nem adiante dizer que é fórmula pronta, que é tudo a mesma coisa, porque eu vou ler mesmo assim - até porque pra mim os romances não são tão parecidos assim. Gosto tanto de Nicholas que implorei pro Pedro correr atrás de senha dele pra mim, na Bienal do ano passado, e ele conseguiu! o/ (ETERNAMENTE GRATA) Então, quando a Arqueiro lança alguma coisa dele, Pedro já nem precisa perguntar: ele simplesmente pede logo. E O Resgate foi o re-lançamento mais recente em terras tupiniquins.

      Esse é o quinto romance do autor (que já tem 17 ou 18 publicados), e te faz matar saudades do Nicholas Sparks da primeira geração - porque qualquer leitora de Nicholas percebe uma diferença na narrativa dos seus primeiros livros para os livros mais recentes. Não que eles sejam ruins, longe disso, mas a narrativa mudou, o estilo de história mudou um pouco também, e as fãs tem duas versões de Nicholas pra escolher quando querem um romance fofo, com uma certa dose de tragédia e com muito amor.

      Nesse livro conhecemos Denise, uma mãe solteira que abriu mão de tudo para poder cuidar de seu filho, Kyle. O menino, com 4 anos, apresenta uma dificuldade enorme em desenvolver a fala. A linguagem para ele é uma coisa difícil de entender, o que faz com que Denise precise treinar palavra por palavra, dia após dia, por pelo menos 4 horas. Os diagnósticos até ali não levaram a nada conclusivo, e Denise já tinha lido todo tipo de literatura que falasse sobre qualquer problema que englobasse pelo menos um dos sintomas de Kyle. E agora ela se dedica a ajudar seu filho a desvendar os mistérios da língua falada.

      Denise se muda para Endenton (sim, uma cidade da Carolina do Norte ♥ ), porque herdou uma casa de sua mãe na cidade e, com sua dedicação à seu filho, ela acaba não tendo tanto tempo - e dinheiro - pra pagar aluguel. E é nessa cidade nova que, em um dia normal de ida ao mercado, ela se pega lembrando de sua trajetória até ali: o caso sem compromisso que acabou resultando em Kyle. O cara com quem compartilhou a cama e depois não compartilhou mais nada. A morte de sua mãe. O fato de que seu filho, tão lindo e tão amado, não fosse perfeito. E, enquanto pensava em todas essas reviravoltas da vida, ela sofre um acidente de carro. E, quando acorda, se depara com Taylor, um bombeiro voluntário.

      A chuva estava muito forte, a noite já havia escurecido tudo ao seu redor e ela estava atordoada por causa do acidente. E, quando descobre que Kyle não está no carro com ela, ela fica desesperada. E aí Taylor começa as buscas incessantes por Kyle, o meio da noite, no meio de uma chuva absurda, na tentativa de encontrar o menino são e salvo. Carpinteiro de dia, voluntário do corpo de bombeiros quando é requisitado, Taylor tenta fugir dos fantasmas que assombram seu passado se voluntariando para todas as missões de resgate que o corpo de bombeiros precisar. Ele e seu melhor amigo, Mitch, fazem isso há alguns anos. Mitch, casado e com quatro filhos, já não acha que vale mais a pena se arriscar tanto - ele tem uma família para manter e para ver crescer. Taylor nem cogita deixar de ser voluntário, mesmo que muitas vezes ele tenha ficado bem perto da morte. E, agora, nessa madrugada de tempestade, ele inicia uma busca incessante por Kyle. E, depois dessa noite horrorosa, a vida de Denise e a de Taylor se encontram e eles vão ter que aprender a superar diversos fantasmas, juntos.

      Esse livro tem elementos inspirados na vida de Nicholas, como todos os seus primeiros romances. Nesse caso, a dificuldade de Kyle é a mesma que a do filho do autor, Ryan. Além disso, os personagens são super bem construídos, com personalidades fortes, fraquezas e um bom caráter. Denise e Taylor tem uma longa estrada pela frente: ela precisa aprender a dividir seus dias entre o filho e o novo amor, ele precisa superar os traumas que vem guiando suas ações e relacionamentos desde cedo. Os dois precisam aprender a compartilhar. Não é fácil, para nenhum dos dois, mas eles precisam deixar o passado para trás para dar uma chance para o presente. É um livro que nos faz perceber que os fantasmas do passado são só fantasmas, que não deviam ter nenhuma opinião no que fazemos agora. E que segundas chances são importantes. E, além de tudo, que se deixar ser resgatado não é sinal de fraqueza.



[Resenha] Enquanto a Chuva Caía, de Christine M.



      Eu tô contente. De verdade. Esse ano foi uma verdadeira maratona de livros nacionais, e é incrível constatar um fato: nossa literatura está a todo vapor, sem perder em nada para os escritores 'lá de fora'. Christine M. provou isso de um jeito que eu chamo de: show de bola!

      Erik era o típico consultor dos federais que não estava na lista de pagamento. E por dizer "consultor", eu me refiro ao tipo de sujeito que dá cabo dos meliantes que, por questão de ética, as autoridades brasileiras não podem... Dar um sumiço. Sem firulas, Erik era um assassino secreto dos federais que agia quando algo estava além do que é certo.
      Enquanto isso, em Nova Iorque, a jovem Marina, advogada, chefe e herdeira da grande empresa de advocacia Holmes&Lewis, tenta lidar com o escândalo do pai que, agora, sofre de Alzheimer, além de tentar sobreviver aos eu infindável luto pelo ex-marido, Adam, que morreu em campo quando se alistou para o exército.
      Em um determinado ponto, a vida de Erik e Marina acabam se cruzando em Nova Iorque, quando o "consultor" acaba indo para NY numa espécie de férias, exercendo sua formação - Direito - justamente na empresa Holmes&Lewis. A vida dos dois acabam se cruzando num dia de chuva, com direito a uma estrada encharcada, um pneu furado e uma nota de cem dólares.
      Mas sempre surgem problemas quando ambas as partes entram em um relacionamento com muitos segredos em suas bagagens, e no caso de Erik e Marina não foi diferente. Com direito a mortes suspeitas, um grande escândalo e mistérios que poderiam colocar em cheque o romance e, quem sabe, suas próprias vidas, Enquanto a Chuva Caía é uma história que poderia ser uma verdadeira tempestade na vida amorosa de duas pessoas com segredos demais.
   
      "Sabe quando uma ideia aparece e você se pergunta por que não pensou nela antes? Eu tenho uma teoria sobre isso: a ideia já estava lá. Você só não havia prestado atenção."
capítulo 28, página 219

      Enquanto a Chuva Caía é escrito em primeira pessoa, alternando entre o ponto de vista de Erik e de Marina. Normalmente eu não curto esse tipo de leitura, não gosto de muitas "vozes" na narrativa, mas a maneira como Christine elaborou essa alternação ficou bem agradável, sem colocar o nome do narrador como título, apenas o texto corrido que, com a leitura, já podemos diferenciar a ótica de Erik da ótica de Marina. Essa estrutura parece mais natural, fluida, e dispensa apresentações, pois as personalidades dos protagonistas são muito bem talhadas.
      A leitura é fluida, de fácil compreensão e, o melhor, a imersão na história é muito rápida! Embora a trama não seja tão complexa, ela tem muita originalidade, pois se sustenta sem arremeter a qualquer outra obra. Christine M. fez um ótimo trabalho dando vida a esse romance, pois criou um livro para quem ainda não tem paixão pela leitura - já que Enquanto a Chuva Caía deixa uma ótima primeira impressão, além de uma trama gostosa para se livrar daquela ressaca literária que parecia não ter fim. E se você não se enquadra em nenhum dos casos, ainda tem a terceira opção: se você é o tipo de leitor que curte um bom romance sem pretensão de querer impressionar, ainda que o resultado seja justamente esse!

      Nota do resenhista: está chovendo hoje! De verdade! Quer um presságio melhor do que esse? Boa leitura pessoal! 


[Resenha] A Escolha do Coração, de Amanda Brooke


Em A Escolha do Coração, conhecemos Holly, uma artista plástica casada e feliz, em um dos melhores momentos de sua vida. Envolvida com sua casa nova e com sua rotina diária com Tom, ela não consegue imaginar uma vida melhor. Ela ama planejar, criar listas e traçar metas, e um desses seus planos é ter um filho - mesmo que a sua relação com sua mãe não fosse nada feliz. Ela passou toda a sua vida sentindo que sua mãe preferiria que ela não tivesse nascido, e só quando conheceu Tom que ela encontrou o amor e descobriu como uma família unida funciona. E agora ela queria ter a sua própria família.





E, na sua nova casa, enquanto ainda estava organizando a mudança e as reformas na casa, um relógio lunar aparece no jardim. E, o que parecia ser só um enfeite acaba mostrando o poder de ver o futuro. E, em uma noite de lua cheia, Holly vê sua vida em algum tempo: Tom está com sua filha nos braços. E, tentando falar com o marido, ela percebe que não consegue. E que ele está sofrendo a sua morte. Para terem Libby, sua filha, Holly acabou morrendo no parto. Só que Holly não usa o relógio só uma vez. E, a cada vez que ela vê o futuro, o seu amor por Libby cresce mais. E ela tinha que escolher entre ficar viva e nunca ter Libby, ou deixar Libby viver e nunca ter a mãe. 




Holly acaba tendo que se ver diante de escolhas muito difíceis, e ver sua luta para decidir o seu futuro e o de sua filha faz com que o leitor consiga entender seus questionamentos e suas decisões. Imagine se você tiver que escolher entre a sua vida e a de alguém que você ama? E saber que, para que seu sonho se realize, você precisa ficar de fora dele... Não é bem uma escolha das mais fáceis. 


Mas a autora soube lidar com o tema que propôs e, com muita sensibilidade, nos fez ver o amor de mãe para filha e nos permitiu isso com uma leitura prazerosa e cheia de emoção. Com personagens incríveis, de personalidades fortes, e recheada de amor, A Escolha do Coração é uma história linda que não me deixa falar quase nada, com medo de contar spoilers e estragar a surpresa. Mas posso dizer que é um livro incrível!

[Inspire-se] Construindo campeões




      A gente vive tantas e coisas e, quando vemos um vídeo como esse, percebemos que não vimos nada! Imagina essa professora te dando aulas? Matemática seria mamão com açúcar! Não dá pra dizer muita coisa, esse vídeo vai dizer por ele mesmo. Ou melhor, por ela, a professora que fabrica campeões.


     Pensar que tudo poderia ser uma questão de conexão, torna as coisas mais claras. Dá pra ser um campeão sim, é preciso apenas ouvirmos o discurso certo!
     E lembre-se: +2 sempre é melhor que -18.

[Resenha] Minha Vez de Brilhar, de Erin E. Moulton



      Indie Lee Chicory é uma criança que faz cara de peixe, fala com as constelações, é amiga de uma lagosta dourada e está tentando ser uma Indie melhor, aquela que vai dar orgulho à irmã, aos pais, e vai tentar não ser tão estranha. Por favor, alguém diga pra essa menina que ela já é incrível!

      Indie mora em uma cidade praiana, Plumtown, com sua família bastante normal, uma mãe dedicada, um pai pescador e uma irmã, a Bibi, com muitos talentos e um grande desejo de ascensão social. E não dá pra esquecer Monty Cola, a lagosta dourada rara pescada pelo pai há alguns anos, e que se tornou a melhor amiga e confidente da pequena Indie.
      Indie, mesmo criança, conseguia se lembrar de momentos em que era ainda menor, quando ela brincava com sua irmã mais velha, Bibi, de fazer caretas de peixe, pedir desejos às estrelas e serem grandes amigas. Mas, com o tempo, Indie se sentiu pra trás, enquanto sua irmã brincava com outras garotas, participava do teatro da cidade, sempre brigando quando a caçula fazia cara de peixe. Parafraseando Bibi, ela dizia algo como "pare de ser estranha, Indie". Dá pra ver que aquela amizade se perdera em algum momento enquanto elas cresciam.
      Por esse motivo, e por alguns outros, Indie acreditava não ser uma boa pessoa - o que é um absurdo! - mas tudo o que ela queria era ser normal, não ser a estranha, não fazer a irmã passar vergonha. Até o dia em que Monty, a lagosta, acidentalmente é levada para a escol de Indie dentro de sua mochila, e depois que a confusão se instalou, Monty fugiu e desapareceu no mar.
     E, no processo de ser uma Indie melhor, ela entrou para o teatro assim como a irmã. Bem, não exatamente, já que a  nossa protagonista ficaria apenas nos bastidores, ao lado de seu novo e nerd amigo Owen e sua chefe e punk Sloth. O que a garota não esperava era ver sua nova amizade e seus princípios de criança em provação, tudo para ser aceita pela pessoa que mais admira: sua irmã mais velha.

      Escrito em terceira pessoa, Minha Vez de Brilhar é uma história de crescimento e de auto-confirmação. No começo conhecemos uma pequena Indie que parece não se importar em fazer caretas de peixe ou conversar com sua lagosta. Mas, ao longo da leitura, ela passa a mudar sua maneira de ser, tudo porque acredita não ser boa o suficiente para a família Chicory, acreditando não ser uma boa irmã para Bibi, e acredita piamente ser culpada pela própria irmã se envergonhar dela.
      O grande crescimento, no entanto, acontece com Owen, o garoto nerd e 'estranho' que passa a ser um tipo de amigo em segredo, uma vez que as amigas de Bibi iriam criticá-la se soubesse que "sua irmã está andando com aquele esquisito". A história nos mostra o amor e admiração de Indie por Bibi, e como a protagonista vai sentindo esse amor, até o ápice, em que... Bem, vocês precisam realmente ler pra saber o que acontece.
      A leitura é de fácil entendimento, divertida e dá pra devorar o livro em um dia só. Por fazer parte do selo #Irado da Novo Conceito, trata-se de uma história infanto-juvenil, e apesar disso é um ensinamento para qualquer idade. Mesmo porque, em alguns momentos, até mesmo uma criança sem muita experiência como a Indie pode nos ensinar a ser pessoas melhores.

      Boa leitura e fiquem na Paz, amigos Inspirados!

[Resenha] A Máquina de Contar Histórias, de Maurício Gomyde


      Eu já havia lido 2 livros do Gomyde até hoje, e a cada leitura era uma experiência diferente. Quando li A Máquina de Contar Histórias, seu primeiro romance publicado pela Novo Conceito, eu me toquei: por que tenho tão poucos livros nacionais na minha estante?

      Vinicius Becker, o nosso protagonista, despendeu todos os seus esforços para realizar o seu sonho: ser um grande escritor. Sua dedicação ao trabalho, seus horários e técnicas respeitados religiosamente, sua reclusão do mundo para criar seus romances, sua total submissão ao próprio sonho, tudo isso levou-o a se tornar um famoso escritor brasileiro best-seller em todo o mundo. Mas havia algo que ele não havia considerado nessa equação de sucesso: sua família.
      Ele estava em um evento importante para a sua carreira quando recebeu a notícia de que sua esposa Viviana, com leucemia há alguns anos, veio a falecer. Ele estava longe do leito, longe de suas duas filhas, Valentina e Vida. Elas sentiram a perda e o abandono tudo em um único dia, e isso custaria o amor entre pai e filha.
      Quando ele percebe que a família V está em ruínas - tudo por causa de sua ambição sem medidas - ele decide fazer algo para reaproximá-lo de suas filhas e, quem sabe, receber o perdão que sua esposa nunca pode dar devido a tantos anos de ausência.
      Vinícius Becker abre mão de eventos e contratos - deixados para que seu amigo e empresário Salvatore os resolva - e planeja uma viagem especial para ele e suas filhas, um gesto desesperado para ter de volta o amor de Vida, a caçula, e Valentina, a filha mais velha com o coração endurecido pelos anos de abandono e que não daria o braço a torcer antes que o pai provasse merecer seu amor.

      A Máquina de Contar Histórias é muito mais do que um livro de reconciliação. Escrito em terceira pessoa, nós acompanhamos a jornada desse escritor de sucesso que, sem perceber, deixou seus sonhos consumirem seu tempo e afastarem os amores de sua vida. Mais do que isso, ele usou seu talento como escapismo, tentando fugir da triste realidade onde sua esposa definha até a morte e suas filhas só podem assistir à perda da mãe.
      A progressão do relacionamento entre pai é filha é muito bem construída, desde as discussões até o instante em que Valentina começa a baixar os muros de seu coração e Vinícius começa a ver como seu comportamento foi corrosivo para sua família. Aliás, todos os personagens são muito bem entalhados, o que os torna mais possíveis.
      A obra, escrita com maestria por Maurício Gomyde, tem uma magia escondida em suas páginas: aquela de nos fazer sentir o mesmo que os personagens, de nos fazer querer abraçá-los e dizer que tudo vai ficar bem. Talvez isso seja porque o autor emprestou um pouco de si para o personagem, e tornou-o alguém verdadeiro, capaz de nos provocar esse tipo de sensação, quase como se o conhecêssemos.
      Ler A Máquina de Contar Histórias só confirma o que costumo dizer por aqui: a literatura verde-e-amarela não perde em nada para a do Tio Sam, ou a de qualquer outra nacionalidade. Gomyde fez o belo trabalho de encantar os leitores com uma singela história de reconhecimento das próprias limitações e de sua dependência para com as outras pessoas, tudo isso com apenas 192 páginas. Um livro rápido de ler, pequenino, mas surpreendentemente profundo em conteúdo. 
      Se vale a pena ler? Acho que a pergunta certa é: por que você ainda não tá lendo?!
     
      E como o Maurício é um amante assumido de música, por que não deixar aqui uma pequena trilha sonora? Let Her Go, de Passenger, é uma boa pedida!


     Tenham uma ótima leitura, pessoal! Fiquem na Paz!


[Resenhas] Deb Caletti, meu amor, meu bem, meu querido



     “Meu amor, meu bem, meu querido” conta a história de Ruby, uma adolescente que se apaixona pelo bad boy do bairro. Mas não, esse não é somente um besteirol adolescente, e o romance não é o foco da história. Ruby vive com a mãe e o irmão mais novo, uma vez que seu pai basicamente abandonou a família para seguir seu sonho de ser um músico famoso. Ela não entende porque sua mãe continua com seu pai, já que ele nunca está em casa e raramente os visita.

     Bem, um dia Ruby está voltando da escola e inesperadamente conhece Travis, com quem vai acabar criando um certo tipo de relacionamento. Ele a desafia e faz aflorar nela tudo o que ela nunca foi. O problema é: Travis não é o melhor exemplo de pessoa, e faz coisas que Ruby não acha que sejam certas. Ruby tenta se afastar de Travis, e sua mãe, que nunca aprovou o garoto, tenta distrair a filha, e a leva para um clube de leitura do qual participa. Na minha opinião, é a partir daqui que o livro fica realmente bom.
    O clube de leitura é basicamente formado por idosos, e todos eles tem personalidades bem fortes. As Rainhas Caçarolas, nome que deram ao grupo (mesmo tendo um senhor no meio), ajudam Ruby a ver a vida por um outro lado. Ruby tem a chance de conhecer outras histórias, e percebe que o mundo não acabou só porque a vida dela parecia um pouco fora dos trilhos.
   Como o livro é narrado em primeira pessoa por Ruby, você acaba conseguindo ver a mecânica dos pensamentos da menina. Mas a história não se atem somente em Ruby. Você conhece os outros personagens, e eles são importantes durante toda a história. Também é muito bom ver como a relação de Ruby com a mãe vai mudando aos poucos, e como elas começam a se entenderem melhor, e a escutarem uma à outra.
     Não espere uma trama dramática ou arrebatadora: meu amor, meu bem, meu querido não tem pretensões de ser esse tipo de livro. Parece mais que a autora estava tentando mostrar que a vida acontece de muitas maneiras diferentes, para pessoas diferentes, e que a perspectiva que você decide adotar ao ver o caminho a sua frente é o que interessa. Se eu tivesse lido as resenhas que vi por aí, sobre esse livro, provavelmente nunca o teria lido. E isso seria realmente uma pena, porque passei por bons momentos vendo o que acontecia com as personagens. O livro meu deu bons momentos, com uma leitura leve e despreocupada.


[Resenha] A Rosa da Meia-Noite, de Lucinda Riley



     Lucinda Riley sabe como contar uma história. Em um ano, li quatro livros da autora - e tive o prazer de conhece-la. Os quatro livros foram, para mim, pequenos tesouros que eu esperava ansiosamente ter nas minhas mãos. Porque, depois de quatro livros sensacionais, Lucinda Riley estampado na capa agora significa a garantia de uma história bem contada, uma companhia para alguns dias felizes.


     Para quem não sabe, as historias de Lucinda são sempre ambientadas no presente e no passado. Normalmente, cada uma dessas histórias se passa em um lugar diferente - que depois terá alguma ligação com o outro lugar. Dessa vez, os dois cenários escolhidos foram o interior da Inglaterra e a Índia. Mas nesse livro, mais que nos anteriores, os dois cenários foram vistos tanto no passado quanto no futuro. Ainda assim, a maior parte do "presente" se passa na Inglaterra, enquanto o passado fica equilibrado em momentos indianos e momentos ingleses. Tudo isso para contar uma história de amor que passa por gerações até que possa, finalmente, terminar de ser contada.


     O livro inicia com um prólogo de Anahita, quando essa estava completando mais um aniversário - o centésimo. Nesse dia, ela confia a um de seus netos - Ari - a história de sua vida - e de seu filho perdido tantos anos atrás. Ela pede para que o neto um dia tente descobrir o paradeiro dessa criança que, anos atrás, foi dada como morta, mas que ela sabia que permanecia viva. Sem considerar muito o que sua avó disse, Ari deixa as centenas de páginas escritas por sua avó em uma gaveta da sua escrivaninha por quase dez anos antes de pesquisar o paradeiro dessa criança - e mergulhar na história de seus antepassados.


     Para pesquisar, Ari vai para a fonte principal de informações: a propriedade dos Astbury, no interior da Inglaterra. Quando lá ele chega, descobre que o lugar é, temporariamente, o cenário de um filme que está sendo gravado na propriedade. E descobre também que extrair informações dos empregados - ou do Lorde Astbury, vai ser mais difícil do que imaginava. Mas, ao mesmo tempo, ele conhece Rebecca, uma atriz norte-americana que estava no auge de sua carreira - não que ele soubesse disso, nunca fora ligado à televisão - e que está passando por alguns momentos ruins em sua vida pessoal. Mas ela parece ter um acesso um pouco maior ao dono da casa, além de ser ótima companhia. Assim, ele permite que ela leia as anotações de sua avó e, juntos, eles tentam descobrir o que acontecera  naquela propriedade quase um século antes.


     O livro é narrado, na parte do passado, por Anahita, que conta a sua trajetória desde pequena, quando ainda vivia na Índia com seus pais, até quando ela foi para Inglaterra, e todos os momentos entre sua infância e o dia em que sua vida parecia perder o sentido - quando perdeu seu filho e seu grande amor. Assim, temos um gostinho da vida nos palácios da Índia, dos costumes da Índia do século passado e também dos costumes da Inglaterra de tanto tempo atrás.


     É inevitável se pegar viciado no livro. Lucinda faz um trabalho de pesquisa incrível para cada livro, o que faz com que o leitor realmente se sinta parte da história, e consiga imaginar como as coisas parecem, como o lugar aparenta, como os personagens realmente se sentem. Viajar pela Índia e pela Inglaterra nas páginas de Lucinda nos faz querer poder voltar no tempo e estar com os personagens enquanto eles vivem tudo aquilo. É uma história linda, sobre amor sem preconceitos, sobre o julgo de uma sociedade marcada pelo estigma social, sobre acreditar em mais do que se pode ver e sobre a fé. Uma história que permanece na memória do leitor até muito depois da última página do livro.

[Resenha] Diga aos Lobos que Estou em Casa, de Carol Rifka Brunt

    Eu fiquei um bom tempo com esse livro em suspensão - depois de tê-lo lido - e pensando em um jeito de fazer uma resenha que pudesse expressar o que ele significou como uma das leituras mais melancólicas que tive até hoje. Acho que é isso, melancólico é uma boa maneira de começar a descrevê-lo. 

Título: Diga aos Lobos Que Estou Em Casa
Autora: Carol Rifka Brunt
Editora: Novo Conceito
464 páginas - 2014



     1987. June Elbus, era uma garota de quinze anos que encontrou o amor em um lugar muito improvável. Incompreendida pelos pais e pela irmã mais velha Greta, ela nutria pelo tio e renomado pintor FinnWeiss, um afeto preocupante, o que inclusive era alvo das implicâncias da irmã mais velha, que nunca pareceu facilitar para a irmã caçula.
      A amizade entre June e o tio Finn sempre foi algo que incomodou a mãe da jovem (e irmã do artista). Mas Finn não tinha muito tempo de vida, era um jovem artista com AIDS em tempos em que essa doença era um grande tabu. Seu relacionamento com outro homem sempre o afastou da família, mas isso não impedia June de nutrir secretamente seu amor pelo irmão de sua mãe.

"Naquele pedacinho de segundo, ele viu que eu estava com medo, inclinou minha cabeça e me beijo na parte de cima do cabelo com um toque tão leve que poderia ter sido uma borboleta pousando."
página 15

      Após a morte do tio Finn, as irmãs herdaram o quadro do tio, pintado por ele mesmo em homenagem a June e Greta, cujos rostos permaneceriam jovens e sorridentes para sempre em uma moldura. Mas isso não deixou a irmã mais velha muito feliz. E mesmo quando Finn morreu, o relacionamento delas não ficou melhor.
      Como se não estivesse difícil o suficiente, June acaba recebendo uma carta de Toby, o namorado de seu tio, e ela se sente dividida entre ciúme, ódio e o desejo desesperado em conhecer partes da vida de Finn que ela nunca pôde explorar. O encontro entre os dois pode mudar muita coisa, inclusive na família Elbus. Mudanças que não prometem um final feliz.

      Quando comecei a ler Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa, já tinha me dado conta de estar diante daqueles livros com histórias tristes e com finais amargos. Mas esse livro fez o favor de superar minhas expectativas. A atmosfera melancólica é presente todo o tempo, e me faz pensar naqueles filmes indies bem hipsters que, vejam só, se passam na década de 80.

"Eu quero imaginar o tempo com fendas, bosques cheios de lobos e pântanos frios à meia-noite. Sonho com pessoas que não precisam fazer sexo para saber que se amam. Sonho com pessoas que só nos beijariam no rosto."
Página 81

      Escrito em primeira pessoa, Brunt cria um enredo muito profundo - tão profundo que, às vezes, parece que estamos a quilômetros de distância da realidade! - e todo o tempo acompanhamos o desenrolar dessa história sob o ponto de vista de June Elbus. Com singeleza somos levados a conhecer essa garota tão ingênua e, ao mesmo tempo, muito consciente de sua imaturidade, destrinchamos os medos de June, e até mesmo os de Greta.



      Aliás, vou me permitir ser do contra e dizer que, de todos os relacionamentos explorados nessa história, o das irmãs foi o mais bem construído. Ao longo das 464 páginas, o leitor consegue desvendar o motivo de tanta hostilidade entre Greta e June. A princípio tudo parece muito normal, coisa de irmãos. Mas, aos poucos, conseguimos perceber nuances de sentimentos escondidos, ressentimento de eventos passados, e a progressão da leitura nos leva a amar essas duas irmãs, nos leva ao ponto de desejar ardentemente que elas se entendam, que sejam amigas como tio Finn e a mãe delas um dia foram.... Antes de tudo acontecer.

"... São as pessoas mais infelizes que querem ficar vivas, porque acahm que não fizeram tudo o que querem fazer. Acham que não tiveram tempo o suficiente. Acham que ganharam menos do que mereciam."
Página 265
     Com cuidado e sentimento, Carol Rifka Brunt conseguiu construir uma obra de partir o coração, só pra depois tentar colá-lo de novo.A maneira como a autora conduziu a história, fazendo-a girar em torno do quadro pintado pelo falecido tio, foi digna de respeito.

      Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz!

Promoção com Maurício Gomyde!

Alô, amigos Inspirados!



      Vocês conhecem o autor Mauricio Gomyde, certo? Então devem saber do lançamento com selo da Novo Conceito, A Máquina de Contar Histórias. Pera. Conhece não? Então confere o booktrailer rapidão, só pra você saber o que 'tava perdendo até agora!



      Se vocês curtiram, então a hora é essa! O autor vai sortear 1 Kindle e 1 box com seus 4 livros publicados entre todos os participantes. Claro que não dá pra ficar dando bobeira nessa hora, então corre e participa! Só conferir aqui como é que funciona:

      Temos regrinhas básicas, mas muito simples para seguir. Então bora lá!

1) Preencher o formulário:


2)Deixe um comentário aqui: "Eu quero conhecer A Máquina de Contar Histórias"! 


3)Seguir ou o twitter (@mauriciogomyde) ou o Instagram (@mauriciogomyde). Não precisa ser os dois, mas já que é pra seguir, por que não? xD

      Pronto! Viu só, tranquilão! Agora é só torcer muito, mais que Brasil x Argentina, e correr pro abraço! Boa sorte, leitores! 

[Resenha] Mago - Espinho de Prata, Livo 3, de Raymond E. Feist


     Vamos combinar que, entre tantos mundos para visitarmos, Midkemia, criado por Raymond E. Feist, é um dos mais incríveis onde visitei. E, sim, depois de ler os dois primeiros volumes da saga Magos, o terceiro só confirma o óbvio: Feist criou uma das melhores sagas que já li na vida, e não é a toa que está na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos!

Para conferir a resenha do livro 1 - Aprendiz, clique AQUI
Para conferir a resenha do livro 2 - Mestre, clique AQUI
Para conferir a resenha do livro 3, continue lendo que tá bom demais!

      Na continuação dessa aventura, nossos heróis estão mais velhos, o portal para os outros mundos está fechado e casamentos estão a caminho. Os irmãos Martin, Arutha e Liam (este o rei) estão cada vez mais unidos, e a jovem Anita, princesa de Krondor, é prometida ao príncipe Arutha, personagem que se torna foco da nossa história ao longo da narrativa. 
      Nessa história também nos reencontramos com o jovem Jimmy, A Mão, um dos mais promissores larápios dos Zombadores, a guilda dos ladrões em Krondor. Se você leu o segundo volume da série, então viu o pequeno bandido ajudando nossos protagonistas a protegerem Anita das mãos de um dos nobres que estavam prestes a dar o golpe na coroa do reino. Aqui, no entanto, ele se torna um escudeiro do príncipe e se mostra um personagem de grande valor. 
Raymond E. Feist
      Mas a gente sabe que uma boa saga épica que se preza não termina em "feliz para sempre" assim tão fácil. Aqui nós nos deparamos com um mal, algo tão terrível que o próprio Pug, dominador da Arte Superior da Magia, não consegue lidar completamente. Lembram-se de Pug, o escudeiro que trabalhava na cozinha de Crydee, foi raptado pelos tsurani e desenvolveu sua vocação como mago? Pois é, demora um pouco, mas ele acaba aparecendo. Mas aqui há muito mais em jogo do que a magia tradicional que se conhece. Forças envolvendo necromancia e a Sacerdotisa da morte estão envolvidas, e eles descobrem que esse novo mal, um inimigo que não conhecem completamente, traz consigo uma força tenebrosa, algo que os sacerdotes não haviam lidado até então. 
      E, quebrando completamente a progressão dessa resenha, não dá pra deixar de lado o romance entre Laurie e uma princesa que ganha nossa simpatia desde o começo. Mas, claro, não dá pra revelar mais do que isso, afinal, Midkemia é um mundo maravilhoso que precisa ser desbravado pelo leitor aos poucos. 
      Com uma narrativa poética e muito bem trabalhada, Raymond E. Feist conseguiu elevar o nível nessa terceira obra, nos mostrando a maneira como nossos heróis amadureceram, trazendo até nós novos elementos fantásticos do mundo Midkemia e nos fazendo imergir sem hesitar em novas experiências como leitor. Preciso dizer que, em alguns pontos, a narrativa pode ser cansativa e chega a ser quase infantil em alguns momentos, mas isso não significa que Mago seja uma saga menos do que sensacional, porque apesar desses aspectos negativos, não há como negar: essa é uma das melhores aventuras que um leitor pode querer!

      Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz! =)

[Resenha] Belleville, de Felipe Colbert



“Ilustre desconhecido,


Hoje é o seu dia de sorte. Você acaba de ser premiado com um passeio de montanha-russa!”
Capítulo 1, página 5

     A primeira vez em que li Felipe Colbert foi quando conheci o jonalista Daniel no livro Ponto Cego, um thriller que me fez colocar o autor na lista de favoritos. Até aí tudo bem. O "problema" foi quando comecei a ler Belleville. Eu não sabia o que era ser versátil até então. Sim, amigos, temos um James Patterson brasileiro, capaz de escrever um livro de suspense, ou um romance tocante que, nesse caso em específico, é capaz de viajar através dos anos para resgatar um amor que parecia impossível!

      Belleville conta a história de dois jovens vivendo em tempos diferentes. Temos Lucius, o calouro do curso de Matemática na faculdade de Campos do Jordão, que vive em 2014 em meio a sua desorganização e introspecção, além de um pai com o coração frágil e igualmente bondoso. Enquanto isso, cinquenta anos antes, temos a jovem Anabelle, órfã que passa seus dias enclausurada em sua casa, vivendo apenas com a companhia de Tião, seu gato preto.


      As coisas estavam difíceis para ambos, cada um em seu tempo (literalmente). Em 1964 Anabelle não tinha dinheiro para se manter, mas sua teimosia era o combustível necessário para manter de pé a sua casa, herança deixada pelo seu pai, fotógrafo conhecido enquanto na região enquanto vivo. Já no futuro - ou melhor, no nosso presente - Lucius vivia sob a sombra do medo de que, a qualquer momento, seu pai poderia sofrer um infarto, mas ele não deveria se preocupar, afinal, estava em Campos do Jordão para estudar, ainda que seu pai não estivesse com ele pelos próximos anos de faculdade. Detalhe importante: Lucius alugara uma casa antiga. Coincidência ou destino, era a casa onde Anabelle viveu sua vida inteira.
      E é nesse momento que os romances, mesmo aqueles que superam o espaço-tempo, nascem. Um dia, enquanto Lucius descobria o esqueleto de um projeto de montanha-russa no jardim da propriedade, encontrou a terra revolvida e, ao desenterrar uma caixinha com um bilhete dentro, descobriu a antiga moradora daquela casa. Além da foto, encontrada entre os livros empoeirados da antiga residência, Lucius descobriu em Anabelle uma menina que lutou para que o sonho do pai pudesse se tornar realidade: o de ver Belleville, a montanha-russa, um dia finalizada. Mas, infelizmente, isso nunca aconteceu.
      Quando, enfim, Lucius conhece um pouco mais da história de Anabelle, ele se compadece de seu sonhos frustrado, e decide enterrar a caixinha com uma carta escrita por ele mesmo, convencendo o próximo morador a concluir o projeto Belleville. E assim como a caixinha, enterrou aquele assunto.
      O que ele não esperava era que, um dia, movido por curiosidade, desenterrasse a caixinha e descobrisse que sua carta fora respondida! A partir daí, Lucius descobriria uma maneira de falar com a jovem Anabelle, que mesmo tão distante no tempo, conseguiu roubar o coração do rapaz. Mas se engana quem pensa que essa correspondência duraria para sempre. Um tio há muito desaparecido, quando bate na porta de Anabelle, coloca tudo em risco: as cartas, o amigo do futuro... Belleville! E cabe ao jovem Lucius garantir que o sonho do pai de Anabelle - e o dela! - seja concretizado.


      Escrito em terceira pessoa, o livro nos faz viajar em dois tempos diferentes: 2014 e 1864. A temporalidade foi muito bem feita, expondo as diferenças do tempo, e tomando o cuidado de não deixar nenhuma ponta solta. Não apenas isso, em alguns momentos as cartas que Anabelle e Lucius escrevem um para o outro nos são apresentadas e, assim, podemos ver um pouco mais da personalidade de cada um, além de suas respectivas vidas, cada uma em seu tempo.
      Uma das coisas que me incomodou - só um pouco, na verdade - foi a elaboração de diálogos. Por ser um livro ambientado no Brasil, eu esperava um "dedo de prosa" mais abrasileirado. Apesar disso, não impede em nada a imersão da história, mesmo porque as personagens têm personalidades muito bem construídas, e é muito fácil sentir simpatia pela causa de Lucius, e quase impossível não amar Anabelle! O problema mesmo é que, em alguns momentos, fica fácil esquecer que estamos em terras tupiniquins.
      E não se engane se pensou que a história é apenas mais um romance. Há muito mais em jogo. Além de, por vezes, o livro retratar a violência contra a mulher, podemos também encontrar questões como bullying, relacionamento familiar, amizades improváveis... Tudo isso permeia essa incrível história com um dedo verde e amarelo. Felipe Colbert não poderia ter sido mais feliz ao escrever Belleville!
 

      
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos