[Resenha] A Rosa da Meia-Noite, de Lucinda Riley



     Lucinda Riley sabe como contar uma história. Em um ano, li quatro livros da autora - e tive o prazer de conhece-la. Os quatro livros foram, para mim, pequenos tesouros que eu esperava ansiosamente ter nas minhas mãos. Porque, depois de quatro livros sensacionais, Lucinda Riley estampado na capa agora significa a garantia de uma história bem contada, uma companhia para alguns dias felizes.


     Para quem não sabe, as historias de Lucinda são sempre ambientadas no presente e no passado. Normalmente, cada uma dessas histórias se passa em um lugar diferente - que depois terá alguma ligação com o outro lugar. Dessa vez, os dois cenários escolhidos foram o interior da Inglaterra e a Índia. Mas nesse livro, mais que nos anteriores, os dois cenários foram vistos tanto no passado quanto no futuro. Ainda assim, a maior parte do "presente" se passa na Inglaterra, enquanto o passado fica equilibrado em momentos indianos e momentos ingleses. Tudo isso para contar uma história de amor que passa por gerações até que possa, finalmente, terminar de ser contada.


     O livro inicia com um prólogo de Anahita, quando essa estava completando mais um aniversário - o centésimo. Nesse dia, ela confia a um de seus netos - Ari - a história de sua vida - e de seu filho perdido tantos anos atrás. Ela pede para que o neto um dia tente descobrir o paradeiro dessa criança que, anos atrás, foi dada como morta, mas que ela sabia que permanecia viva. Sem considerar muito o que sua avó disse, Ari deixa as centenas de páginas escritas por sua avó em uma gaveta da sua escrivaninha por quase dez anos antes de pesquisar o paradeiro dessa criança - e mergulhar na história de seus antepassados.


     Para pesquisar, Ari vai para a fonte principal de informações: a propriedade dos Astbury, no interior da Inglaterra. Quando lá ele chega, descobre que o lugar é, temporariamente, o cenário de um filme que está sendo gravado na propriedade. E descobre também que extrair informações dos empregados - ou do Lorde Astbury, vai ser mais difícil do que imaginava. Mas, ao mesmo tempo, ele conhece Rebecca, uma atriz norte-americana que estava no auge de sua carreira - não que ele soubesse disso, nunca fora ligado à televisão - e que está passando por alguns momentos ruins em sua vida pessoal. Mas ela parece ter um acesso um pouco maior ao dono da casa, além de ser ótima companhia. Assim, ele permite que ela leia as anotações de sua avó e, juntos, eles tentam descobrir o que acontecera  naquela propriedade quase um século antes.


     O livro é narrado, na parte do passado, por Anahita, que conta a sua trajetória desde pequena, quando ainda vivia na Índia com seus pais, até quando ela foi para Inglaterra, e todos os momentos entre sua infância e o dia em que sua vida parecia perder o sentido - quando perdeu seu filho e seu grande amor. Assim, temos um gostinho da vida nos palácios da Índia, dos costumes da Índia do século passado e também dos costumes da Inglaterra de tanto tempo atrás.


     É inevitável se pegar viciado no livro. Lucinda faz um trabalho de pesquisa incrível para cada livro, o que faz com que o leitor realmente se sinta parte da história, e consiga imaginar como as coisas parecem, como o lugar aparenta, como os personagens realmente se sentem. Viajar pela Índia e pela Inglaterra nas páginas de Lucinda nos faz querer poder voltar no tempo e estar com os personagens enquanto eles vivem tudo aquilo. É uma história linda, sobre amor sem preconceitos, sobre o julgo de uma sociedade marcada pelo estigma social, sobre acreditar em mais do que se pode ver e sobre a fé. Uma história que permanece na memória do leitor até muito depois da última página do livro.

[Resenha] Diga aos Lobos que Estou em Casa, de Carol Rifka Brunt

    Eu fiquei um bom tempo com esse livro em suspensão - depois de tê-lo lido - e pensando em um jeito de fazer uma resenha que pudesse expressar o que ele significou como uma das leituras mais melancólicas que tive até hoje. Acho que é isso, melancólico é uma boa maneira de começar a descrevê-lo. 

Título: Diga aos Lobos Que Estou Em Casa
Autora: Carol Rifka Brunt
Editora: Novo Conceito
464 páginas - 2014



     1987. June Elbus, era uma garota de quinze anos que encontrou o amor em um lugar muito improvável. Incompreendida pelos pais e pela irmã mais velha Greta, ela nutria pelo tio e renomado pintor FinnWeiss, um afeto preocupante, o que inclusive era alvo das implicâncias da irmã mais velha, que nunca pareceu facilitar para a irmã caçula.
      A amizade entre June e o tio Finn sempre foi algo que incomodou a mãe da jovem (e irmã do artista). Mas Finn não tinha muito tempo de vida, era um jovem artista com AIDS em tempos em que essa doença era um grande tabu. Seu relacionamento com outro homem sempre o afastou da família, mas isso não impedia June de nutrir secretamente seu amor pelo irmão de sua mãe.

"Naquele pedacinho de segundo, ele viu que eu estava com medo, inclinou minha cabeça e me beijo na parte de cima do cabelo com um toque tão leve que poderia ter sido uma borboleta pousando."
página 15

      Após a morte do tio Finn, as irmãs herdaram o quadro do tio, pintado por ele mesmo em homenagem a June e Greta, cujos rostos permaneceriam jovens e sorridentes para sempre em uma moldura. Mas isso não deixou a irmã mais velha muito feliz. E mesmo quando Finn morreu, o relacionamento delas não ficou melhor.
      Como se não estivesse difícil o suficiente, June acaba recebendo uma carta de Toby, o namorado de seu tio, e ela se sente dividida entre ciúme, ódio e o desejo desesperado em conhecer partes da vida de Finn que ela nunca pôde explorar. O encontro entre os dois pode mudar muita coisa, inclusive na família Elbus. Mudanças que não prometem um final feliz.

      Quando comecei a ler Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa, já tinha me dado conta de estar diante daqueles livros com histórias tristes e com finais amargos. Mas esse livro fez o favor de superar minhas expectativas. A atmosfera melancólica é presente todo o tempo, e me faz pensar naqueles filmes indies bem hipsters que, vejam só, se passam na década de 80.

"Eu quero imaginar o tempo com fendas, bosques cheios de lobos e pântanos frios à meia-noite. Sonho com pessoas que não precisam fazer sexo para saber que se amam. Sonho com pessoas que só nos beijariam no rosto."
Página 81

      Escrito em primeira pessoa, Brunt cria um enredo muito profundo - tão profundo que, às vezes, parece que estamos a quilômetros de distância da realidade! - e todo o tempo acompanhamos o desenrolar dessa história sob o ponto de vista de June Elbus. Com singeleza somos levados a conhecer essa garota tão ingênua e, ao mesmo tempo, muito consciente de sua imaturidade, destrinchamos os medos de June, e até mesmo os de Greta.



      Aliás, vou me permitir ser do contra e dizer que, de todos os relacionamentos explorados nessa história, o das irmãs foi o mais bem construído. Ao longo das 464 páginas, o leitor consegue desvendar o motivo de tanta hostilidade entre Greta e June. A princípio tudo parece muito normal, coisa de irmãos. Mas, aos poucos, conseguimos perceber nuances de sentimentos escondidos, ressentimento de eventos passados, e a progressão da leitura nos leva a amar essas duas irmãs, nos leva ao ponto de desejar ardentemente que elas se entendam, que sejam amigas como tio Finn e a mãe delas um dia foram.... Antes de tudo acontecer.

"... São as pessoas mais infelizes que querem ficar vivas, porque acahm que não fizeram tudo o que querem fazer. Acham que não tiveram tempo o suficiente. Acham que ganharam menos do que mereciam."
Página 265
     Com cuidado e sentimento, Carol Rifka Brunt conseguiu construir uma obra de partir o coração, só pra depois tentar colá-lo de novo.A maneira como a autora conduziu a história, fazendo-a girar em torno do quadro pintado pelo falecido tio, foi digna de respeito.

      Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz!

Promoção com Maurício Gomyde!

Alô, amigos Inspirados!



      Vocês conhecem o autor Mauricio Gomyde, certo? Então devem saber do lançamento com selo da Novo Conceito, A Máquina de Contar Histórias. Pera. Conhece não? Então confere o booktrailer rapidão, só pra você saber o que 'tava perdendo até agora!



      Se vocês curtiram, então a hora é essa! O autor vai sortear 1 Kindle e 1 box com seus 4 livros publicados entre todos os participantes. Claro que não dá pra ficar dando bobeira nessa hora, então corre e participa! Só conferir aqui como é que funciona:

      Temos regrinhas básicas, mas muito simples para seguir. Então bora lá!

1) Preencher o formulário:


2)Deixe um comentário aqui: "Eu quero conhecer A Máquina de Contar Histórias"! 


3)Seguir ou o twitter (@mauriciogomyde) ou o Instagram (@mauriciogomyde). Não precisa ser os dois, mas já que é pra seguir, por que não? xD

      Pronto! Viu só, tranquilão! Agora é só torcer muito, mais que Brasil x Argentina, e correr pro abraço! Boa sorte, leitores! 

[Resenha] Mago - Espinho de Prata, Livo 3, de Raymond E. Feist


     Vamos combinar que, entre tantos mundos para visitarmos, Midkemia, criado por Raymond E. Feist, é um dos mais incríveis onde visitei. E, sim, depois de ler os dois primeiros volumes da saga Magos, o terceiro só confirma o óbvio: Feist criou uma das melhores sagas que já li na vida, e não é a toa que está na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos!

Para conferir a resenha do livro 1 - Aprendiz, clique AQUI
Para conferir a resenha do livro 2 - Mestre, clique AQUI
Para conferir a resenha do livro 3, continue lendo que tá bom demais!

      Na continuação dessa aventura, nossos heróis estão mais velhos, o portal para os outros mundos está fechado e casamentos estão a caminho. Os irmãos Martin, Arutha e Liam (este o rei) estão cada vez mais unidos, e a jovem Anita, princesa de Krondor, é prometida ao príncipe Arutha, personagem que se torna foco da nossa história ao longo da narrativa. 
      Nessa história também nos reencontramos com o jovem Jimmy, A Mão, um dos mais promissores larápios dos Zombadores, a guilda dos ladrões em Krondor. Se você leu o segundo volume da série, então viu o pequeno bandido ajudando nossos protagonistas a protegerem Anita das mãos de um dos nobres que estavam prestes a dar o golpe na coroa do reino. Aqui, no entanto, ele se torna um escudeiro do príncipe e se mostra um personagem de grande valor. 
Raymond E. Feist
      Mas a gente sabe que uma boa saga épica que se preza não termina em "feliz para sempre" assim tão fácil. Aqui nós nos deparamos com um mal, algo tão terrível que o próprio Pug, dominador da Arte Superior da Magia, não consegue lidar completamente. Lembram-se de Pug, o escudeiro que trabalhava na cozinha de Crydee, foi raptado pelos tsurani e desenvolveu sua vocação como mago? Pois é, demora um pouco, mas ele acaba aparecendo. Mas aqui há muito mais em jogo do que a magia tradicional que se conhece. Forças envolvendo necromancia e a Sacerdotisa da morte estão envolvidas, e eles descobrem que esse novo mal, um inimigo que não conhecem completamente, traz consigo uma força tenebrosa, algo que os sacerdotes não haviam lidado até então. 
      E, quebrando completamente a progressão dessa resenha, não dá pra deixar de lado o romance entre Laurie e uma princesa que ganha nossa simpatia desde o começo. Mas, claro, não dá pra revelar mais do que isso, afinal, Midkemia é um mundo maravilhoso que precisa ser desbravado pelo leitor aos poucos. 
      Com uma narrativa poética e muito bem trabalhada, Raymond E. Feist conseguiu elevar o nível nessa terceira obra, nos mostrando a maneira como nossos heróis amadureceram, trazendo até nós novos elementos fantásticos do mundo Midkemia e nos fazendo imergir sem hesitar em novas experiências como leitor. Preciso dizer que, em alguns pontos, a narrativa pode ser cansativa e chega a ser quase infantil em alguns momentos, mas isso não significa que Mago seja uma saga menos do que sensacional, porque apesar desses aspectos negativos, não há como negar: essa é uma das melhores aventuras que um leitor pode querer!

      Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz! =)

[Resenha] Belleville, de Felipe Colbert



“Ilustre desconhecido,


Hoje é o seu dia de sorte. Você acaba de ser premiado com um passeio de montanha-russa!”
Capítulo 1, página 5

     A primeira vez em que li Felipe Colbert foi quando conheci o jonalista Daniel no livro Ponto Cego, um thriller que me fez colocar o autor na lista de favoritos. Até aí tudo bem. O "problema" foi quando comecei a ler Belleville. Eu não sabia o que era ser versátil até então. Sim, amigos, temos um James Patterson brasileiro, capaz de escrever um livro de suspense, ou um romance tocante que, nesse caso em específico, é capaz de viajar através dos anos para resgatar um amor que parecia impossível!

      Belleville conta a história de dois jovens vivendo em tempos diferentes. Temos Lucius, o calouro do curso de Matemática na faculdade de Campos do Jordão, que vive em 2014 em meio a sua desorganização e introspecção, além de um pai com o coração frágil e igualmente bondoso. Enquanto isso, cinquenta anos antes, temos a jovem Anabelle, órfã que passa seus dias enclausurada em sua casa, vivendo apenas com a companhia de Tião, seu gato preto.


      As coisas estavam difíceis para ambos, cada um em seu tempo (literalmente). Em 1964 Anabelle não tinha dinheiro para se manter, mas sua teimosia era o combustível necessário para manter de pé a sua casa, herança deixada pelo seu pai, fotógrafo conhecido enquanto na região enquanto vivo. Já no futuro - ou melhor, no nosso presente - Lucius vivia sob a sombra do medo de que, a qualquer momento, seu pai poderia sofrer um infarto, mas ele não deveria se preocupar, afinal, estava em Campos do Jordão para estudar, ainda que seu pai não estivesse com ele pelos próximos anos de faculdade. Detalhe importante: Lucius alugara uma casa antiga. Coincidência ou destino, era a casa onde Anabelle viveu sua vida inteira.
      E é nesse momento que os romances, mesmo aqueles que superam o espaço-tempo, nascem. Um dia, enquanto Lucius descobria o esqueleto de um projeto de montanha-russa no jardim da propriedade, encontrou a terra revolvida e, ao desenterrar uma caixinha com um bilhete dentro, descobriu a antiga moradora daquela casa. Além da foto, encontrada entre os livros empoeirados da antiga residência, Lucius descobriu em Anabelle uma menina que lutou para que o sonho do pai pudesse se tornar realidade: o de ver Belleville, a montanha-russa, um dia finalizada. Mas, infelizmente, isso nunca aconteceu.
      Quando, enfim, Lucius conhece um pouco mais da história de Anabelle, ele se compadece de seu sonhos frustrado, e decide enterrar a caixinha com uma carta escrita por ele mesmo, convencendo o próximo morador a concluir o projeto Belleville. E assim como a caixinha, enterrou aquele assunto.
      O que ele não esperava era que, um dia, movido por curiosidade, desenterrasse a caixinha e descobrisse que sua carta fora respondida! A partir daí, Lucius descobriria uma maneira de falar com a jovem Anabelle, que mesmo tão distante no tempo, conseguiu roubar o coração do rapaz. Mas se engana quem pensa que essa correspondência duraria para sempre. Um tio há muito desaparecido, quando bate na porta de Anabelle, coloca tudo em risco: as cartas, o amigo do futuro... Belleville! E cabe ao jovem Lucius garantir que o sonho do pai de Anabelle - e o dela! - seja concretizado.


      Escrito em terceira pessoa, o livro nos faz viajar em dois tempos diferentes: 2014 e 1864. A temporalidade foi muito bem feita, expondo as diferenças do tempo, e tomando o cuidado de não deixar nenhuma ponta solta. Não apenas isso, em alguns momentos as cartas que Anabelle e Lucius escrevem um para o outro nos são apresentadas e, assim, podemos ver um pouco mais da personalidade de cada um, além de suas respectivas vidas, cada uma em seu tempo.
      Uma das coisas que me incomodou - só um pouco, na verdade - foi a elaboração de diálogos. Por ser um livro ambientado no Brasil, eu esperava um "dedo de prosa" mais abrasileirado. Apesar disso, não impede em nada a imersão da história, mesmo porque as personagens têm personalidades muito bem construídas, e é muito fácil sentir simpatia pela causa de Lucius, e quase impossível não amar Anabelle! O problema mesmo é que, em alguns momentos, fica fácil esquecer que estamos em terras tupiniquins.
      E não se engane se pensou que a história é apenas mais um romance. Há muito mais em jogo. Além de, por vezes, o livro retratar a violência contra a mulher, podemos também encontrar questões como bullying, relacionamento familiar, amizades improváveis... Tudo isso permeia essa incrível história com um dedo verde e amarelo. Felipe Colbert não poderia ter sido mais feliz ao escrever Belleville!
 

      

[Resenha] Reconstruindo Amelia, de Kimberly McCreight


      Há muito tempo venho procurando um livro que fugisse um pouco do meu estilo e que, mesmo assim, pudesse me surpreender tanto quanto os meus livros favoritos fizeram. Quando comecei a ler Reconstruindo Amelia, da editora Arqueiro, eu percebi que a busca havia chegado ao fim. A obra Kimberly McCreight me conquistou de primeira. Fechar o livro e me despedir das personagens foi uma das coisas mais difíceis nessa leitura.

      Kate Baron, uma advogada associada da respeitável Slone & Thayer, estava em uma difícil reunião,  quando recebeu a notícia de que sua filha, a adorável e comportada Amelia, havia sido suspensa das aulas. A mãe havia sido informada que deveria estar em Grace Hall, o colégio onde a filha estudava, em 20 minutos, mas o trabalho prendeu-a por mais de uma hora. Ao chegar - já bastante atrasada, encontrou um movimento incomum na porta do colégio. Policiais, transeuntes curiosos, paramédicos. Nesse mesmo dia, haviam contado a ela: Amelia saltara do telhado para a morte, um suicídio que seria o fardo de Kate para sempre.
      Tudo parecia difícil demais. Sem o apoio dos pais, auxiliada apenas por Jeremy, o amigo do trabalho, e Seth, o ex-namorado e atualmente gay. Até o dia em que ela recebe uma mensagem em seu celular: 
Amélia não pulou
      A notícia foi um choque, mas depois uma constatação óbvia. Kate podia não ser a melhor mãe do mundo, mas conhecia a filha o suficiente para saber que ela nunca iria se matar. diante dessa verdade brilhando na tela do seu celular, ela decide investigar, mesmo que por conta própria. Fraternidades secretas, amigos virtuais, trotes, amores e descobertas amorosas, tudo isso permeia o drama na vida da mãe solteira. Ela acaba descobrindo, não apenas a verdade, como mistérios de seu passado que deveriam ter morrido anos atrás.


      Reconstruindo Amelia já tem um título revelador: trata-se de Kate refazer todo o conceito que ela tinha da própria filha. É claro que essa reconstrução é muito mais para a mãe da Amelia do que para nós, leitores, mesmo porque já somos apresentados a uma Amelia 'diferente'. A narrativa alterna entre capítulos em terceira pessoa - em que acompanhamos a advogada desesperada em busca de respostas - e capítulos em primeira pessoa, narrados por Amelia Baron quando ainda estava viva e lidava com certas questões: as Magpies - a fraternidade secreta em que fora convidada a participar; um romance improvável; amigos com tantos segredos quanto ela própria.
      McCreight produziu uma trama incrível, sua narrativa fácil e envolvente, é impossível não simpatizar com a causa de Kate, ou entender os motivos de Amelia. O desenrolar é bem surpreendente, o tipo de leitura que não nos cansa justamente porque, a cada virada de página, descobrimos algo novo, porém sem uma resposta clara. É movido pela curiosidade que continuamos a leitura, e é com pesar que terminamos, pois saber que Amelia está morta e, mesmo assim, entrarmos em sua mente e conhecer seus reais motivos por trás de tudo o que havia feito, é doloroso, e genial!
      O único problema foi chegar ao final e perceber que a autora não conseguiu amarrar muito bem algumas questões, ficaram pontas soltas que, por isso, não nos deixou aquele ar de 'leitor satisfeito'. Mas, mesmo assim, a leitura surpreende e encanta, provoca empatia e nos faz querer fazer justiça com as próprias mãos, pra você ver o tamanho que é a imersão dessa história. Mas, mais do que isso, queremos dizer para Kate que ela fez o que pode, e que, sim, era uma boa mãe.
      Eu sempre digo que uma boa história não precisa ter um enredo extraordinário, contanto que os personagens sejam incríveis. E aqui, em Reconstruindo Amélia, queremos conhecer todos eles, desvendar a vida de cada personagem e descobrir todos os seus segredos.

CURIOSIDADE: os direitos do livro já foram comprados a adaptação para filma já está planejada. Kate Baron será interpretada por Nicole Kidman. O filme ainda não tem data de estreia ou qualquer previsão de lançamento. O jeito é esperar!


[Inspire-se] O mundo não tá quebrado. Nós estamos.



      O problema não é agredir o nosso planeta, o problema não são as guerras, o problema não são as outras pessoas. O problema somos nós. Todos nós, isso e a nossa falta de fé. Mas, talvez, se olharmos com mais atenção - sim, para as pessoas que amamos, por exemplo - talvez isso nos faça pensar um pouco. Hoje tudo o que toca o coração é considerado drama adolescente. Mas, pensando bem, é quando crianças que nos enchemos de esperanças, de expectativas e vemos algo de bom por trás de tanta porcaria no mundo. Quando crescemos, tudo fica preto e branco. Talvez a gente precise sonhar como criança, fazer discursos adolescentes. Talvez precisemos de fé. 



Não, talvez não. Definitivamente, precisamos de fé.

[Resenhas] O Retrato, de Charlie Lovett

     Pense em uma pessoa que não sabe se relacionar bem com as pessoas, e por isso encontra uma válvula de escape na página dos livros. Esse é Peter. Recluso, nada sociável, ele não era de interagir com as pessoas até que conhece Amanda, a única pessoa que o fez mudar e interagir. Mas, quando sua esposa morre, Peter fica sem chão; volta a ser a pessoa que era antes de conhecer sua espora, e não consegue imaginar um futuro sem ela. Mas depois de alguns meses e de muita insistência para que ele retomasse sua vida, Peter vai para a Inglaterra e para uma nova atividade: trabalhar com livros raros.  


     Enquanto trabalha com aqueles que são, desde sempre, o apoio que Peter podia ter, ele encontra o retrato de uma mulher incrivelmente parecida com sua amada e falecida esposa. Só que a imagem tinha sido pintada há muitos, muitos anos, num passado longínquo. Obviamente curioso com tamanha semelhança, ele começa a pesquisar tudo o que pode sobre o retrato. Só que, além de tentar descobrir mais sobre aquela imagem, ele também esbarra em outra descoberta fascinante, que nada mais é que uma obra perdida de Shakespeare. E assim, sozinho, Peter precisa descobrir a história por traz do retrato e encontrar essa raridade em forma de clássico da literatura, para fazer com que seu trabalho seja reconhecido - e eternizado.

     Em O Retrato, temos uma história imersa no universo da literatura. Se você ama esse mundo das artes e das letras, vai se encantar. A história é dividida em épocas diferentes, então temos diversos personagens que acabam se entrelaçando de alguma maneira, mesmo que suas existências tenham sido separadas por séculos. O livro se passa em 1995, mas os acontecimentos de séculos antes desvendam muitas coisas no presente, e é quando isso começa a acontecer que o leitor fica irremediavelmente preso à história. Enquanto o leitor sabe o que aconteceu e o que levou certas situações a acontecerem, a tendência é querermos arrastar Peter para os lugares onde sabemos que está o que ele procura. Porque, enquanto temos todos os lados da história, Peter só tem o dele.           

     O livro, dividido em três épocas - entre os séculos XVI e XX, na década de 80 e na década de 90 - é um livro recheado de suspense e de mistério, e ao mesmo tempo nos conta uma história de amor encantadora. Com tudo para dar errado em um enredo tão diverso, foi bom ver que O Retrato teve um desfecho incrível - e um enredo viciante.

[Inspire-se] Não seja indiferente



      Não é novidade. Todo mundo já presenciou - ou viveu! - uma situação parecida: alguém se depara com uma situação que necessita de uma intervenção, alguém precisa fazer alguma coisa... Mas ninguém faz. E quando fazer o certo parece ser difícil, porque precisamos sair da nossa zona de conforto, aí sim o certo parece impossível. Mas quando a gente abre mão de nós, de nosso conforto, em prol de algo que valha a pena, aí tudo faz sentido.


      Ser bom não é fácil. Ser bom é difícil. Porque, às vezes, é preciso quebrar alguns ovos. Ou janelas. 
      Mas, quer saber? Vale a pena. 

[Resenha] Boneca de Ossos, de Holly Black - Especial de Sexta-Feita 13!

 
     Quantas vezes você já pensou em ser criança outra vez (ou continuar sendo)? Parece que, a medida que crescemos, acabamos nos esquecendo do que movia nosso imaginário infantil. Mas com Boneca de Ossos, de Holly Black, eu consegui fazer esse regresso feliz, quando o monstro que vivia debaixo da minha cama era o maior dos meus problemas. Quando deixei minha criança interior sair para brincar com a boneca de ossos, o resultado não poderia ter sido melhor. 

       Com Zach, Poppy e Alice, encontramos um caminho para as fantasias que morreram (ou dormiram por um bom tempo) quando crescemos. Acontece que essas três crianças são parecidas com muitos de nós, quando nos reuníamos nas casas de nossos amigos e, munidos de bonecos de luta e vários outros brinquedos, criávamos um universo onde éramos nós os heróis, onde sabíamos em quem podíamos confiar, onde eramos os tecelões de nosso destino. Zach tinha o Capitão William, um pirata que liderava o Pérola de Netuno. Alice manuseava Lady Jaye, e Poppy sempre estava no controle das histórias, e adorava o ponto dramático em ser uma vilã. E, embora fossem verdadeiros amigos, eles sabiam que estavam crescendo. Uma hora, todas as fantasias seriam guardadas.

      Zach tinha o esporte na escola e tinha tudo pare ser o popular pelos próximos anos, por isso tinha vergonha de brincar de faz-de-conta com as duas amigas, ou pelo menos não queria que ninguém soubesse. Alice estava começando a compreender o que era gostar de um garoto e como agir para chamar sua atenção. Enquanto isso, tudo o que Poppy gostaria era de se ver criança para sempre e, com ela, seus amigos. Apesar disso, quando se reuniam, eram apenas capitão William Lady Jaye e a Grande Rainha, protagonizada por uma boneca de ossos que sempre ficou na cristaleira, onde a mãe de Poppy proibia qualquer um de pegá-la. Você já pode imaginar o estigma criado em cima da boneca: intocável, feita de ossos, com um olhar semicerrado como se encarasse a tudo e a todos. 


      E, como toda boa história, sempre há questões familiares, como Zach, cujo pai ausente acaba estragando a felicidade do filho ao jogar fora o capitão William, pensando que isso poderia fazer o garoto ser mais homem. Alice, que vivia com a avó, passava seus dias com medo de desagradá-la e receber um castigo que a poria longe dos amigos por um bom tempo. Poppy, com seus irmãos mais velhos sendo, bem, irmãos mais velhos, numa relação de atrito e amizade. Tudo isso permeia a trama, até que... O sobrenatural acontece!

      Poppy decide conversar com os amigos e explicar, que em uma noite, recebeu ordens da Grande Rainha, ou melhor, da Boneca de Ossos, que deu de querer aparecer para ela em seus sonhos, trazendo uma mensagem: enterrar a boneca onde estava seu corpo. Ao que parece, a boneca não era feita de ossos de animais, e sim de ossos de uma garotinha que morreu há muitos anos. Carregados por uma suposta aparição do além, os três amigos acabam caindo de cabeça em uma grande aventura, que promete transformá-los para sempre, talvez para melhor. 


      Quando comecei a ler Boneca de Ossos, me peguei divido. A história, escrita em terceira pessoa, tem uma voz narrativa muito poética e melancólica, e isso aguçou demais o meu lado de leitor apaixonado de 23 anos. Por outro lado, não tinha como sentir aquele frio na barriga em alguns momentos muito bem encaixados, coisa que teria mais efeito em uma criança. O timming era perfeito, a colocação das cenas que deveriam causar um arrepio foram inseridos quando o leitor parece "baixar a guarda", quando ele esquece por um momento que é adulto e decide se vestir de criança para embarcar na aventura. Holly Black criou uma bela história que, mais do que tentar nos assustar, ela tenta nos lembrar do que esquecemos quando crescemos, que são as fantasias, a crença fácil em coisas que são absurdas para gente mais velha, uma tentativa de resgatar a infância em pouquíssimas 220 páginas. 
      A diagramação está incrível, e as ilustrações captam muito bem a essência da história, além da capa, com as cores certas pra trazer ao leitor a ideia de uma história infantil com teor de suspense. A leitura vale muito a pena, tornou-se um dos meus preferidos desse ano em disparada. Muita coisa não foi dita aqui, mas por ser uma história de poucas páginas... Bem, acho melhor você descobrir por você mesmo o quanto essa aventura pode te encantar e, quem sabe, você não permita sua criança interior sair para brincar mais uma vez.       
       

Dias Melhores Virão, de Jennifer Weiner

      Seis anos depois de muitas tentativas e, finalmente, Ruth Saunders recebe o telefone que mudará sua vida para sempre. O que esse telefonema diz: que seu roteiro, para uma série de comédia foi aprovado, e irá ao ar. O roteiro é baseado em sua vida: uma mulher que vive com a avó e que está tentando descobrir seu próprio espaço no mundo. Porque essa é a história de vida de Ruth que, desde os três anos de idade, vive com sua avó. Seus pais morreram em um acidente de carro ao qual ela sobreviveu, mas não sem grandes sequelas. Sequelas essas que são físicas e emocionais. Só que as físicas ficam bem óbvias para qualquer um que a veja, já que as feridas que o acidente deixou acabaram transfigurando seu rosto e seu corpo. E, por isso, Ruth passou boa parte da sua infância internada ou passando pela mão de diversos médicos, tentando diminuir a dor que sentia e tendo que ser submetida à diversas cirurgias.         

      Sendo rejeitada por todos ao seu redor, menos por sua avó, Ruth acaba se apaixonando por uma de suas atividades com a avó: assistir à seriados na televisão. E, como uma válvula de escape, ela começa a escrever, sendo sempre incentivada por sua avó. E foi por isso que ela decidiu escrever seu roteiro: para mostrar para outras pessoas como ela, sem amigos ou que são excluídas da sociedade, que ser uma pessoa normal não é um absurdo. Que não é preciso ser extraordinário para se ter algum espaço. E, então, finalmente seu projeto é aprovado. Só que nem tudo era tão fácil assim.



      Mal tinha conseguido comemorar a aprovação de seu roteiro quando descobriu que teria que mudar diversas coisas para adequar sua série aos desejos da editora, mudando o sentido de sua série. E, além disso, ela é obrigada a lidar com todo tipo de gente; roteiristas, atrizes que não sabem lidar com suas vidas, executivos que querem ser sempre paparicados. E, para melhorar, ela ainda precisa lidar com o lado emocional de sua própria vida, porque ela não consegue se sentir bem sendo quem é. Seu recente namoro acaba, ela é recusada por um dos roteiristas e ainda tem que ver sua avó planejando um novo casamento. As coisas estavam boas, até que não estavam mais.              

fonte da imagem: http://samyaquino.blogspot.com.br/

      O livro me chamou atenção por ser uma grande lição  de moral. Sabe aqueles romances que sempre mostram uma garota de baixa autoestima que se acha super feia e desinteressante mas na verdade não é, e que se apaixona pelo cara popular, bonito e charmoso e, juntos, ela descobre que na verdade é incrível e ele descobre as coisas simples da vida? Pois é, chega uma hora que você cansa dessas histórias, né? E Dias Melhores Virão mostra que você pode ser feliz e se dar bem no mundo mesmo que a sua vida seja mesmo mais cruel que a dos outros. E, na verdade, o livro é uma grande crítica à industria cinematográfica. O livro mostra muito bem tudo que acontece nos bastidores desse mundo e que, na verdade, eles não criam o conteúdo que o público quer ver. Eles criam o conteúdo que eles, os grandes empresários desse mundo, querem vender para o público. Um livro muito bem escrito e que foi um bom ponto de vista diferente dos livros clichês (que eu amo, não me entendam mal) de hoje em dia.

[Inspire-se] É tão difícil andar junto?

      Vez ou outra aparece alguém que, como todos nós, sentiu ou viveu os mesmos sentimentos e momentos, mas teve um pouco mais de clareza para interpretar o que, exatamente estava sentido. Quando vi esse vídeo, foi o que eu vi: uma abordagem sobre quem somos todos os dias nas ruas, mas nunca paramos pra pensar a respeito. 
      O que há de errado com todos nós? Por que nos sentimos tão incomodados quando nossos passos entram em sincronia com um completo estranho? Pode ser uma reflexão besta a princípio, mas... E se isso for uma pequena fração de quem somos? E se essa fosse a expressão sutil da nossa incapacidade de se caminhar lado a lado? Seria individualismo ou medo? Talvez insegurança, ou arrogância. É tanta coisa pra pensar a respeito. Engraçado, porque ainda não pensamos a respeito. Então vejam o vídeo, e tente não se incomodar quando caminhar lado a lado de um completo estranho. A vida não é uma corrida. Ela é uma jornada. 



Fiquem na Paz!

[Resenha] Vinte Garotos no Verão, de Sarah Ockler



Algo que só quem já perdeu alguém sabe é o quanto dói, e como nunca passa. Diminui, deixa de estar sempre na memória, mas a dor continua lá, escondida, esperando uma lembrança para ser revivida. E quem já perdeu alguém também sabe que recomeçar, ou seguir em frente, é muito difícil. A vida passa a ter uma dinâmica diferente, e se adaptar à nova realidade não é nem de perto fácil. E é isso que Anna e Frankie tem que aprender em Vinte Garotos no Verão.

Desde sempre, Anna, Frankie e Matt são inseparáveis. Frankie e Matt são irmãos, e são irmãos que se amam e se respeitam. Melhores amigos desde pequenos e, ainda por cima, vizinhos, eles cresceram juntos. Os laços construídos entre eles desde a infância não seriam quebrados com facilidade. Eles sabiam o que fazia os outros felizes, eles compartilhavam todos os momentos de felicidade, medo e tristeza e planejavam seus futuros juntos. Anna é apaixonada por Matt. Mas, com medo de estragar a amizade que os três tem, ela prefere ficar quieta. Só que, no seu aniversário de quinze anos, Matt acaba tomando a iniciativa. E finalmente Anna tem Matt do jeito que ela sempre quis. Com medo do que Frankie vai sentir, e por serem tão unidos, Matt pede à Anna que eles guardem segredo por mais algumas semanas, até que ele e sua irmã façam a viagem que estavam programando, para que ele possa explicar para Frankie sem que ela se sinta magoada - ou ferida. Anna aceita, sem nem imaginar o que viria a seguir. 

Um dia, de forma abrupta, Frankie e Anna perdem Matt. Em um minuto, todos os seus sonhos pareciam que iriam se tornar realidade. No outro, tudo estava tão despedaçado quanto os vidros do carro de Matt depois do acidente. Para superar a dor, cada uma delas se refugia aonde pode. Anna acha consolo nas páginas de seu diário onde, sem precisar de fato falar com alguém, escreve tudo o que sente e tudo que não pode contar para sua melhor amiga. Anna se transforma em uma outra pessoa, se refugiando em tudo que o dinheiro pode comprar para tentar mascarar a sua dor. O pior de tudo é que todos ao redor delas também estão sofrendo. Os pais de Frankie perderam seu filho, e os pais de Anna sentem a dor de perder um filho também. Todos estão tendo que se recuperar daquele acidente cruel, mas não conseguem ver um futuro muito distante. 

Mas a história do livro na verdade começa quando, doze meses depois de perderem Matt, Anna e Frankie vão viajar juntas para Califórnia. Sentindo que precisam de um ponto para o recomeço, elas decidem seguir em frente com os planos de todos os anos. Assim, planejam uma viagem com muita diversão, surfistas e sol nas praias californianas. Mas as duas sabiam que, na verdade, a viagem serviria para curar de vez os corações das duas e para que elas aprendessem a seguir em frente sem Matt. Seria isso ou seus corações acabariam ainda mais destroçados ao viajarem para um lugar onde cada grão de areia as faria lembrar dele.

Assim, elas decidem que, nesse verão, vão conhecer vinte garotos. E seguem a viagem vivendo cada dia, sem planejar demais, sendo um pouco mais ousadas do que seriam normalmente, arriscando um pouco mais e vivendo um pouco mais. E, a cada nova aventura juntas, elas tentam aceitar que se sentir bem não é totalmente um crime. E que elas precisam mesmo superar. Tudo isso permeado pelas incertezas e inseguranças da vida de uma adolescente, assim como também uma boa dose de drama e sentimentos misturados numa fase da vida em que todos sabem não ser tão fácil de se encontrar - e encontrar seu lugar - no mundo.

Em uma narrativa tocante e ágil, experimentamos com as personagens tudo que elas viveram naqueles vinte dias de verão. E podemos ver de perto como os laços entre elas são reconstruídos, pouco a pouco. Podia ter sido um livro dramático e extremamente doloroso, por se tratar de uma situação tão delicada, mas a autora soube como balancear a dor das meninas com a necessidade de serem felizes de novo que elas tinham. Elas aprendem, juntas, que perdoar é preciso, e que deixar ir é imprescindível. E o final do livro faz com que a leitura inteira seja ainda mais leve e linda do que eu esperava quando li a primeira frase de Vinte Garotos no Verão.


[Resenha] Querida Sue, de Jessica Brockmole




Querido leitor,
Preciso dizer que, para mim, esse  provavelmente vai ser um dos livros mais difíceis de resenhar. Quando eu o peguei para ler, não sabia muito sobre a história: sabia que se passaria na guerra, sabia que seria um romance. Nem de perto imaginaria que seria um livro que eu gostaria tanto e que me apaixonaria em tão pouco tempo. Bastaram dez páginas para eu saber que seria um dos melhores livros que eu tinha lido. E quando terminei, só pude agradecer mentalmente à autora por ter colocado no papel essa história tão linda, e por ter compartilhado isso com o mundo.

Para começar, você precisa saber que o livro é inteirinho narrado por meio de cartas. E que ele se passa em duas épocas diferentes: 1912 e 1940. Na história de 1912, temos um jovem universitário que escreve para uma poetiza depois de ter lido um de seus livros. Na de 1940 temos uma filha que se corresponde com a mãe no período da segunda guerra mundial.                

David estava hospitalizado quando leu o livro de Elspeth pela primeira vez. Sem ter muito o que fazer na enfermaria, decidiu escrever para a autora dos poemas que mais o marcaram até então. Mal sabia ele que aquela carta mudaria o rumo de sua vida a partir dali. Elspeth morava em uma pequena ilha escocesa e seus dias eram repletos de momentos campestres, entre as montanhas e suas cabras. Quando recebeu uma carta de um fã, americano ainda por cima, ela nem conseguiu acreditar. Respondeu seu leitor tão logo pode. Assim, David e Elspeth começaram a se corresponder sempre, e essa correspondência continua por cinco anos. E que privilégio ver crescer a relação desses dois! Cada carta chegada faz com que nós, meros espectadores, fiquemos ainda mais curiosos com o rumo que o relacionamento deles dois vai tomar.     

E, preciso confessar, querido leitor, que nem sempre foi simples, para esses dois, manter as correspondências. Em um mês, que era o tempo entre uma carta em outra, eles descobriam pequenas coisas um do outro, mas em suas vidas coisas grandiosas aconteciam. Porque, enquanto nas cartas eles estão, pouco a pouco, conhecendo um ao outro, em suas vidas reais tudo continuava na velocidade normal. Elspeth continua casada, e seu marido continua no front. David continua noivo, e ainda tenta encontrar o que, de fato, o faz feliz. E eles compartilhavam um com o outro cada um desses momentos. Mas, chega uma hora em que eles precisam assumir que, no fundo, eles não são só dois amigos à distância. Mesmo separados, seus sentimentos um pelo outro cresceram mais do que parecia ser possível. E, depois de mais de dois anos e muitos acontecimentos, eles finalmente precisam assumir que a paixão é maior do que a distância entre seus continentes.      


Enquanto isso conhecemos também Margareth, uma jovem que vive no período da II Guerra Mundial. Seu trabalho é levar pequenas crianças para o interior, para longe da guerra. E, enquanto seus dias passam, ela se corresponde com sua mãe e procura notícias de seu melhor amigo - e amado - que está lutando na guerra. Por meio de cartas, ela fala com sua mãe, e conta tudo que está acontecendo em sua vida. E sua mãe lhe dá conselhos e lhe diz o que acontece em sua cidade. E por meio de cartas com seu amor, ela conta a ele - e a nós, leitores - seus medos e inseguranças, seus sonhos e suas paixões. E é nessas cartas à Paul que descobrimos que Margareth não conhece seu pai, e que essa lacuna em sua vida nunca é preenchida por sua mãe.
E, um dia, descobrimos que a mãe de Margareth é Elspeth, e que Elspeth nunca chegou a superar seu amor com David.                



Nesse ponto, sinto que não posso mais falar sobre essas histórias de amor. Só posso dizer que, a cada carta trocada entre os personagens, a vontade cresce. E a necessidade de saber o que vai acontecer também aumenta. E, se para os personagens há uma certa urgência de saber como será seus futuros, para o leitor essa urgência vem em forma de ansiedade, e é impossível não querer ser um pouco mais rápido para descobrir o que vem a seguir - se é uma carta de Elspeth e David, enquanto eles eram jovens, ou se é uma carta de Margareth e Paul, onde ela lhe conta o que vem descobrindo da juventude de sua mãe. Mas, com certeza, a vontade de ir mais rápido é paradoxalmente a mesma de se ler mais lentamente, para aproveitar aquelas cartas que, assim que começamos o livro, sabemos que são um número finito. Cada momento das cartas dos personagens passa a ser nosso também. E é preciso ler o livro para compartilhar esse sentimento.

Termino essa carta pedindo a você que, se estiver precisando ler algo que lhe faça acreditar que o amor ainda é o melhor remédio, e que amar - o que se faz, ou a outra pessoa - é o melhor incentivo para continuarmos, então leia Querida Sue. E me escreva de volta dizendo o que achou.  

De uma leitora satisfeita e feliz,   
           
Larissa.



[Resenhas] Mar de Rosas, de Nora Roberts


     Esse é o segundo livro da série Quarteto de Noivas, onde poderemos ver a história de Emma, a florista romântica e doce da empresa de casamentos Votos. Emma tem uma base familiar construída com muito amor, e seus pais são o exemplo de relacionamento que ela queria ter. Mas ela não se dá tão bem com os homens. Pelo menos nunca encontrou um cara que a fizesse se sentir realmente bem. Na verdade, Emma é ótima para juntar casais. Só não consegue fazer isso com si mesma. 

     E, para melhorar, ela tem estado secretamente apaixonada por Jack há tantos anos que não se sabe se ela realmente gostaria de estar com alguém que não fosse ele. Mas Jack é um grande amigo de Del, irmão de sua melhor amiga, e é praticamente da família. Pelo menos era assim que ela pensava até reencontrar com ele e perceber que nem sempre pode conter seus sentimentos.

     Eles acabam entrando em um relacionamento mas, ao mesmo tempo que se dão muito bem por já se conhecerem há mais de uma década, eles acabam pisando em ovos justamente por serem amigos há tanto tempo e ficarem com medo de estragarem as coisas um com o outro e, principalmente, com todos os amigos envolvidos. E, além disso, ainda existe mais um problema: enquanto Jack reluta em se apaixonar e se deixar levar pelo amor, Emma acaba se apaixonando ainda mais por ele. Encontrar um meio termo entre suas diretrizes de vida vai ser essencial para que eles possam realmente estar um com o outro.

     Esse é um livro da Nora, e mesmo em seu pior livro Nora sabe como prender o leitor. Não tem como não se apaixonar por seus personagens, porque eles são sempre muito bem construídos; pessoas fortes, com temperamentos e personalidades bem estabelecidos que não são alteradas de repente, e que sempre sabem o que querem, mas ainda assim se propoem a mudar se isso for necessário para encontrar o amor. E nesse livro não é diferente.
     Além de termos Emma e Jack, a descoberta de um novo lado do seu relacionamento de tantos anos, os tropeços e os acertos, também temos o lado emocional afetado para todos os outros personagens. Porque eles são todos uma família, e quando um se machuca, todos sofrem. Ainda mais por se tratar de Emma, a romântica incurável do quarteto de amigas dessa série de livros.

"Sabia exatamente que tipo de amor queria, um amor que se infiltra nos ossos, se enraíza no coração e floresce no corpo. Queria um amor que durasse para sempre."

      Enquanto Emma sabe o que quer e pretende conseguir, que é um amor que se mantenha por muitos anos e esteja com ela em todos os momentos, Jack é um cara que nunca considerou ter um grande amor. E quando o encontra em Emma, ele não sabe como lidar com o sentimento. Não só porque nunca pensou em sentir algo assim, mas porque nunca quis sentir algo assim. Eles são o oposto um do outro: Emma é uma flor delicada, Jack é um bruto. Mas ainda assim eles tentam fazer dar certo.

     É ainda melhor poder continuar acompanhando a vida dessas quatro amigas. Umka das melhores características de livros da Nora é que seus personagens são todos muito reais, com fraquezas e qualidades, mas são todos muito honestos e sabem valorizar o amor que lhes é dado. E Laurel, Parker, Emma e Mac sabem valorizar o que tem juntas. Mal posso esperar para ler os próximos livros da série (até pq o próximo é de Laurel e Del, e POR FAVOR, alguém lança esse livro AGORA!)


[Resenha] O Começo de Tudo, de Robin Scheneider



Sabe aquele modelo típico de garoto popular americano? Atleta, bonito, namorando uma menina popular e futuro rei do baile? Esse era Ezra Faulkner. Ele vivia uma vida americana tão típica, mas tão típica, que foi em uma festa daquelas em que os pais do dono da casa viajam e aí ele abre para todo o ensino médio, com direito à bebidas e tudo o mais que sua vida mudou. Bem depois de pegar sua namorada perfeita chifrando ele. Mas é aqui que o estereótipo acaba. Porque, cansado da atitude das pessoas e irritado, Ezra vai embora da festa. E é atingido por um carro que ultrapassou o sinal vermelho.

Ezra fratura o pulso e o joelho, e por isso tudo que ele sabia da vida se torna impossível. Seus planos eram todos baseados em sua capacidade de jogar tênis. Ele iria pra faculdade com uma bolsa de estudos de atletas, ele tinha suas matérias na escola escolhidas de acordo com os dias de treinos. Agora, ele teria que usar uma bengala e fazer fisioterapia, mas nunca mais pisaria em uma quadra de tênis. E ainda teria que lidar com o bullying na sua escola.

Nenhum dos seus amigos se preocupou em visitá-lo no hospital, nem depois. Na verdade, nenhum dos seus amigos se preocupou em ficar ao seu lado no acidente; todos preferiram correr com medo da polícia e deixa-lo, sozinho, esmagado dentro de um carro, pelo socorro. Então, o retorno à vida escolar seria duplamente doloroso: ele não sabe onde se encaixar, porque seus amigos não eram seus amigos, e porque teria que enfrentar o olhar de pena e repulsa de todos à sua volta. 



Só que, na vida, sempre existem pessoas incríveis, e é uma dessas pessoas que faz com que o primeiro dia de volta às aulas - e, bem, todos os seguintes - se tornarem aceitáveis e, depois de algum tempo, maravilhosos. Toby, seu melhor amigo de infância, com quem não falava há anos, puxa assunto com ele e torna seu primeiro dia muito melhor. E a partir dali ele pelo menos tem alguém com quem estar nos intervalos. 


Toby e Ezra eram melhores amigos daqueles que fazem tudo junto, até os doze anos de idade. Só que, no aniversário de 12 anos de Tobby, quando eles foram comemorar na Disney, as coisas começaram a mudar. Porque Ezra acredita que, na vida de todo mundo, existe um desastre que muda tudo pra sempre. O seu foi o acidente de carro. O de Toby foi o passeio macabro que tiveram na montanha russa naquele dia. E então seus caminhos começaram a se distanciar; eles deixaram de ser os melhores amigos para se tornarem o atleta popular e o nerd. Só que, alguns anos depois, é na turma nerd que Ezra vai acabar se encontrando. 


E é por causa de Toby e seu grupo de amigos nerds que Ezra conhece Cassidy, uma menina diferente de todas as outras da escola. além de misteriosa e de ter uma vida bem livre, conhecendo lugares exóticos e citando autores clássicos, Cassidy também é muito calada no que se diz de sua vida particular. Sempre se esquiva de perguntas pessoais e nunca fala demais sobre o que fez até ali. E, mesmo que Toby avise para não fazer, Ezra se apaixona por ela. Só que as coisas não chegam nem perto de ser tão simples assim.


A Cassidy é o tipo de alma livre que todos queriam, nem que por um momento da vida, ser. E se as pessoas não gostam dela, bem, isso não a afeta, porque ela não é quem é pra agradar os outros, sabe? E ela mostra ao Ezra como uma pessoa não precisa se encaixar em padrões para ser quem é. E que, às vezes, a gente pensa que quer alguma coisa, mas só porque ainda não conheceu alguma coisa melhor. Mas Cassidy não foi a única à ajudar Ezra a encontrar quem ele era de verdade. Toby mostra à Ezra que amizade é muito mais do que um grupo de pessoas com quem se almoça todos os dias. A forma como Toby leva a sua vida, sendo feliz mesmo que as outras pessoas não considerem que ele seja o mais legal, ou o mais popular, faz com que Ezra perceba, finalmente, que existe um mundo inteiro além do alcance dos olhos dele, sabe? Que pensar em um quadro maior ajuda a entender uma cena isolada. 


Os personagens são cativantes, de verdade. Gente inteligente sempre cativa, né? E os amigos que Ezra finalmente tem são pessoas inteligentes, espertas e muito divertidas. O livro é cheio de tiradas geniais, de reflexões simples que fazem a gente repensar a vida e de citações à obras que amamos tipo Harry Potter. Porque, no fundo, O Começo de Tudo quer mostrar que você pode ser qualquer pessoa, se você entender que aquilo tem que ser o bastante para você, e não para os outros. E é muito mais complexo, profundo, divertido e apaixonante que o que eu descrevi aqui. Porque o que acontece entre os eventos é o que faz com que eu não quisesse fechar o livro quando cheguei à última página. E o final, muito mais real que a sinopse - e essa resenha - possam chegar a ser, faz com que a gente tenha vontade de entrar no livro e virar parte da história. 


[Lançamentos] - Editora Arqueiro!


E mais uma vez a Editora Arqueiro nos encanta com seus lançamentos. Se bem que a palavra certa aqui seria "assombra". Sim, o lançamento escrito por Sarah Lotz traz uma história com suspense e uma promessa de terror que mereceu até o "joinha" do renomado Stephen King. Claro que eu vou ler! Lançamento dia 22 de maio, galera!



Os Três é um livro maravilhoso, uma mistura de Michael Crichton com Shirley Jackson. Muito instigante, impossível parar de ler.” – STEPHEN KING

Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo.Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação.A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular:Eles estão aqui.O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele...Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.



Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz!

[Resenha] Esta é Uma História de Amor, de Jessica Thompson

Essa é uma história de amor, literalmente. É a história de Sienna e Nick. É a história de como eles se conheceram e de como, por cinco anos, eles foram os melhores amigos um do outro. Porque sim, essa também é uma história sobre amizade, sobre medo de perder e sobre novas chances.

Sienna é uma pessoa extremamente romântica. Com 20 anos, ela é uma pessoa sonhadora e muito ativa, sempre pensando em mil coisas, sempre imaginando como seria sua vida com a pessoa certa ao seu lado.
Nick tem 27 anos, e está passando por uma série de mudanças - tanto em sua vida como em sua maneira de ver a mesma. Sua namorada acaba de trocá-lo por um de seus amigos e, como se isso não bastasse, eles trabalham no mesmo lugar. E além disso ele também está em um certo nível de crise por estar com quase trinta e sentir que ainda não encontrou, pelo menos não completamente, seu lugar no mundo.



Até que um dia, no metrô, Sienna esbarra com um homem que chama sua atenção - por ser adoravél e por ser parecido com um dos seus atores preferidos, Jake Gyllenhaal. Mas, como todo interesse que acontece em um transporte público, esse acabou assim que a estação de Sienna chegou. Mas mal esperava ela reencontrá-lo no lugar mais improvavél. O cara do metrô era o seu superior na empresa que ela acabara de entrar.

Nick estava voltando para o trabalho depois de uma viagem de duas semanas. No caminho, ele acaba prestando atenção em uma mulher muito interessante no mesmo vagão que o seu. Sem querer parecer estranho, ele para de encarar a encantadora estranha que estava sentada um pouco mais à frente. E, nesse momento, ele acaba a perdendo de vista. Podia parecer estranho, mas ele sentiu uma conexão com aquela desconhecida como parecia nunca ter sentido com ninguém. Sem ter outra opção além de seguir seu caminho, já que não vira aonde ela fora, Nick passa o resto do tempo a pensar em como seria diferente se ele tivesse ido falar com ela. Só que o destino parece agir, e quando ele não imaginava, a garota misteriosa aparece em sua frente. Ela era a nova funcionária da empresa.



A primeira coisa em que Nick conseguiu pensar era em como ele devia ter irritado alguém lá de cima, porque ele tinha acabado de descobrir que a pessoa por quem ele se interessara ser uma colega de trabalho. E sua última experiência mostrou que se relacionar com colegas de trabalho não era uma boa ideia. E Sienna não sabia como agir ao descobrir que o homem do metrô era Nick, uma das mentes criativas da empresa em que trabalhava.

Mas isso se resolve muito rapidamente, porque eles dois são obrigados, a princípio, a manter as relações em um nível profissional. Mas, conforme se conhecem, eles acabam percebendo que o que acontece entre eles é muito mais especial que aquilo. E, sem querer perder o que tem, os dois optam por manter tudo nos níveis de amizade. Mesmo que ambos estejam apaixonados um pelo outro.

Ah, bendita zona da amizade.


O livro mostra toda a evolução do relacionamento dos dois. Mostra os momentos de dúvida e de certeza, os momentos em que eles são inseparáveis e os momentos em que eles constroem muros ao redor de si mesmos. Mostra também como os dois sofrem por não se declararem um para o outro, mas ao mesmo tempo se confortam na ideia de que estar por perto do outro era melhor que ser excluído completamente daquela rotina. E mostra também como, depois de um tempo, de se conhecerem melhor que qualquer outra pessoa, de ter uma rotina baseada em pequenos momentos de diversão compartilhados só por eles, porque ninguém de fora conseguiria entender a graça, eles percebem que precisam arriscar e mostrar para o outro que eles podem ser felizes juntos. Juntos de verdade.

Os capítulos são intercalados, um na visão de Sienna e um na de Nick, dando ao leitor não só os dois pontoos de vista da história, mas também uma compreensão melhor do que eles sentiam e do porque de eles tomarem certas atitudes. Além deles dois, outros personagens do livro são muito importantes e fazem com que o leitor se apaixone ainda mais pelo livro. Acho que, na vida, todo mundo passa por algum tipo de zona de amizade, onde tudo é incerto e onde a gente não sabe muito bem como agir. Será que se declarar e correr o risco de perder um amigo tão próximo vale a pena? Será que a outra pessoa sente o mesmo? Essas perguntas já passaram por nossas mentes pelo menos uma vez na vida. Sienna e Nick passaram por isso também. Mas para saber como isso acabou, meu querido leitor, você precisa ler o livro. :)
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos