[Resenha] Mago - Espinho de Prata, Livo 3, de Raymond E. Feist


     Vamos combinar que, entre tantos mundos para visitarmos, Midkemia, criado por Raymond E. Feist, é um dos mais incríveis onde visitei. E, sim, depois de ler os dois primeiros volumes da saga Magos, o terceiro só confirma o óbvio: Feist criou uma das melhores sagas que já li na vida, e não é a toa que está na lista dos 100 melhores livros de todos os tempos!

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Para conferir a resenha do livro 3, continue lendo que tá bom demais!

      Na continuação dessa aventura, nossos heróis estão mais velhos, o portal para os outros mundos está fechado e casamentos estão a caminho. Os irmãos Martin, Arutha e Liam (este o rei) estão cada vez mais unidos, e a jovem Anita, princesa de Krondor, é prometida ao príncipe Arutha, personagem que se torna foco da nossa história ao longo da narrativa. 
      Nessa história também nos reencontramos com o jovem Jimmy, A Mão, um dos mais promissores larápios dos Zombadores, a guilda dos ladrões em Krondor. Se você leu o segundo volume da série, então viu o pequeno bandido ajudando nossos protagonistas a protegerem Anita das mãos de um dos nobres que estavam prestes a dar o golpe na coroa do reino. Aqui, no entanto, ele se torna um escudeiro do príncipe e se mostra um personagem de grande valor. 
Raymond E. Feist
      Mas a gente sabe que uma boa saga épica que se preza não termina em "feliz para sempre" assim tão fácil. Aqui nós nos deparamos com um mal, algo tão terrível que o próprio Pug, dominador da Arte Superior da Magia, não consegue lidar completamente. Lembram-se de Pug, o escudeiro que trabalhava na cozinha de Crydee, foi raptado pelos tsurani e desenvolveu sua vocação como mago? Pois é, demora um pouco, mas ele acaba aparecendo. Mas aqui há muito mais em jogo do que a magia tradicional que se conhece. Forças envolvendo necromancia e a Sacerdotisa da morte estão envolvidas, e eles descobrem que esse novo mal, um inimigo que não conhecem completamente, traz consigo uma força tenebrosa, algo que os sacerdotes não haviam lidado até então. 
      E, quebrando completamente a progressão dessa resenha, não dá pra deixar de lado o romance entre Laurie e uma princesa que ganha nossa simpatia desde o começo. Mas, claro, não dá pra revelar mais do que isso, afinal, Midkemia é um mundo maravilhoso que precisa ser desbravado pelo leitor aos poucos. 
      Com uma narrativa poética e muito bem trabalhada, Raymond E. Feist conseguiu elevar o nível nessa terceira obra, nos mostrando a maneira como nossos heróis amadureceram, trazendo até nós novos elementos fantásticos do mundo Midkemia e nos fazendo imergir sem hesitar em novas experiências como leitor. Preciso dizer que, em alguns pontos, a narrativa pode ser cansativa e chega a ser quase infantil em alguns momentos, mas isso não significa que Mago seja uma saga menos do que sensacional, porque apesar desses aspectos negativos, não há como negar: essa é uma das melhores aventuras que um leitor pode querer!

      Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz! =)

[Resenha] Belleville, de Felipe Colbert



“Ilustre desconhecido,


Hoje é o seu dia de sorte. Você acaba de ser premiado com um passeio de montanha-russa!”
Capítulo 1, página 5

     A primeira vez em que li Felipe Colbert foi quando conheci o jonalista Daniel no livro Ponto Cego, um thriller que me fez colocar o autor na lista de favoritos. Até aí tudo bem. O "problema" foi quando comecei a ler Belleville. Eu não sabia o que era ser versátil até então. Sim, amigos, temos um James Patterson brasileiro, capaz de escrever um livro de suspense, ou um romance tocante que, nesse caso em específico, é capaz de viajar através dos anos para resgatar um amor que parecia impossível!

      Belleville conta a história de dois jovens vivendo em tempos diferentes. Temos Lucius, o calouro do curso de Matemática na faculdade de Campos do Jordão, que vive em 2014 em meio a sua desorganização e introspecção, além de um pai com o coração frágil e igualmente bondoso. Enquanto isso, cinquenta anos antes, temos a jovem Anabelle, órfã que passa seus dias enclausurada em sua casa, vivendo apenas com a companhia de Tião, seu gato preto.


      As coisas estavam difíceis para ambos, cada um em seu tempo (literalmente). Em 1964 Anabelle não tinha dinheiro para se manter, mas sua teimosia era o combustível necessário para manter de pé a sua casa, herança deixada pelo seu pai, fotógrafo conhecido enquanto na região enquanto vivo. Já no futuro - ou melhor, no nosso presente - Lucius vivia sob a sombra do medo de que, a qualquer momento, seu pai poderia sofrer um infarto, mas ele não deveria se preocupar, afinal, estava em Campos do Jordão para estudar, ainda que seu pai não estivesse com ele pelos próximos anos de faculdade. Detalhe importante: Lucius alugara uma casa antiga. Coincidência ou destino, era a casa onde Anabelle viveu sua vida inteira.
      E é nesse momento que os romances, mesmo aqueles que superam o espaço-tempo, nascem. Um dia, enquanto Lucius descobria o esqueleto de um projeto de montanha-russa no jardim da propriedade, encontrou a terra revolvida e, ao desenterrar uma caixinha com um bilhete dentro, descobriu a antiga moradora daquela casa. Além da foto, encontrada entre os livros empoeirados da antiga residência, Lucius descobriu em Anabelle uma menina que lutou para que o sonho do pai pudesse se tornar realidade: o de ver Belleville, a montanha-russa, um dia finalizada. Mas, infelizmente, isso nunca aconteceu.
      Quando, enfim, Lucius conhece um pouco mais da história de Anabelle, ele se compadece de seu sonhos frustrado, e decide enterrar a caixinha com uma carta escrita por ele mesmo, convencendo o próximo morador a concluir o projeto Belleville. E assim como a caixinha, enterrou aquele assunto.
      O que ele não esperava era que, um dia, movido por curiosidade, desenterrasse a caixinha e descobrisse que sua carta fora respondida! A partir daí, Lucius descobriria uma maneira de falar com a jovem Anabelle, que mesmo tão distante no tempo, conseguiu roubar o coração do rapaz. Mas se engana quem pensa que essa correspondência duraria para sempre. Um tio há muito desaparecido, quando bate na porta de Anabelle, coloca tudo em risco: as cartas, o amigo do futuro... Belleville! E cabe ao jovem Lucius garantir que o sonho do pai de Anabelle - e o dela! - seja concretizado.


      Escrito em terceira pessoa, o livro nos faz viajar em dois tempos diferentes: 2014 e 1864. A temporalidade foi muito bem feita, expondo as diferenças do tempo, e tomando o cuidado de não deixar nenhuma ponta solta. Não apenas isso, em alguns momentos as cartas que Anabelle e Lucius escrevem um para o outro nos são apresentadas e, assim, podemos ver um pouco mais da personalidade de cada um, além de suas respectivas vidas, cada uma em seu tempo.
      Uma das coisas que me incomodou - só um pouco, na verdade - foi a elaboração de diálogos. Por ser um livro ambientado no Brasil, eu esperava um "dedo de prosa" mais abrasileirado. Apesar disso, não impede em nada a imersão da história, mesmo porque as personagens têm personalidades muito bem construídas, e é muito fácil sentir simpatia pela causa de Lucius, e quase impossível não amar Anabelle! O problema mesmo é que, em alguns momentos, fica fácil esquecer que estamos em terras tupiniquins.
      E não se engane se pensou que a história é apenas mais um romance. Há muito mais em jogo. Além de, por vezes, o livro retratar a violência contra a mulher, podemos também encontrar questões como bullying, relacionamento familiar, amizades improváveis... Tudo isso permeia essa incrível história com um dedo verde e amarelo. Felipe Colbert não poderia ter sido mais feliz ao escrever Belleville!
 

      

[Resenha] Reconstruindo Amelia, de Kimberly McCreight


      Há muito tempo venho procurando um livro que fugisse um pouco do meu estilo e que, mesmo assim, pudesse me surpreender tanto quanto os meus livros favoritos fizeram. Quando comecei a ler Reconstruindo Amelia, da editora Arqueiro, eu percebi que a busca havia chegado ao fim. A obra Kimberly McCreight me conquistou de primeira. Fechar o livro e me despedir das personagens foi uma das coisas mais difíceis nessa leitura.

      Kate Baron, uma advogada associada da respeitável Slone & Thayer, estava em uma difícil reunião,  quando recebeu a notícia de que sua filha, a adorável e comportada Amelia, havia sido suspensa das aulas. A mãe havia sido informada que deveria estar em Grace Hall, o colégio onde a filha estudava, em 20 minutos, mas o trabalho prendeu-a por mais de uma hora. Ao chegar - já bastante atrasada, encontrou um movimento incomum na porta do colégio. Policiais, transeuntes curiosos, paramédicos. Nesse mesmo dia, haviam contado a ela: Amelia saltara do telhado para a morte, um suicídio que seria o fardo de Kate para sempre.
      Tudo parecia difícil demais. Sem o apoio dos pais, auxiliada apenas por Jeremy, o amigo do trabalho, e Seth, o ex-namorado e atualmente gay. Até o dia em que ela recebe uma mensagem em seu celular: 
Amélia não pulou
      A notícia foi um choque, mas depois uma constatação óbvia. Kate podia não ser a melhor mãe do mundo, mas conhecia a filha o suficiente para saber que ela nunca iria se matar. diante dessa verdade brilhando na tela do seu celular, ela decide investigar, mesmo que por conta própria. Fraternidades secretas, amigos virtuais, trotes, amores e descobertas amorosas, tudo isso permeia o drama na vida da mãe solteira. Ela acaba descobrindo, não apenas a verdade, como mistérios de seu passado que deveriam ter morrido anos atrás.


      Reconstruindo Amelia já tem um título revelador: trata-se de Kate refazer todo o conceito que ela tinha da própria filha. É claro que essa reconstrução é muito mais para a mãe da Amelia do que para nós, leitores, mesmo porque já somos apresentados a uma Amelia 'diferente'. A narrativa alterna entre capítulos em terceira pessoa - em que acompanhamos a advogada desesperada em busca de respostas - e capítulos em primeira pessoa, narrados por Amelia Baron quando ainda estava viva e lidava com certas questões: as Magpies - a fraternidade secreta em que fora convidada a participar; um romance improvável; amigos com tantos segredos quanto ela própria.
      McCreight produziu uma trama incrível, sua narrativa fácil e envolvente, é impossível não simpatizar com a causa de Kate, ou entender os motivos de Amelia. O desenrolar é bem surpreendente, o tipo de leitura que não nos cansa justamente porque, a cada virada de página, descobrimos algo novo, porém sem uma resposta clara. É movido pela curiosidade que continuamos a leitura, e é com pesar que terminamos, pois saber que Amelia está morta e, mesmo assim, entrarmos em sua mente e conhecer seus reais motivos por trás de tudo o que havia feito, é doloroso, e genial!
      O único problema foi chegar ao final e perceber que a autora não conseguiu amarrar muito bem algumas questões, ficaram pontas soltas que, por isso, não nos deixou aquele ar de 'leitor satisfeito'. Mas, mesmo assim, a leitura surpreende e encanta, provoca empatia e nos faz querer fazer justiça com as próprias mãos, pra você ver o tamanho que é a imersão dessa história. Mas, mais do que isso, queremos dizer para Kate que ela fez o que pode, e que, sim, era uma boa mãe.
      Eu sempre digo que uma boa história não precisa ter um enredo extraordinário, contanto que os personagens sejam incríveis. E aqui, em Reconstruindo Amélia, queremos conhecer todos eles, desvendar a vida de cada personagem e descobrir todos os seus segredos.

CURIOSIDADE: os direitos do livro já foram comprados a adaptação para filma já está planejada. Kate Baron será interpretada por Nicole Kidman. O filme ainda não tem data de estreia ou qualquer previsão de lançamento. O jeito é esperar!


[Inspire-se] O mundo não tá quebrado. Nós estamos.



      O problema não é agredir o nosso planeta, o problema não são as guerras, o problema não são as outras pessoas. O problema somos nós. Todos nós, isso e a nossa falta de fé. Mas, talvez, se olharmos com mais atenção - sim, para as pessoas que amamos, por exemplo - talvez isso nos faça pensar um pouco. Hoje tudo o que toca o coração é considerado drama adolescente. Mas, pensando bem, é quando crianças que nos enchemos de esperanças, de expectativas e vemos algo de bom por trás de tanta porcaria no mundo. Quando crescemos, tudo fica preto e branco. Talvez a gente precise sonhar como criança, fazer discursos adolescentes. Talvez precisemos de fé. 



Não, talvez não. Definitivamente, precisamos de fé.
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos