[Resenha] De Coração Para Coração, de Lurlene McDaniel

Essa é a história de duas amigas, Kassey e Elowyn. As duas são inseparáveis desde que se conheceram, e se consideram irmãs de tão apegadas uma a outra. Quando Elowyn faz dezesseis anos e tira sua carteira de motorista, ela marca a opção de doadora de orgãos sem que ninguém soubesse. Só que aqueles que a amam só descobrem isso quando a coisa mais trágica está a acontecer: a menina sofre um acidente de carro e seu desejo de ser doadora de orgãos está prestes a ser atendido.
Também conhecemos Arabeth, uma adolescente de 16 anos que, por causa de seu coração doente, nunca pode ter uma vida normal. Sem amigos, tudo que a menina mais deseja é um novo coração para que possa, finalmente, conhecer a vida que todos conhecem. Tendo uma vida superprotegida até então, a menina mal pode esperar para correr, e não se preocupar em se cansar ou em ficar muito emocionada. Quando em um dia ela recebe a ligação que tanto esperava, dizendo que vai conseguir um novo coração, a menina mal pode acreditrar. É nesse ponto que a vida de Kassey, Elowyn e Arabeth se cruzam de uma maneira que nenhuma delas esperava.

A história do livro é dividida em três partes: na primeira, tudo é narrado por Kassey. Na segunda e na terceira, os capítulos são narrados hora por Kassey, hora por Arabeth. Aqui vemos duas amigas de coração que nao imaginavam que uma fatalidade pudesse acontecer tão cedo em suas vidas. Vemos uma adolescente cujo maior sonho é poder viver uma vida normal e ter amigos. Vemos pais, que sofrem pela perda da filha e pais que estão felizes por ver a filha renascer. 
A narrativa é muito delicada, e ainda assim, a emoção que as palavras de Lurlene nos passa é inegável. Aqui, ela construiu uma história sobre o amor, o perdão, a aceitação e a perda. Emoções difíceis de se lidar quando separadas, muito mais difíceis quando tem de ser enfrentadas todas juntas. É uma grande lição sobre como a nossa vida realmente pode ser curta, e que mostra que a meçhor opção é viver como se fosse seu último dia, para que não existam arrependimentos. Um livro muito bonito, sobre a caeitação das circunstâncias intrínsecas a se viver. Como é pequeno, a leitura não fica pesada e em pouco tempo você tem mais uma história maravilhosa para se ler em um dia. Leitura super recomendada.


[Resenha] - A Corte do Ar, de Stephen Hunt


Molly Templar e Oliver Brooks, dois adolescentes órfãos que possuem um segredo escondido até deles mesmos, não se conhecem, e muito menos imaginam que Dama das Luzes está movendo seus pauzinhos para mudar essa realidade. Há segredos antes e depois de Brumaencantada, tantos que nem mesmo a Corte do Ar poderia monitorá-los.  



Título: A Corte do Ar
Autor: Stephen Hunt
Editora: Saída de Emergência Brasil
540 páginas / 2014

     Molly Templar foi deixada num templo quando ainda era bebê, e passou todo o seu crescimento no Internato Portas do Sol. Sem conseguir se fixar num emprego (uma vez que o diretor do Internato indica um emprego para os órfãos enquanto estiverem sob a tutela do instituto), ela aguarda o dia em que atingisse a maioridade e seu direito de voto, quando finalmente poderia se ver livre daquele lugar. Açomédio, o lugar onde cresceu, sempre foi seu lar, mas se mostraria hostil muito em breve.
    Enquanto isso o jovem Oliver Brooks, sobrinho de um comerciante conhecido em Cem Cadeados, passava seus dias sob a sombra de um medo que existia nas redondezas. O garoto, quando criança, foi o único sobrevivente dos efeitos da desconhecida magia de Brumencantada, depois disso o povo passou a repudiá-lo como se fosse um criminoso. Mal sabia o órfão que seu tio - e seu pai! - eram parte de um esquema tão grande que precisou ser colocado acima das nuvens.







     Muitos elementos são criados pelo autor ao longo da trama. Há os homens-vapores, máquinas dotadas de alma que possuem princípios próprios; cantores do mundo, homens que controlam a magia existente na natureza (não são encantados, veja bem!); e, claro, a tão temida Brumencantada.
    Brumencantada pode ser imaginada como, o que seria hoje, um lugar afetado por radiação. Seria uma espécie de Chernobyl do século XV, com a diferença de que, ao invés de uma radiação, temos uma energia mágica que afeta as pessoas, e as transforma em encantados, isso quando estas não morrem. Essa sacada foi genial!
     A história gira em torno de Molly e Oliver. Enquanto a garota é perseguida em Açomédio por um assassino interessado no sangue da jovem, Oliver tenta fugir das autoridades, que acreditam ter sido ele o responsável por uma chacina em sua cidade. Ao lado de Harry, um visitante misterioso, o rapaz acaba obtendo respostas que envolve, também, seu falecido pai.
    Num universo steampunk cheio de homens-vapor, cantores do mundo e humanos encantados pela força obscura de Brumencantada, A Corte do Ar existe sob as nuvens, monitorando as nações em busca de manter um equilíbrio, este cada vez mais frágil. Nessa aventura cheia de personagens cativantes, a tecnologia anacrônica, as superstições, os misticismos e os elementos mágicos se misturam de um jeito único, tão bem feito que é impossível separá-los. Máquinas desempenham funções de grandes oráculos, homens subvertendo o governo, caçadas assassinas em busca de um segredo contido no sangue de indivíduos como Molly Templar.


    O que Stephen Hunt criou aqui foi muito mais do que uma ficção steampunk. Ler A Corte do Ar é como aprender a falar outra vez. A princípio são tantas informações e tantas denominações desconhecidas, que o leitor até se perde. Mas basta continuar a ler e aí, como uma conexão entre dois homens-vapor, a o livro compartilha com a gente todos os seus segredos. É sensacional! Toda a ambientação no gênero é impecável, com nomes bastante sugestivos, como Tristesperança, a cidade subterrânea onde uma política revolucionária começa a nascer. O steampunk está presente a todo instante, desde as vestimentas até o armamento da Guarda Especial e os aerostatos (dirigíveis). Ao longo da leitura dá pra sacar algumas pegadas de Julio Verne, especialmente durante a jornada de Molly até Tristesperança, o que me fez lembrar bastante de Viagem ao Centro da Terra. Enfim, um prato cheio de ficção da melhor qualidade!
    Com uma narrativa rica, Stephen Hunt consegue nos ler num frenesi incontrolável, e você precisa se lembrar constantemente de respirar, porque é exatamente esse o efeito do livro.Talvez Hunt seja um encantado, e passou um pouco da energia de Brumencantada para sua escrita, que não tarda a povoar nossas mentes como num filme. Se duvidam, leiam! 

    Claro que não dá pra deixar de perceber na arte da capa e na diagramação. O que a editora Saída de Emergência fez aqui foi uma arte. Sabe, tô achando que tá cheio de humanos encantados por aí, e eles resolveram escrever e criar capas de best sellers. Alguém tem outra explicação pra tanto talento em um só livro? 



    É isso aí, pessoal! Espero que curtam a leitura! Eu recomendo A Corte do Ar, um dos meus preferidos de 2014, o ano mal começou mas tô achando difícil achar um que supere! 
    Fiquem na Paz! =)

[Resenha] O Presente - Cecilia Ahern


Em O Presente, somos apresentados à Lou Suffern, um cara que tenta se dividir em dois para poder o máximo de coisas possíveis, mas que nunca consegue fazer isso satisfatoriamente. Entre seu tempo com a família e seu tempo no trabalho, a família sempre sai prejudicada. Ambicioso, Lou tenta ser o melhor no trabalho, mas não se dá ao mesmo trabalho quando se trata de sua esposa e filhos. Um cargo muito importante na empresa em que trabalho fica vago, e Lou corre contra o tempo para mostrar ser a melhor opção para ocupar aquele espaço tão desejado. 


Sua vida muda quando conhece Gabe, um sem-teto muito observador que passa seus dias na porta do prédio em que Lou trabalha. Em um ímpeto de bondade não muito comum à Lou, ele decide empregar o morador de rua . Só que Gabe parece saber muito mais que um simples sem teto, e Lou começa a se sentir ameaçado pela presença de Gabe, que parece estar em todo lugar todo o tempo.


Durante a narrativa, descobrimos que o nome do livro faz jus à história. Tudo acaba sendo um presente: Gabe é um presente na vida de Lou e o livro acaba sendo um presente de Cecilia para os leitores. Tudo é uma grande reflexão sobre o cotidiano das pessoas, a falta de atenção às coisas que importam de verdade e como as pessoas tendem a esquecer os aspectos pessoais de suas vidas na procura infinita pela felicidade. Parece um paradoxo, mas é buscando essa felicidade prometida no fim do arco-íris de uma carreira bem sucedida, um diploma universitário ou uma casa e carro na garagem que muita gente acaba se tornando cada vez mais infeliz, por não saber onde procurar pela felicidade. E é exatamente nesse conflito que Lou se encontra, e é por isso que Gabe acaba entrando em sua vida.


É importante dizer que o livro nos é apresentado como uma parábola, e que a história é contada por personagens que, a princípio, nada tem a ver com a história de Lou. Portanto, prepare-se para a ansiedade inevitável de querer saber mais sobre a história de Lou e de entender qual a relação do narrador com a história dele. Eu queria falar e falar sobre como o livro é bonito, e como as cenas nos passam mensagens importantes, mas isso seria uma forma absurda de contar spoilers, portanto, vocês precisam ler. É um livro sensacional, que me fez ficar apaixonada por Cecília Ahern e me fez pensar bem nas minhas escolhas atuais. Definitivamente um livro que vale a pena ler, e um ótimo presente de natal pra mim.



P.S.: Era pra essa resenha sair antes do natal, já que a história é natalina e as fotos também, mas é bom que assim a gente estende a felicidade dessa época pro início de 2014 :)

[Resenha] - Seis Coisas Impossíveis, de Fiona Wood

     Alô amigos Inspirados!

     Imagine você que, depois de sair das profundezas do mundo fantástico, precisei ancorar em um universo mais realista. E eu não poderia ter escolhido lugar melhor. "Seis Coisas Impossíveis" foi, pra mim, uma das melhores experiências do gênero esse ano. Bora lá?



Título: Seis Coisas Impossíveis

Autor: Fiona Wood
Editora: Novo Conceito
271 páginas - 2013


     Dan Cereill (pronuncia-se Surreal, mas as pessoas insistem em chamá-lo de Cereal) era o tipo de garoto de 15 anos que, sem fazer muita força, conseguia passar uma impressão errada a seu respeito. Isso quando não estava ocupado demais passando despercebido. E quando o pai anunciou falência, separação e homossexualidade, a vida de Dan deu uma guinada. Só que pra baixo. 
     Mãe e filho se mudaram para a casa de uma tia que deixara de herança. O problema era que esse novo lar era uma casa tombada pelo Patrimônio Histórico, então conviver com as paredes carcomidas e o cheiro de xixi de cachorro seria uma boa maneira de começar a se acostumar à nova vida. E, depois de mudar de escola (porque mudança pouca é bobagem!), ele decide criar uma lista de coisas impossíveis:


1. Beijar a garota;
2. Arrumar um emprego;
3. Dar uma animada na mãe;
4. Tentar não ser um nerd completo;
5. Falar com o pai quando ele ligar;
6. Descobrir como ser bom e não sair abandonando os outros por aí. 


Apaixonado pela vizinha Estelle, amigo de seu mais novo parceiro Howard - o cão que veio de "brinde" com a casa - e engajado na ideia de ajudar a mãe no novo ramo de bolos de casamento, Dan vai descobrir ser um incompetente em todos esses quesitos. Mas isso não vai ser um problema para aprender com os erros e descobrir como consertá-los no fim das contas. 


     Quando a Novo Conceito mandou esse livro, eu já sabia que seria uma boa leitura pra passar o tempo. Mas imagine minha surpresa quando me deparei com uma história de profundidade aqui!
     Primeiro, não podemos deixar de lembrar que a história é escrita em primeira pessoa, sob a ótica de um garoto de quinze anos que perdeu tudo e precisou aprender a economizar até os centavos. É importante ter isso em mente porque muitas atitudes que podemos julgar como estúpidas são, nada mais, nada menos, que o reflexo da adolescência turbulenta. Fiona Wood conseguiu me convencer com sua narrativa fácil, sem firulas (coisa que os YA's estão transbordando por aí), mas com uma sinceridade surpreendente, quase como se Dan Cereill fosse real, inclusive suas dores. 

     Segundo, é importante ter em mente que algumas questões inacabadas continuam inacabadas quando se termina o livro. E, sinceramente, achei isso sensacional. A ideia do final feliz foi remodelada pela escrita de Fiona Wood, com um final que não soluciona todas as questões e aflições do garoto, e talvez seja esse o principal motivo de dar tanta sinceridade à história.
     As personagens principais foram muito bem construídas, e o mais legal é que nós podemos conhecê-los por suas "bagagens", todos os fantasmas do passado. Tenho um apreço especial por Howard, o cachorro de Dan. A imaginação do garoto dá um tom completamente diferente ao amigo de quatro patas, e essa relação é o tipo de coisa que esperamos em um livro com clichês bem trabalhados.

     Seis Coisas Impossíveis está, na minha humildíssima opinião, no mesmo patamar que YA's como A Culpa é das Estrelas. A carga emocional é parecida, ainda que os motivos sejam completamente diferentes. Uma obra que vale a pena ser lida, a atmosfera é muito bem criada e, a melhor parte, o livro é mais do que uma leitura para distração. 

     Tenham uma ótima leitura! Fiquem na Paz! =)
     
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos