[Resenha] Bruxos e Bruxas - James Patterson e Gabrielle Charbonnet


A primeira coisa que me lembro quando penso em Bruxos e Bruxas foi o nível de divulgação que a Novo Conceito, editora que o publica aqui no Brasil, fez. Parecia que a página da editora tinha sido hackeada por alguma coisa chamada Nova Ordem, usando o avatar com as iniciais deles, e toda hora postando um trecho de algum tipo de manual de regras dessa ordem. Gente, eu fiquei uma semana completamente curiosa pra saber do que se tratava a Nova Ordem e porque a editora estava fazendo aquilo. Quando finalmente foi revelado que tudo se tratava da divulgação do mais novo livro de James Patterson, que seria publicado pela Novo Conceito, eu acredito que todo mundo que acompanhou a jogada de marketing desejou ter aquele livro na estante. Sem contar que a capa dele é muito, muito bonita. E que a história prometia muito mistério e boas horas passadas lendo aquele livro maravilhoso.
Só que todo esse fascínio acaba bem rápido quando você realmente lê o livro. 
Sabe como é, não julgue um livro pela capa. Nem pelo autor consagrado. Nem pela divulgação incrível.
Era impossível alguém  ter visto essa decepção chegando.


A história do livro é sobre dois irmãos, Whitford e Wisteria Allgood, que em um dia comum de suas vidas, são arrancados de sua rotina sem nenhuma explicação. Foram funcionários/seguidores da Nova Ordem, um grupo que tomou as rédeas do país e agora o governa, que invadiram a casa dos irmãos Allgood e os prenderam, acusando-os de bruxaria.

Só que Whit e Wisty não fazem ideia do motivo de estarem sendo presos por isso.
Até então, os irmãos Allgood eram adolescentes comuns: emburrados, loucos por música e internet, um pouco irresponsáveis com a escola... mas não tinham nada de bruxos neles dois. Nada. E, agora, eles estavam sendo levados para uma prisão grotesca e cinzenta por pessoas que parecem ter medo deles, mesmo estando em uma posição bem mais favorável. E, além disso, eles estão bem confusos, porque na hora de serem levados de sua casa, quando lhes foi dado o direito de levarem consigo um objeto, seus pais lhe deram... uma baqueta e um diário velho com folhas em branco. Bem animador.


Mas, quando chegam na prisão, eles começam a entender que realmente são bruxos, e a descobrir seus poderes. De uma maneira nada convencional, já que Witsy, por exemplo, só descobre que tem poderes quando fica muito irritada e... solta chamas do corpo todo. Então, durante a sua estadia nada confortável na fortaleza da Nova Ordem, e sendo acusados de bruxaria pelo Único que é o Único - nome do líder da Nova Ordem, olha que criativo - eles começam a aprender que poderes tem, e como usar esses poderes. Também conseguem, assim, fugir na Nova Ordem. E descobrem que precisam salvar os pais, que acabaram sendo presos. E também descobrem que fazem parte de uma profecia cheia de tópicos e que não parece ser muito boa. É uma época bem agitada para os irmãos Allgood.



Sejam sinceros: é ou não é uma premissa muito boa para uma história de bruxos? É genial. Um mundo sendo dominado por uma sociedade cheia de regras absurdas, onde todos os que mandam são considerados os Únicos, como O Único que Julga, e até mesmo o líder, O Único que é o Único, que tem sua palavra como a verdade absoluta. Bruxos e Bruxas lutando contra esse ditador do mal. Uma profecia envolvida na história. Tinha tudo pra ser um ótimo livro. Mas, infelizmente, James Patterson e Gabrielle Charbonnet não souberam escrever essa história de uma forma empolgante, ou até mesmo envolvente.


 A narrativa é feita em primeira pessoa, hora por Whit, ora por Witsy. Só que isso muda, basicamente, a cada duas páginas. E não vejo a menor necessidade de mudar o ponto de vista com tanta frequência,  porque os irmãos passam 80% do livro juntos, e vivendo as mesmas experiências. Sem contar que você só sabe que mudou de irmão porque no início de cada capítulo - são 100 ao todo - eles dizem quem está narrando. Se não fosse por isso, você provavelmente não faria ideia de que mudou de irmão, uma vez que a personalidade dos dois é bem parecida. Na verdade, você pouco vê da personalidade dos personagens. A coisa mais marcante dos dois, que estão sempre em um estado de irritação pela situação em que se encontram, são as piadinhas e ironias que pontuam suas falas e pensamentos. As piadas da Wisty tem o mesmo tom que as piadas do Whit, então a necessidade de mudar tantas vezes de ponto de vista me parece bem desnecessária, pelo menos até chegar a parte final do livro em que cada irmão está em um lugar diferente.



Outra coisa que me incomodou, foram as tais piadinhas. Não sei se James Patterson realmente usou umas coisas bem sem graça ou se a tradutora não conseguiu achar um correspondente para o Português, mas posso te dizer que a maior parte delas não funcionou muito bem. Fez os personagens parecem adolescentes mimados e bem afetadinhos na maior parte do tempo. E não é porque você é adolescente que você precisa agir como um idiota.

Quando cheguei ao fim do livro, percebi que tinha umas frases de adolescentes indicando o livro, e foi só aí que percebi que, na verdade, Bruxos e Bruxas foi escrito para o público infanto-juvenil - o que, sinceramente, você não adivinha pela capa nem pela sinopse. A única explicação para esse estilo de narrativa completamente diferente de outros livros do Patterson que li foi essa: ele tentou escrever algo que se aproximasse mais do público que queria atingir, ou seja, dos adolescentes. Mas não funcionou. Numa história cheia de elementos a serem explorados, Patterson e Charbonnet acabaram escrevendo uma história muito rasa. A continuação de Bruxos e Bruxas, O Dom, vai chegar para o inspirados em breve. Decidi dar uma chance a mais pra série, porque talvez os autores tenham pegado um ritmo melhor e decidam explorar um pouco mais a história. Em breve vocês vão saber o que acontece com Whit e Wisty.

[Novo Conceito] - T. Greenwood is back!

Alô, amigos Inspirados!

     Pois é, sempre tem aquele autor que lemos e que nunca mais encontramos, que vai embora e deixa uma saudade quase imperceptível. Foi assim que me senti quando li Um Mundo Brilhante, livro de Tammy Greenwood publicado aqui no Brasil pela editora Novo Conceito (confiram a resenha clicando AQUI).

     Só que, agora, já pode matar a saudade! A NC trouxe mais uma obra dessa incrível autora até nossas estantes, e pelo jeito ela manteve sua veia intensa e emocional na hora de criar suas tramas. O livro, intitulado "Dois Rios", promete mais uma boa dose de uma história que tá prometendo mexer com o leitor. O lançamento não é tão lançamento assim, mas vale a pena mencionar, já que é um dos meus desejados \o



Dois Rios - Um amor, um segredo e as surpresas que a vida reserva. - T. Greenwood

Harper Montgomery vive ofuscado pela tristeza. Desde a morte de sua mulher, há 12 anos, ele aprisionou-se em uma pequena cidade, Dois Rios, onde todo mundo se conhece, porque ali — justifica-se — poderia criar melhor sua única filha. Atormentado pelo desgosto, Harper prefere esconder-se. Mas a verdade é que a morte de sua mulher é somente um dos motivos de sua dor. Além de sofrer por sua perda, ele se sente culpado por um ato abominável: quando mais jovem foi cúmplice de um crime brutal e sem sentido. Há muito sentimento em jogo quando se trata de sua vida cheia de remorsos... Então, um acidente de trem oferece a Harper a chance de redenção: uma das sobreviventes, uma menina de 15 anos, grávida, precisa de um lugar para ficar, e ele se oferece para levá-la para casa. No entanto, a aparição dessa menina, Maggie, não tem nada de simples acaso, talvez, ela tenha alguma coisa a ver com o crime do qual ele participou um dia...
SKOOB

Confiram o booktrailer (aliás, que booktrailer fino, a música de fundo é show de bola!)





E aí, curtiram? Bora conferir mais um lançamento sensacional da Novo Conceito?

Fiquem na Paz!

[RESENHA] A Maldição do Tigre - Colleen Houck

Boa noite Inspirados, estourando o prazo, mas consegui postar à tempo! Seguinte, quero trazer para vocês a resenha de uma das séries mais encantadoras que já passaram por minha estante. Me apaixonei de verdade pela escrita da Colleen Houck e acho mais do que incrível dividir as impressões que adquiri das obras. Serão três as resenhas que irão ser postadas nas próximas semanas - ainda não tive tempo de ler os novos livros, e irei encerrar o assunto com uma entrevista que fiz com a autora no começo de 2011. Muito obrigada pela atenção e pelos comentários fofos que tenho recebido nos meus posts, vocês são demais!





Sinopse: Kelsey estava apenas à procura de um emprego temporário no Oregon, para tentar conseguir algum dinheiro antes de se matricular numa universidade comunitária. Apesar de ser apenas uma adolescente prestes a se tornar adulta, Kelsey não se sente decidida a respeito de seu futuro. Na verdade, desde que seus pais morreram, Kelsey apenas vem empurrando seus problemas com a barriga, tentando se sentir realmente em uma família com seus tutores, mesmo que sem sucesso. Quando recebe uma oportunidade para trabalhar num circo, auxiliando como quebra galho, Kelsey encontra uma forma dese livrar um pouco de todas as suas tensões e pressões sobre o futuro. Ela descobre um mundo completamente novo, o making of por trás de todo um espetáculo e acaba por conhecer pessoas maravilhosas das quais se torna muito próxima. Tudo isso seria descrito como algo completamente normal não fosse Kells se sentir tão atraída em relação ao magnífico tigre branco que vive no circo. Algo inexplicável, algo inusitado e extremamente arrebatador e são esses os sentimentos presentes em todas as cenas, levando Kelsey a uma vida desventuras e perigos. 



Resenha: A obra pode ser descrita como maravilhosamente bem escrita e repleta de cenários fantásticos e personagens marcantes. Kelsey é uma personagem que pode ser vista como só mais uma garota normal, com problemas comuns. Diferente do que estamos acostumados a encontrar por entre essa nossa literatura. A cada capítulo, a cada pedaço de narração da nossa protagonista podemos enxergar a nós mesmas,tamanha a capacidade da autora em nos envolver num mundo ‘real’ mesmo que se tratando de um livro cujo gênero predominante é a ficção.
A primeira vista você poderia jurar que A Maldição do Tigre é só mais um dos livros ‘modinha’ que está fazendo sucesso por entre os jovens mas irá mudar de ideia ao sentir o turbilhão de sensações diferentes que o livro nos causa por meio de sua leitura. A ponta de seus dedos chega a formigar a cada virada de página e é como se você quisesse saborear cada mínimo detalhe, com medo de perder se quer alguma fala, alguma expressão. É um livro maduro mesmo que escrito para o publico jovem.

Kelsey pode ser descrita como uma garota que como qualquer outra sofre com seus defeitos, com a sua solidão e que tem a teimosia elevada às alturas mas que no entanto sempre está bem humorada, uma personagem irresistível aos olhos aguços de qualquer leitor.

“Quem você pensa que eu sou? Indiana Jones? Espero que saiba que não tem nenhum chicotenessa mochila!”


Ren pode e deve ser colocado no topo de sua lista de ‘Seria um bom partido – Se existisse em nosso mundo real’ pois além de suas características físicas serem descritas como sendo esplendidas, Ren foge de todo o padrão denominado por entre os ‘mocinhos’ nesse mundo literário atual. Ele é determinado, teimoso, cavalheiro e incrivelmente romântico mesmo que nem sempre essa característica predomine. Ren era o personagem que faltava,aquele que é completamente seguro de si e irresistivelmente sedutor mas também aquele que lhe fará suspirar por vários momentos seguidos. Ren veio para mudar toda a sua perspectiva, ele veio para ficar.

“Kelsey eu sei que você corresponde aos meus sentimentos, não finja mais.”


O senhor Kadan – não consigo chamá-lo de outro jeito – é de longe um dos meus personagens favoritos. Aquele tipo de homem que você consegue imaginar como avô, lendo historias para você cochilar enquanto o embala numa rede ou fazendo seus truques de mágica para as crianças antes da ceia no natal. É um senhor incrivelmente adorável e que sempre põe as necessidades de seus ‘protegidos’ em primeiro lugar.

“Fique tranquila, não vou trair sua confiança.”


Kishan– o nosso tigre negro – teria tudo para ser o ‘irmão malvado’ disposto a ganhar a garota do irmão, mas ao desenrolar dos capítulos você percebe que a situação é completamente oposta. Kishan é só mais um homem de coração partido que tenta se punir pelos erros do passado. É tremendamente divertido as vezes e sem dúvida alguma um ótimo amigo.

“Uau,Kelsey! Você está incrível! Vou ter que afugentar os outros homens com uma vara!”


Todas as aventuras são completamente originais, você irá se sentir sufocado, ansioso,extasiado e até mesmo desesperado em cada uma delas. Todas são estilo ‘Indiana Jones’ é algo que jamais se passou por minha cabeça.
O livro todo é magnífico e nos passa uma mensagem clara de que não importa o quão tediosa a sua vida seja, o amanhã sempre poderá trazer surpresas para mudar isso.

[Resenha] Mago: Aprendiz, de Raymond E. Feist

     Venha, bom amigo, tome um lugar ao redor da fogueira, aqui nós contamos as histórias que os bardos narram em tavernas, de cavaleiros que viveram e morreram lutando, de trolls que sentiram a força oculta de um jovem aprendiz de mago. aproximem-se porque, hoje, nosso contador de histórias é Raymond E. Feist, que desbravou reino após reino em Midkemia até que a história do jovem Pug pudesse ser revelada aos nobres leitores para quem escrevo.



Título: Mago - Livro 1: O Aprendiz
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 432
2013
     Midkemia é um mundo diferente do nosso - ainda bem! Habitado por trolls, goblins e elfos, e uma outra infinidade de criaturas mágicas, os homens tentam co-habitar em harmonia. Mas é claro que isso nem sempre é possível, conflitos de interesses sempre existiram, espécies com ódio mútuo, como os moredhel e os elfos (parentes que não se suportam nenhum pouco), ou os próprios homens com os Irmãos das Trevas. 


     Pug é o primeiro a ser apresentado. O jovem de treze anos estava na floresta, fora do reino de Crydee, estava prestes a ser pulverizado por um animal selvagem quando o caçador Meecham surge para ajudá-lo. Pug foi levado para a cabana do mago Kulgan, do reino de Crydee, e seu dreagonete-de-fogo Fantus. O menino jamais trocara mais do que algumas palavras com o mago de seu povo, mas naquele dia uma estranha relação se formou entre eles. Kulgan viu no garoto um potencial singular para as artes mágicas. Até mesmo Fantus se afeiçoou ao menino instantaneamente. 
     Ao lado dos amigos Carline, Tomas e Roland, Pug costumava viver sua rotina de órfão do castelo com certa resignação, era aquela sua vida e não lhe incomodava vivê-la como era imposta, embora fosse um caso incorrigível de travessuras. Mas os últimos acontecimentos mudaram sua vida, especialmente quando Kulgan escolheu o garoto como seu aprendiz de mago.
     Os meses se passaram, e o tempo era um aliado de ninguém. Kulgan, no entanto, começou a duvidar da habilidade do menino ao ver que Pug não respondia bem aos treinamentos, e por isso optou em deixá-lo á vontade para praticar seu mago interior por conta própria. E, quando Pug salvou a vida da Princesa Carline contra dois trolls usando sua mágica oculta, o mago do reino percebeu que, de fato, havia uma natureza incomum no menino, algo que valia ser cultivado.
     Uma guerra, enfim, pairou sobre os reinos de Midkemia. Uma ameaça de outro mundo - literalmente, um mundo paralelo - colocou em cheque a paz do reino de Crydee e, sem alternativas, o Lorde Borric precisou viajar para uma difícil conversa com o Rei. Acompanhado pelo mais novo escudeiro Pug, Tomas e o mago Kulgan, eles viajaram milhas e milhas, lidando com as mais diversas situaçoes, desde devoradores e alma até os formidáveis tsurani, povos de uma outra realidade e responsáveis pelo estado de caos nos reinos. Era uma viagem necessária, afinal, precisavam das tropas reais, e tantas mais fosse possível obter. O inimigo surgia em grande número. 

     Em Mago: Aprendiz, nos deparamos com a coragem dos anões, a elegância dos elfos, o funeral do dragão-mago, um possível encontro com Macros, o Negro, e a iminente guerra entre o povo de Midkemia e os tsurani. O mundo apresentado por Raymond E. Feist é uma invenção genial e complexa, com espécies digladiando umas com as outras, sustentando rivalidades milenares e, mesmo diante disso, mantendo a honradez de um povo inteiro.  



Narrativa: escrito em terceira pessoa, viajamos ao lado de todas as personagens, descobrindo suas virtudes e fraquezas. Com descrição e poesia equiparável aos grandes nomes da Literatura Fantástica, Raymond E. Feist consegue fazer de suas palavras uma âncora que nos arremessa nas profundezas de Midkemia. A narrativa foi essencial para provocar em mim todo o tipo de sensações, e certamente é esse tipo de escrita que as histórias precisam hoje para manter o leitor dentro da trama por tanto tempo.
Personagens: como não gostar de cada criação de Feist? Pug, pra começo de conversa, é um garoto de espírito livre, inseguro à sua maneira, e tem uma personalidade que encantaria qualquer leitor! Não é à toa que nos divertimos tanto em acompanhar o aprendiz de mago em suas aventuras. 
     Tomas, o leal amigo de Pug, é um dos mais corajosos que vamos ver por aqui. Sua lealdade aos amigos é incrível e, com certeza, é a personagem que mais cresce ao longo da história - claro que isso não ocorre de forma natural, mas melhor não dizer pra não me condenarem por spoiler (rs). 
     Carline é uma princesa arrogante, esquentada demais e com modos pouco femininos, mas tem um espírito tão livre quanto o de Pug, embora o título de princesa força a menina a reprimir seus instintos boa parte do tempo. 
     Kulgan é um mago sábio, com um humor que ganha a simpatia do leitor em questão de minutos. Sua sabedoria quase entra em conflito com seu lado infantil - quase. E sua relação com todos, inclusive com os príncipes de Crydee, são sempre muito informais. Detentor do respeito e da atenção de quase todos, apenas Martin do Arco parece não e inibir diante do título de mago. 
     Aliás, Martin do Arco é outro personagem sensacional. Embora não esteja dando as caras sempre ao longo da trama, quando resolve aparecer, tem a habilidade de roubar a cena. É uma personalidade forte, embora ela tenha oscilado um pouco desde a sua primeira aparição até a última. Ou seja, ainda não descobri muito desse sujeito.

    - Nenhum de nós tem a liberdade de sentir algo diferente daquilo que sentimos, Roland.                                                                                                                   página 347

Ambientação: a temporalidade é a mais clássica possível. Com ares equivalentes ao medieval, o mundo Midkemia se passa em tempos em que os territórios são divididos em ducados, reinos livres, províncias e florestas e montanhas habitadas por seres mágicos. É possível fazer algumas comparações com a Terra-Média de Tolkien, mas não há dúvida que Feist fez brotar sua própria fonte para criar seu mundo e apresentá-lo aos leitores com originalidade. Vales, lagos, florestas densas, reinos com castelos, pontes e grandes portões, tudo isso recheia o cenário de Midkemia. Os reinos estão sempre ali, unidos ou em disputa, como deve ser um universo fantástico épico. Eu não poderia escolher um lugar melhor para compor o fundo das aventuras de um heroi cavaleiro (ou mago, que é o nosso caso)!
Desenvolvimento: gostar de uma coisa não significa não enxergar seus defeitos. Mago é, pra mim, uma das melhores leituras do ano e provavelmente um dos melhores do gênero que já li em toda minha vida. Mas sua história é complexa, envolve muitos reinos e muitos acontecimentos. Acredito que a história merecesse muito mais do que 400 páginas e por isso, talvez, eu tenha sentido falta de mais detalhes. A forma como Feist desenvolve os duelos, as guerras, é incrível, mas acredito que tenha faltado um melhor detalhamento na transição do tempo, como o crescimento de Pug e Tomas. Claro que o fantástico épico não precisa ter mil páginas se quiser ser bom, mas Midkemia é um universo incrível, merecia mais detalhamento.
     Apesar disso, a forma como Feist conduz a narrativa é tão linda que eu não poderia dar menos do que cinco estrelas para a obra. O crescimento das personagens é trabalhada de forma coerente, e a maneira como o autor nos leva ao clímax é do jeito que tem que ser: sem aviso. Quando percebemos, opa, olha a ação aí. E os nomes? Ah, os nomes! A forma como os reinos, personagens e acontecimentos são nomeados... É como se isso fosse suficiente para nos fazer captar a essência da coisa. Pug é um nome ideal para o garoto e, embora não se pareça com um nome de mago (como Kulgan, por exemplo), cabe muito bem em um jovem destemido. Tomas nos trás a imagem de um garoto alto, cavaleiro e divertido, e ele de fato o é. Crydee, o nome do reino, nos trás a ideia de um povoado justo, onde há nem que seja o mínimo de honra guardada dentro de suas muralhas.
   
     Mago é um livro fantástico, em todos os sentidos. Recomendo não apenas como um simples leitor, mas como o mais novo fã de Raymond E. Feist. Agora é só praticar a paciência enquanto o segundo livro da saga não é lançado! \o

Ótima leitura!

Fiquem na Paz! =)


 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos