[Resenha] Mago: Aprendiz, de Raymond E. Feist

     Venha, bom amigo, tome um lugar ao redor da fogueira, aqui nós contamos as histórias que os bardos narram em tavernas, de cavaleiros que viveram e morreram lutando, de trolls que sentiram a força oculta de um jovem aprendiz de mago. aproximem-se porque, hoje, nosso contador de histórias é Raymond E. Feist, que desbravou reino após reino em Midkemia até que a história do jovem Pug pudesse ser revelada aos nobres leitores para quem escrevo.



Título: Mago - Livro 1: O Aprendiz
Autor: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 432
2013
     Midkemia é um mundo diferente do nosso - ainda bem! Habitado por trolls, goblins e elfos, e uma outra infinidade de criaturas mágicas, os homens tentam co-habitar em harmonia. Mas é claro que isso nem sempre é possível, conflitos de interesses sempre existiram, espécies com ódio mútuo, como os moredhel e os elfos (parentes que não se suportam nenhum pouco), ou os próprios homens com os Irmãos das Trevas. 


     Pug é o primeiro a ser apresentado. O jovem de treze anos estava na floresta, fora do reino de Crydee, estava prestes a ser pulverizado por um animal selvagem quando o caçador Meecham surge para ajudá-lo. Pug foi levado para a cabana do mago Kulgan, do reino de Crydee, e seu dreagonete-de-fogo Fantus. O menino jamais trocara mais do que algumas palavras com o mago de seu povo, mas naquele dia uma estranha relação se formou entre eles. Kulgan viu no garoto um potencial singular para as artes mágicas. Até mesmo Fantus se afeiçoou ao menino instantaneamente. 
     Ao lado dos amigos Carline, Tomas e Roland, Pug costumava viver sua rotina de órfão do castelo com certa resignação, era aquela sua vida e não lhe incomodava vivê-la como era imposta, embora fosse um caso incorrigível de travessuras. Mas os últimos acontecimentos mudaram sua vida, especialmente quando Kulgan escolheu o garoto como seu aprendiz de mago.
     Os meses se passaram, e o tempo era um aliado de ninguém. Kulgan, no entanto, começou a duvidar da habilidade do menino ao ver que Pug não respondia bem aos treinamentos, e por isso optou em deixá-lo á vontade para praticar seu mago interior por conta própria. E, quando Pug salvou a vida da Princesa Carline contra dois trolls usando sua mágica oculta, o mago do reino percebeu que, de fato, havia uma natureza incomum no menino, algo que valia ser cultivado.
     Uma guerra, enfim, pairou sobre os reinos de Midkemia. Uma ameaça de outro mundo - literalmente, um mundo paralelo - colocou em cheque a paz do reino de Crydee e, sem alternativas, o Lorde Borric precisou viajar para uma difícil conversa com o Rei. Acompanhado pelo mais novo escudeiro Pug, Tomas e o mago Kulgan, eles viajaram milhas e milhas, lidando com as mais diversas situaçoes, desde devoradores e alma até os formidáveis tsurani, povos de uma outra realidade e responsáveis pelo estado de caos nos reinos. Era uma viagem necessária, afinal, precisavam das tropas reais, e tantas mais fosse possível obter. O inimigo surgia em grande número. 

     Em Mago: Aprendiz, nos deparamos com a coragem dos anões, a elegância dos elfos, o funeral do dragão-mago, um possível encontro com Macros, o Negro, e a iminente guerra entre o povo de Midkemia e os tsurani. O mundo apresentado por Raymond E. Feist é uma invenção genial e complexa, com espécies digladiando umas com as outras, sustentando rivalidades milenares e, mesmo diante disso, mantendo a honradez de um povo inteiro.  



Narrativa: escrito em terceira pessoa, viajamos ao lado de todas as personagens, descobrindo suas virtudes e fraquezas. Com descrição e poesia equiparável aos grandes nomes da Literatura Fantástica, Raymond E. Feist consegue fazer de suas palavras uma âncora que nos arremessa nas profundezas de Midkemia. A narrativa foi essencial para provocar em mim todo o tipo de sensações, e certamente é esse tipo de escrita que as histórias precisam hoje para manter o leitor dentro da trama por tanto tempo.
Personagens: como não gostar de cada criação de Feist? Pug, pra começo de conversa, é um garoto de espírito livre, inseguro à sua maneira, e tem uma personalidade que encantaria qualquer leitor! Não é à toa que nos divertimos tanto em acompanhar o aprendiz de mago em suas aventuras. 
     Tomas, o leal amigo de Pug, é um dos mais corajosos que vamos ver por aqui. Sua lealdade aos amigos é incrível e, com certeza, é a personagem que mais cresce ao longo da história - claro que isso não ocorre de forma natural, mas melhor não dizer pra não me condenarem por spoiler (rs). 
     Carline é uma princesa arrogante, esquentada demais e com modos pouco femininos, mas tem um espírito tão livre quanto o de Pug, embora o título de princesa força a menina a reprimir seus instintos boa parte do tempo. 
     Kulgan é um mago sábio, com um humor que ganha a simpatia do leitor em questão de minutos. Sua sabedoria quase entra em conflito com seu lado infantil - quase. E sua relação com todos, inclusive com os príncipes de Crydee, são sempre muito informais. Detentor do respeito e da atenção de quase todos, apenas Martin do Arco parece não e inibir diante do título de mago. 
     Aliás, Martin do Arco é outro personagem sensacional. Embora não esteja dando as caras sempre ao longo da trama, quando resolve aparecer, tem a habilidade de roubar a cena. É uma personalidade forte, embora ela tenha oscilado um pouco desde a sua primeira aparição até a última. Ou seja, ainda não descobri muito desse sujeito.

    - Nenhum de nós tem a liberdade de sentir algo diferente daquilo que sentimos, Roland.                                                                                                                   página 347

Ambientação: a temporalidade é a mais clássica possível. Com ares equivalentes ao medieval, o mundo Midkemia se passa em tempos em que os territórios são divididos em ducados, reinos livres, províncias e florestas e montanhas habitadas por seres mágicos. É possível fazer algumas comparações com a Terra-Média de Tolkien, mas não há dúvida que Feist fez brotar sua própria fonte para criar seu mundo e apresentá-lo aos leitores com originalidade. Vales, lagos, florestas densas, reinos com castelos, pontes e grandes portões, tudo isso recheia o cenário de Midkemia. Os reinos estão sempre ali, unidos ou em disputa, como deve ser um universo fantástico épico. Eu não poderia escolher um lugar melhor para compor o fundo das aventuras de um heroi cavaleiro (ou mago, que é o nosso caso)!
Desenvolvimento: gostar de uma coisa não significa não enxergar seus defeitos. Mago é, pra mim, uma das melhores leituras do ano e provavelmente um dos melhores do gênero que já li em toda minha vida. Mas sua história é complexa, envolve muitos reinos e muitos acontecimentos. Acredito que a história merecesse muito mais do que 400 páginas e por isso, talvez, eu tenha sentido falta de mais detalhes. A forma como Feist desenvolve os duelos, as guerras, é incrível, mas acredito que tenha faltado um melhor detalhamento na transição do tempo, como o crescimento de Pug e Tomas. Claro que o fantástico épico não precisa ter mil páginas se quiser ser bom, mas Midkemia é um universo incrível, merecia mais detalhamento.
     Apesar disso, a forma como Feist conduz a narrativa é tão linda que eu não poderia dar menos do que cinco estrelas para a obra. O crescimento das personagens é trabalhada de forma coerente, e a maneira como o autor nos leva ao clímax é do jeito que tem que ser: sem aviso. Quando percebemos, opa, olha a ação aí. E os nomes? Ah, os nomes! A forma como os reinos, personagens e acontecimentos são nomeados... É como se isso fosse suficiente para nos fazer captar a essência da coisa. Pug é um nome ideal para o garoto e, embora não se pareça com um nome de mago (como Kulgan, por exemplo), cabe muito bem em um jovem destemido. Tomas nos trás a imagem de um garoto alto, cavaleiro e divertido, e ele de fato o é. Crydee, o nome do reino, nos trás a ideia de um povoado justo, onde há nem que seja o mínimo de honra guardada dentro de suas muralhas.
   
     Mago é um livro fantástico, em todos os sentidos. Recomendo não apenas como um simples leitor, mas como o mais novo fã de Raymond E. Feist. Agora é só praticar a paciência enquanto o segundo livro da saga não é lançado! \o

Ótima leitura!

Fiquem na Paz! =)


Novo Conceito! lança "O presente", de Cecelia Ahern

     Alô, amigos Inspirados!
   
     Hoje temos mais uma novidade da editora Novo Conceito! Esse mês alguns nomes best-sellers estão levando o selo da editora e, claro, não poderiam deixar de fora a escritora Cecelia Ahern, autora de "P.S. Eu Te Amo"!

   
     "O Presente" é mais um livro que pega carona no clima natalino para levar aos leitores um romance diferente.
     Lou Suffern é um empresário rico e atarefado demais para se importar com família ou vida pessoal. O trabalho, na verdade, é a única coisa que preenche sua mente. Mas as coisas mudam quando o homem conhece Gabe, um mendigo que parece conhecer bem demais os trâmites e melindres da empresa.
     Esse encontro acaba dando a Gabe um emprego e ao Lou, uma mente brilhante para ajudar no ramo empresarial. O que o empresário atarefado, não sabia, é que esse encontro iria transformar sua vida, fazê-lo pensar sobre o que estava perdendo e o que é verdadeiramente importante. Sua visão de mundo e as provações sofridas vão mudar Lou Suffern permanentemente.

"Um romance sensível sobre o que realmente vale a pena"
Para acessar a página da editora com material do livro, clique >AQUI<
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     E aí, bora curtir um romance no clima jingle bells?
     Ótima leitura, fiquem na Paz!

Debbie Macomber está de volta! - Novo Conceito!

Alô amigos Inspirados!

      Você já ouviu falar no livro A Pousada Rose Harbor (resenha AQUI)? Pois é! A parceiríssima editora Novo Conceito resolveu que era hora de trazer mais um título dessa escritora sensacional.

     A história tem como protagonista um trio de anjos, Shirley, Goodness e Mercy. Acontece que elas não estão sozinhas. Will, o anjo aprendiz, acaba se juntando ao grupo para realizar os preparativos para o Natal. E, para tornar a data ainda mais especial, os anjos vão interferir no destino amoroso de Lucie e Aren.
     O problema é que o casal acaba não se encontrado mais, e só o tempo para realinhar suas vidas num caminho único, quando Lucie já é uma chef de cozinha respeitada e Aron, um crítico de gastronomia. Anjos À Mesa é um livro sobre o romance gastronômico no ritmo natalino, e o prato principal é  o amor, com porções para encher a mente de todos os leitores! 

     Então nada de deixar essa leitura escapar. Se você gosta de Natal tanto quanto gosta de romances, então essa é a pedida perfeita para sua leitura!



     A autora foi listada sete vezes encabeçando a lista dos best-selles do The New York Times, e agora temos a oportunidade de ter mais uma leitura renomada em nossas estantes. Aproveita o clima de Natal, pede aquela tia - aquela que sempre te dá um par de meia - pra te presentear com o novo livro da Debbie. Livros são sempre melhores do que meias! 

Para mais informações, acesse o site, e saiba um pouco mais sobre o romances de Debbie Macomber, mais um título best-seller aos cuidados da Novo Conceito!
clice AQUI e saiba mais!

Tenham uma ótima leitura!

[Resenha] Divergente - Veronica Roth



Imagine uma sociedade em que as pessoas fossem divididas em grupos, de acordo com as características de cada um. Agora, imagine esse mundo dividido em apenas cinco "categorias": Audácia, Abnegação, Franqueza, Amizade e Erudição. E, uma vez que você pertença a esse grupo, suas ações devem refletir o que ele representa. Assim, alguém da abnegação deve sempre pensar no outro em primeiro lugar. Quem for da franqueza nunca mente, mesmo quando a verdade ofende. Além das ações, o modo como ela se veste ou vive também reflete as condições de seu grupo, de modo que alguém da Abnegação vive nas condições mais simples possíveis, e os que são da Audácia estão sempre em aventuras e correndo perigo. Você consegue se imaginar em um mundo assim, com regras tão rígidas, ou agindo baseado em uma das muitas características que te fazem ser quem é?  É assim que todos vivem em Divergente, primeiro livro da trilogia distópica de Veronica Roth.

 
As pessoas do mundo distópico de Veronica são obrigadas a optar por um único estilo de vida. Só que elas podem optar. Aos dezesseis anos, todos passam por um teste, que lhes ajudará a decidir em que grupo ficar, e depois desse teste, que é tipo um teste vocacional, eles optam por um estilo de vida que vão levar até o fim dos seus dias. E é nessa situação que Beatrice, a protagonista dessa história, se encontra. Seus pais são da abnegação, portanto, até aquele ponto da sua vida, ela só sabe como é a vida entre as paredes cinzas de sua casa. Vivendo com muita humildade, se vestindo de maneira simples, abrindo mão de coisas em prol dos outros, sempre de cabeça baixa, nunca contestando. 
Só que ela não é exatamente uma fã desse estilo de vida.


O problema é que, uma vez que escolha seu caminho, ela nunca mais pode voltar atrás. Afinal de contas, o lema deles é "facção antes do sangue". Se for o caso, você larga sua família e as pessoas que ama para seguir seu destino. Por isso, quando se depara com o momento da escolha, Beatrice acaba ficando mais nervosa do que imaginava. Ela não queria abandonar seu irmão e seus pais, mas ao mesmo tempo não conseguia aguentar a visão de seu futuro na Abnegação. Isso tudo só piora quando, ao fazer o teste, seus resultados são inconclusivos. É ai que ela descobre algo que não deveria nem mesmo existir: algumas pessoas são consideradas Divergentes, porque suas aptidões são reflexos de mais que um único grupo. 
Ajudou bastante esse teste, repararam?



Acontece que Beatrice opta por ir para a Audácia. Só que, assim que começa a andar com sua nova facção, ela descobre que nem tudo está definido ainda: ela precisa passar por uma prova final, feita pelos membros da Audácia. Caso ela não passe, vira uma sem-facção, vivendo nas ruas sem um teto ou possibilidade de trabalho, renegados por todos. E é nessa prova que ela se torna Tris, uma menina corajosa, que sabe o que quer e corre atrás. Uma vez na Audácia, ela conhece Quatro, o instrutor de seu grupo. Ele para ríspido no início, mas acaba se revelando uma pessoa diferente por dentro da que ele deixa aparentar por fora. E, enquanto luta para se manter em sua nova facção, ela descobre que uma guerra está para acontecer, e que o destino está mais incerto que nunca. 


Veronica Roth criou uma dimensão distópica muito bem estruturada. A narrativa flui, e passa bem longe de ser maçante. É ótimo ver a mudança de Tris, e suas descobertas nesse mundo novo e audacioso (nossa, que comparação inteligente :) ). É tudo bem amarrado, então você fica na expectativa, na ansiedade, até o fim do livro. Fim do livro esse que te deixa mais ainda na expectativa, te contar. Se você é daqueles que adora um mundo fictício e seus desdobramentos, vai gostar de Divergente. Eu terminei o livro tentando imaginar em que facção eu entraria. Leia, e venha compartilhar comigo a agonia de não saber o que acontece até o próximo livro (que já foi publicado no Brasil, e eu ainda não comprei). 
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos