[Resenha] Um Lugar Para Ficar - Deb Caletti

Olá, amigos Inspirados!

     Seria muito bom se pudéssemos conhecer o que há de pior nas pessoas. Talvez seja essa uma afirmação meio estranha de se fazer, é claro que devemos ver o melhor! Mas e se, nessa balança de prós e contras, você sair perdendo? Em alguns momentos nos envolvemos com pessoas erradas, investimos em relacionamentos errados. Podemos sair machucados, e não é apenas uma metáfora. Machucados de verdade.



Alguns segredos são fortes o bastante para destruir você.

Título: Um Lugar Para Ficar
Autora: Deb Caletti
Editora: Novo Conceito
272 páginas


     Clara Pea e seu pai se tornaram companheiros e amigos, desde a morta da mãe. Havia poucos segredos entre eles, pelo menos era assim que pensava Clara. Mas sua vida não se resumia a isso. Os romances da juventude prometiam ensiná-la a viver. O problema foi a maneira como ela viveu cada uma dessas lições.
     Conhecer Christian, a princípio, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Mas, passado algum tempo, o relacionamenteo ficou complicado, o rapaz amava de uma forma possessiva e, Clara percebeu tarde demais, doentia. A fim de fugir desse trauma, ela e seu pai fazem uma viagem de verão para uma casa na praia, uma região onde os fantasmas do passado mantinham-se à espreita. Muitos segredos se entrelaçam nesse romance e, para respirar livremente outra vez, Clara vai precisar dar muitas braçadas contra a maré. Nesse processo, ela acaba dando mais uma chance a si mesma, mais uma chance para se apaixonar.

     A obra de Deb Caletti apresenta uma organização um pouco diferente. Os capítulos se alternam entre os acontecimentos antes da viagem e após a viagem. Num momento estamos vivenciando o momento em que Clara conhece o jovem Christian. No capítulo seguinte, ela está no faro da praia tentando esquecer o seu passado assustador com o rapaz problemático. Outro detalhe diferente são as observações do rodapé das páginas. Não se tratam de anotações tércnicas sobre palavras estrangeiras ou informações geográficas. São as próprias anotações de Clara, como pensamentos à parte que, embora não alterem a compreensão da história, dão bastante originalidade à estrutura da obra.
     Em resumo, Um Lugar Para Ficar é um drama fictício que revela como o amor às vezes pode machucar, de muitas formas. Escrito em primeira pessoa, é narrado sob a ótica de Clara Pea. Não posso dizer que é um clichê, mas o drama está longe de ser único. Em alguns pontos a leitura tende a querer ficar monótona, mas é interessante observar que todos os capítulos acrescentam uma informação relevante à história, sempre nos fisgando quando estamos começando a nos distanciar. O gênero é direcionado especialmente para o público feminino, alguns trechos são bastante açucarados e românticos, principalmente quando Clara descreve seus sentimentos quanto aos namorados que teve.
     Clara é uma personagem bipolar, ao meu ver. Embora se diga tímida e demonstre isso às vezes, geralmente age como se pudesse controlar a situação entre ela e um pretendente, uma confiança incomum em pessoas tímidas. A autora usa constantemente o "não sei porque fiz isso" para justificar algumas tolices da protagonista e, na minha opinião, é uma falha de criatividade. Usar o argumento de "não se pode explicar" ou "alguma coisa me disse para fazer assim" é uma maneira pouco imaginativa de dar linha ao enredo, mas a autora soube trabalhar a composição das personagens e criou uma atmosfera aconchegante ao longo da trama.
     Sob um ponto de vista amplo, a leitura é bem agradável, bem rápida, mas tende a nos fazer ficar acostumados com leituras fáceis. É o tipo de romance que, depois de lido, pede por uma leitura mais clássica. Recomendo pelo prazer que a leitura de Um Lugar Para Ficar me trouxe. Afinal, todos precisamos de um lugar só nosso, e nada como uma boa leitura ao lado de Deb Caletti para encontrarmos um lugar assim. =)
 

     - Pea. - Ele suspirou como se achasse que eu não tinha conserto, e me olhou seriamente - Não podemos ficar tão envolvidos em nossos próprios equívocos a ponto de perder a beleza simples da verdade.
Capítulo 25 - página 265  


Uma ótima leitura! Fiquem na Paz!

Viajando Pelas Páginas, por Tullia Maria

Olá, Inspirados!!
O “Viajando” de hoje é sobre um dos meus lugares preferidos no mundo!! E, acredito eu, encantará vocês também!!
Prontos para conhecer um pouquinho da cidade de Romeu e Julieta?
Então vamos para o Norte da Itália...
Grande beijo,
Tullia Maria




O Cenário de Romeu e Julieta 

Ah!! A história de Romeu e Julieta desperta paixões no mundo inteiro. Mas será que a cidade em que a história se passa tem alguma coisa a ver com isso? Verona, com toda a certeza, é um cenário inspirador e guarda grandes tesouros arquitetônicos, muitos dos quais, inclusive, já existiam na época da rivalidade entre os Montecchio e os Capuleto.
Para os que desejam imaginar como era a cidade no século XVI, um ótimo ponto de partida é a Arena de Verona, localizada na Piazza Bra, lugar de passagem da maioria dos ônibus. Esse anfiteatro, construído a cerca de 2000 anos atrás, carrega marcas da arquitetura da Roma Antiga e é usado atualmente para apresentações teatrais e óperas.

Perto dali, há a Piazza Delle Erbe, praça que possui construções de diversos períodos históricos. Sede do fórum romano de Verona, o local se transformou, durante a Idade Média, em uma feira de ervas e hoje abriga barracas de souvenires. Lá, o turista encontrará os mais diversos tipos de lembrancinhas, com preços que variam bastante de um vendedor para outro.
Um lugar pelo qual os turistas vão decididamente se encantar é o Castelvecchio, que nos remete aos antigos castelos medievais. Abrigando um museu, o monumento conta ainda com umas das mais famosas pontes de Verona, a Scaligero, que se estende sobre o Rio Adge.
Também localizados à margem e sobre o Rio Adge estão o Teatro Romano (em ruínas) e a Ponte Pietra. O primeiro, apesar do estado, se tornou local de diversas apresentações e shows. Já a ponte, que foi destruída durante a guerra, foi reconstruída segundo os moldes da original e segue o modelo da Roma Antiga.
Remontando à época de Romeu e Julieta há ainda uma infinidade de arcos e igrejas. Alguns exemplos?  A Igreja de San Zeno (padroeiro da cidade), a Basílica de Santa Anastasia, os portões da Bra... Cada um com suas peculiaridades!

Visitar a terra do famoso casal e não procurar todos os seus cenários, é praticamente um pecado. Três lugares são indispensáveis: a Casa de Julieta, a Casa de Romeu e a Tumba de Julieta. A primeira recebe milhares de visitantes todos os anos e é, com toda certeza, o principal ponto turístico associado à história. Nela é possível ver o famoso balcão dos namorados, tirar foto ao lado da estátua da protagonista e escrever na parede o seu nome e o do seu amado, torcendo para que o amor de vocês seja eterno como o do jovem casal.

Aproveite ainda para visitar os monumentos “mais novos” da cidade e aproveitar as belezas naturais do local, que conta com montanhas, rio e lago (o maior da Itália). Verona pode lhe proporcionar deliciosos momentos e provar que, apesar da fama, ela é muito mais que a cidade de Romeu e Julieta.


Novidade Novo Conceito - O Reino, Clive Cussler

Depois do incrível lançamento da Novo Conceito - O Espião, de Clive Cussler - eis que uma super novidade me aparece!

     Bem, antes de mais nada preciso dizer que O ESPIÃO (resenha) é um dos meus livros favoritos. A primeira obra do autor publicada pela Novo Conceito narra um esquema gigantesco de sabotagem antes da Primeira Guerra, um caso solucionado pelo detetive Isaac Bell.



     Mas a NC, decididamente, não achou de bom tamanho e, por isso, resolveu publicar O REINO, mais uma incrível obra de Cussler.
     Um dos pontos positivos é a arte da capa. Começando por aí temos essa cara de HQ meio vintage. A primeira vez, pensei até que a editora estava iniciando alguma coisa com quadrinhos (kk'). Mas como julgar o livro pela capa vai contra os princípios do provérbio popular, o melhor a fazer é ler. Se O REINO for tão bom quanto O ESPIÃO, então só temos a ganhar!



     Em O REINO, Cussler nos apresenta Sam e Remi Fargo, um casal apaixonado em caça ao tesouro. E, embora fosse esse o talento deles, um pedido urgente de um barão de petróleo do Texas os leva a caçar, não um tesouro, e sim um inverstigador que havia desaparecido. Este, por sua vez, fora contratado para localizar o pai do barão. Ou seja, Sam e Remi deveriam encontrar duas pessoas, uma experiência que nunca tiveram até aquele momento. Metendo-se em viagens até Nepal, China e Bulgária, eles vão se envolver em problemas ainda maiores do que o desaparecimento do detetive. Envolver-se nessa trama pode ser perigoso. E aí? Tem disposição para se aventura em O REINO





A editora NC ainda tem muitos outros lançamentos! Fiquem por dentro, em breve veremos mais!

Uma excelente leitura a todos, fiquem na Paz!


[Resenha] Guerreiros da Esperança - Andrea Hirata

Olá, amigos leitores!

     O livro que irei resenhar, hoje, não é uma ficção científica, nem um universo fantástico com dragões e princesas clamando por seu bravo cavaleiro de armadura reluzente. Nada disso está escrito nas páginas de "Guerreiros da Esperança", cortesia da nossa parceira Editora Arqueiro. O que vemos nessa obra vai muito mais além... Trata-se de uma ficção que poderia muito bem ter acontecido bem longe daqui. Para ser mais exato, na Indonésia.



"Onze crianças e o sonho de que a educação mude suas vidas"

Título: Guerreiros da Esperança
Autor: Andrea Hirata
Editora: Arqueiro
280 páginas


     Num lugar onde a maior parte da população é resumida em mineiros e pescadores, poderia a educação proporcionada por uma simples escola de aldeia mudar a vida de onze garotos?
     Andrea Hirata trouxe uma deliciosa proposta de como o ensino, quando ensinado com paixão, pode transformar a vida das pessoas. A história tem seu início em Belitung, uma ilha da Indonésia, uma região com muitos recursos naturais e uma população cuja minoria desfrutava dessa riqueza.
     Narrado por Ikal, um aluno da pequena escola de aldeia, o menino conta as peraltices e descobertas, conta como se apaixonou pela escrita e, também, pela jovem A Ling. Ao lado de muitos amigos, entre eles Harum, um menino com síndrome de Down e com um coração do tamanho do mundo, Ikal desbrava seu familiar universo sob uma ótica diferente, enxergando seu país com uma nova lente: o "conhecimento", presentes de Bu Mus (a professora generosa) e Pak Harfan (o diretor apaixonante).
     Guerreiros da Esperança nos revela o óbvio: somos diferentes, mas, juntos, somos um igual e perfeito ser, todos temos nossos pontos fortes e, se nos mantemos em hamornia, as qualidades de uns podem sobrepor o defeito de outras, como se a amizade pudesse compensar o defeito de cada um e, da mesma forma, acentuar o que há de positivo. Na pequena escola Muhammadiyah, cada um tinha o seu talento e, como professores eficientes que eram, Bu Mus e Pak Harfan tentavam desenvolver o que há de melhor em suas crianças. Ikal narra, de forma simples e igualmente cativante, como é viver na pobreza de um país que sofre com a corrupção e o ostracismo das crianças pobres. Os garotos descobriram, juntos, o valor da amizade, o preço de suas ações e, principalmente, a extraordinária mudança que a educação pode fazer em suas vidas.
     Envolvente, é a principal qualidade da obra. Andrea Hirata consegue nos fazer rir, nos comover, consegue transformar cenários simples em um verdadeiro espetáculo. Não apenas isso, o livro traz muitas informações sobre como a vida na Indonésia pode ser difícil, viver em uma terra fértil que, no entanto, alimenta apenas os que possuem mais dinheiro.


"Nós, nativos de Belitung, éramos como um bando de ratos famintos num celeiro cheio de arroz"
página 25


     São muitos os personagens que nos marcam. Um dos meus preferidos é Lintang, o menino prodígio com um Q.I. extraordinário e um amor incomum pelo aprendizado. Sua história de vida nos comove do início ao fim, um garoto pobre cujos pais venderam a aliança de casamento para dar condições ao filho de estudar. Ele foi um verdadeiro professor nessa história, pois é capaz de ensinar aos leitores que aprender sempre nos dá algum retorno, e sempre positivo.
     Flo é uma aluna de família mais bem endinheirada que, incapaz de se adequar aos padrões de sua escola, decide ir para a pequena escola na aldeia. Um dos pontos negativos (acho que esse foi o único) foi a superficialidade com que o autor lidou com essa personagem. Flo poderia ter sido bem mais explorada, mesmo porque tem uma personalidade forte e com potencial para se destacar ao longo do enredo. Mesmo que isso não tenha acontecido, ela é uma de minhas preferidas.
     Bu Mus, a professora, ganha cada vez mais espaço na história, especialmente após a metade do livro, quando ela se vê na posição de salvar sua escola da demolição. Não foi difícil ficar encantado com essa pergonagem, cheia de vida e altruísmo.


"Embora fosse miseravelmente pobre, Bu Mus jamais se deixara deslumbrar pelo dinheiro"
Página 218


     Ler Guerreiros da Esperança me fez pensar em como temos sorte, e em como temos muito o que valorizar em nossa cultura. Penso que a leitura deve, principalmente, nos despertar o interesse por mais leitura. E foi o que Andrea Hirata fez em sua obra. Eu fiquei tão intrigado com a paixão de Ikal pela sabedoria, e tão comovido com o eterno sorriso de Harum! Uma leitura mais do que recomendada. Pra quem gosta de se emocionar com uma boa leitura, então, vale muito a pena!

Guerreiros da Esperança é o primeiro livro da série Laskar Pelangi. Não vejo a hora de dar continuidade a uma saga diferente, onde o objeto dos heróis é uma educação de qualidade.

Boa leitura, fiquem na Paz!   

  
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos