
Título: A Filha da Minha Mãe e Eu
Autora: Maria Fernanda Guerreiro
Editora: Novo Conceito
272 páginas
~~***~~
"Mesmo quem nos ama às vezes não consegue ver quem realmente somos"
~~***~~
Mariana é caçula, tem um irmão, Guga, cheio de problemas de comportamento, uma mãe dura feito pedra e um pai mole feito manteiga. Protagonizando a história, ela passa a vida em meio a questionamentos, perguntando o motivo de seu relacionamento com a mãe ser tão diferente, sentindo-se a filha preterida, incompreendida, amada apenas pelo pai, Tito. Dona Helena, mãe durona, jamais demonstra amor, pelo menos não de forma afetuosa. Mariana precisa se apegar aos pequenos gestos para se sentir amada e, durante sua jornada como filha, ela descobre que precisa ser diferente, ou pelo menos aceitar que aquela relação é a melhor que poderia esperar.
Depois de muito tentar, ela encontra um novo caminho, ela precisa rever seus conceitos como filha e, só então, seguir adiante. Com o relacionamento contubardo dos pais, o vício do irmão e a inseguração de Mariana, a família vai precisar encontrar força em outras bases familiares para se manter de pé e, com um pouco de Fé, eles seguem, até o final feliz.
~***~
"Quando vi duas listras azuis no teste de gravidez, tive uma certeza: preciso me sentir filha antes de me tornar mãe. Porque uma parte de minha alegria era inventada e, a outra, não era minha."
Capítulo 1, página 7
~***~
Narrado em primeira pessoa, Maria Fernanda Guerreiro cria uma história comovente escrita sob a ótica da jovem Mariana. A autora utiliza abordagens psicológicas para traçar o comportamento das personagens, às vezes óbvio demais, outras vezes bastante profundo. A obra nacional enquadrou-se muito bem na literatura jovem que a juventude brasileira vem abraçando e acredito, inclusive, que A Filha da Minha Mãe e Eu entrou por outra porta nessa categoria. Usando de um romance psicológico com uma visão voltada pra realidade, Maria Fernanda criou uma história agradável e cativante. Eu ainda não tinha me deparado com esse estilo, não numa proposta tão íntima ao leitor. Ler a obra me fez repensar o fato de sempre buscarmos uma relação que, se fosse diferente, poderia ser tóxica. Em alguns momentos basta saborear a ligação que temos. Ela pode não ser perfeita, mas é sólida e conhecida, não precisamos pisar em ovos se abraçamos o elo sem esperar coisas maiores do que o outro lado pode nos oferecer. E, mais importante, não devemos cobrar algo a mais quando nós mesmos não somos capazes de retribuir.
A história não está bem encaixada no meu estilo literário preferido, sou do fantástico e da ficção, mas posso dizer que foi uma leitura que valeu a pena a cada virada de página. Você pode tirar suas conclusões a partir da reflexão de Mariana sobre o que é família e, sem perceber, pode acabar questionando a si mesmo.
E, claro, eu não posso me despedir sem citar o carisma como ingrediente principal usado para moldar as personagens. Com diálogos típicos e abrasileirados (o que é difícil na literatura nacional, uma vez que somos bombardeados pela cultura norte-americana até mesmo nos livros 'de casa') A Filha da Minha Mãe e Eu é o tipo de livro cujos personagens deixam uma saudade quando 'vão embora'!
Uma ótima leitura, fiquem na Paz! xD












