Resenha - Eu Sou o Mensageiro

Alô, gente bonita e cheirosa! Cá estou eu para resenhar mais um livro. Um dos que eu queria ler já há algum tempo. Vamos nessa?

Antes de mais nada, quero explicar o motivo pelo qual escolhi a música que está tocando. Fake Plastic Trees. Simplesmente entraram em sintonia. Enquanto eu lia, a música tocava, e ficou assim, combinando legal. Espero que gostem.

    Algumas leituras provocam uma estranha sensação na gente. Eu Sou o Mensageiro é uma delas. O livro me deixou incomodado mesmo, do tipo "tá beleza, eu não sei o que pensar". Confesso que, a princípio, não gostei. Não sei o que foi. Acho que o fato de ser uma novidade pra mim. A escrita é diferente, muitos parágrafos frasais (isso não é um defeito, mas no início, a novidade incomoda os olhos), e uma narração "marginal". É preciso ler para entender. Mas, se ler, não pare nos primeiros capítulos. Porque quando você continuar, vai perceber que a história te ganha sem nem mesmo fazer força. Ela me ganhou.
    Especialmente no último capítulo.
    E não se esforçou nadinha. Molinho, que nem sorvete.
    Fiquei feliz. De verdade. Pra caramba.
    Penso que é melhor irmos pra resenha.
    Anda logo, cara. Ok. 

Título: Eu Sou O Mensageiro
Autor: Markus Zusak
Ano: 2008

    Ed Kennedy. Um sujeito que tava mais pra lixo social. Não que ele fosse ruim. Ele estava ruim, e essa é a diferença. Sua vida, cheia de mistério e aventuras meio descabidas, mostra que podemos mudar, mas que não é fácil, pois requer que ultrapassemos limites que não estamos acostumados nem a avistar no horizonte. Um jovem, incompletos vinte anos, taxista, filho fracassado. Ovelha negra. Mas nada fica estático. Chega uma hora que as coisas precisam mudar. E mudam.
    Ed tava num baita azar naquele dia.
    Tudo porque entrou no banco na hora errada.
    Ou não.
    O fato é que a situação mudou sua vida pra sempre. E ele se orgulha pra caramba disso.

    Ed, Audrey, Marv e Ritchie -todos grandes amigos e jogadores natos de cartas - estavam deitados no chão do banco, enquanto um sujeito meio descontrolado apontava a arma pra cabeça de todo mundo e fazia o que se podia chamar de assalto irreverente. Nesse dia, por pura sorte - ou seria azar - a situação não estava boa para o bandido, e Ed conseguiu impedir a fuga do ladrão.
    É isso aí, Ed. Você é um herói.
    Não enche.
    Eu só tô dizendo, chapa.

   Desse dia em diante as coisas começam a mudar na sua vida. Não um pouquinho, mas muito. Um dia ele encontrou na sua caixa de correio uma carta de baralho. Era um ás de ouro. E nela três endereços estavam escritos. Apenas  isso. Ed Kennedy sentiu que, por trás dos nomes de ruas e números, havia um desafio, um chamado que o impedia de ignorar o misterioso objeto nas suas mãos. Uma família assombrada pela brutalidade do pai, uma senhora doente e uma corredora que buscava a liberdade dos pés. Esses eram os primeiros desafios. Os primeiros a receberem a mensagem que Ed fora incubido de levar. Ele só não sabia por quem. Mas são muitas perguntas e, enquanto não encontra quase nenhuma resposta, ele se vê entrando na vida dessas pessoas, de algumas apenas pelas beiradas, de outras mergulhando a fundo, conhecendo até mesmo os arrependimentos da alma. Em determinado momento, ele terá que tomar até mesmo a difícil decisão, sobre a vida de uma pessoa, se ela merece viver. Ou não.
    Mas o ás de ouro não é sua única missão. Após ela, vem o ás de paus, e então o de espada. Por fim, copas. O coração do baralho.
    Difícil, hein?
    Muito.
    Pior. Em determinado momento, ele terá que se envolver em problemas das pessoas mais próximas, ajudá-las de alguma forma, e a cada missão, sua alma toma uma nova forma. Até o momento em que Ed Kennedy não é mais um homem morto.  

    Eu Sou o Mensageiro é uma obra que retrata a transformação. É impossível não sentir simpatia pelo jovem taxista, preso na pele de um cidadão sem perspectiva. Seu destino prometia algo triste, mas alguém decidiu que era hora de mudar isso. Usando as cartas e outras pessoas como ferramenta, esse alguém vai apontar a direção certa que Ed deve tomar e, tomando difíceis decisões, ele vai correr muito até encontrar a si mesmo. Usando metáforas profundas e expondo sua alma cruamente, Ed Kennedy narra sua aventura e seu papel no mundo como mensageiro, ajudando pessoas, algumas vezes com simples atitudes, outras vezes revolucionando vidas que jamais cruzaram o seu caminho.
    No fim, você vai descobrir. Vai se surpreender com quem, realmente, é o destinatário de todas essas mensagens.
    E aí a ficha cai...


    Espero que gostem da resenha, amigos. Tentei me misturar ao clima do livro - estou preso nele até agora, é uma sensação incrível - para trazer uma resenha mais narrativa. Espero que gostem do livro, é mesmo uma boa história. E não se preocupe, a sensação de "será mesmo que eu gostei?" só demonstra uma coisa. O livro é bom demais pra receber alguma qualificação. Porque, afinal, é uma mensagem. Ela não precisa ser boa, ou ruim. Só precisa chegar ao seu destino.
    Não arrependi nenhum um pouco.
    Valeu cada segundo lendo.
    É isso aí, chapa.
    É, sim.

Boa leitura amigos!
   







Radio Head - Fake Plastic Trees
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos