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[Resenha] Aconteceu em Veneza, de Molly Hopkins


Quando comecei Aconteceu em Veneza, não sabia que o livro era uma continuação de Aconteceu em Paris. Achei que seria só mais uma trilogia em que os livros são conectados pelos personagens. Talvez a leitura tivesse feito mais sentido se eu tivesse lido o primeiro. Mas Aconteceu em Veneza foi o suficiente mesmo sem eu saber o que aconteceu antes dele. 

Evie, a personagem principal, foi traída por seu noivo, Rob. Ela o perdoou, mas não esqueceu a traição. E olha, como ela queria esquecer! Agora eles estão aproveitando as férias nas areias de Barbados mas, quando voltam a Londres, não vai ser só a infidelidade de Rob que será um problema para os dois. 

O grande negócio dos livros de Molly parecem ser os personagens. Independente de onde a história se passa – a maior parte dessa se passa em Londres e não em Veneza!- os personagens são o que realmente fazem a história toda valer a pena. E olha, temos montes deles nessa história!

Evie, por exemplo, parece ter sido, em algum momento de sua vida, uma pessoa que corria atrás do que queria. Mas agora ela parece estar sempre insegura, oscilando entre a força e a fragilidade com uma facilidade espantosa. Mas ela também é muito divertida, e faz com que a narrativa seja bem leve. 

Rob é um cara bem controlador, daqueles ciumentos que querem que a namorada sejam só deles e de mais ninguém, sabe? Bem irritante. Além deles, temos Lexy, a irmã de Evie, que tem gêmeas com as personalidades mais opostas do mundo. Temos Nikki, o dono do bar onde Evie, que é guia turística, ocasionalmente trabalha.Tem também a Lulu, uma daquelas personagens irritantes que te fazem ama-la mesmo assim, sabe? Ela é egoísta, mas também é divertida, e a gente passa o tempo todo numa relação de amor e ódio por ela.
Achei a escrita de Molly bem leve, o que fez as 500 páginas não serem tão eternas assim. Como os personagens tem muita personalidade, a história te pega e não te larga até o ponto final. A diagramação é tranquila, mas essa capa, minha gente, é horrorosa. Daquelas que eu esconderia se viesse visita na minha casa. A original é com uma ilustração fofinha que eu gostei muito mais. Mas nem tudo é perfeito.

Ah, e não espere ter uma overdose de Veneza: o livro se passa, quase todo, em Londres. Mas quando Veneza aparece, ah, é perfeito. Faz sentido o título ser esse, e você não pode fazer nada mais que ficar feliz. 

É uma boa leitura, boa o bastante pra me fazer querer ler o primeiro livro da trilogia. Vamos ver se eu me apaixono mais um pouquinho por esses personagens.

[Resenha] A Namorada do Meu Amigo, de Graciela Mayrink

Se existem três amigos que não se separam, esses são Beto, Caveira e Cadu. Desde crianças esses três rapazes compartilham todos os seus momentos uns com os outros e são tão unidos que, logo cedo, foram apelidados de três mosqueteiros pelos vizinhos. A única coisa que irrita a eles é Juju, vizinha deles, que vive andando atrás deles pra onde quer que eles fossem. Até de D’Artagnan ela queria ser chamada, só pra ser parte da eterna brincadeira dos meninos. Só que esse incomodo diário acaba quando Juju muda de cidade, e os meninos não precisam mais se preocupar com ela.

Oito anos depois, a vida continua a mesma, pelo menos no que diz respeito à amizade dos rapazes, porque no resto as coisas estavam bem diferentes. Cadu acaba de voltar da viagem que faz todos os anos para a casa de sua mãe em Florianópolis, e quando volta, ele descobre que as coisas não são mais tão as mesmas... Juliana, a pirralha chata de sua infância, está de volta. E Beto está namorando, logo o Beto... e, como se não desse pra ficar pior, ele descobre que Beto está namorando Juliana.  


Como nada está ruim o bastante para que não possa piorar, quando Cadu finalmente encontra com Juliana, mal pode acreditar em como ela mudou. A garotinha de 8 anos deu lugar a uma menina linda e encantadora. E seu coração simplesmente descompassa. Só que isso não é possível, porque ela era a namorada de seu melhor amigo. E agora, ele vai precisar aprender a lidar com o fato de que a namorada de Beto parece ser o amor da sua vida, mas nunca vai ser sua. E que ele vai ter que conviver com isso todos os dias, ou vai arriscar a coisa mais preciosa de sua vida: sua relação com seu melhor amigo.

Preciso dizer que Graciela Mayrink sabe escrever de uma maneira viciante e maravilhosa. E sempre incrível encontrar uma narrativa bem construída em um livro, e saber que os autores brasileiros tem uma representante tão boa é muito animador, porque uma vez que a pessoa conheça o trabalho de Graciela, dificilmente vai deixar de seguir. E o trabalho de um autor abre as portas para o trabalho de outros colegas.

A história que Graciela construiu vai muito além do fato de que, bem, você não manda no seu coração, mesmo que ele se manifeste da maneira mais inconveniente possível. O livro mostra a confusão que o amor pode criar, as válvulas de escape que criamos quando não conseguimos lidar com nossos sentimentos, a forma como um relacionamento não afeta somente aos dois envolvidos, mas a todos ao redor. Mas, principalmente, mostra que a amizade é um dos maiores bens que uma pessoa pode ter. E que por isso vale a pena fazer sacrifícios por ela.

Os três mosqueteiros e a Juju não são os únicos personagens do livro, longe disso. Ainda temos Alice, a irmã de Beto, uma menina decidida e que, a princípio, parecia bem irritante, mas que se mostra sensata e madura conforme as páginas continuando passando. Juju é o seu oposto: é doce, tímida, e não sabe lidar com o retorno de Cadu à sua vida – de longe seu mosqueteiro favorito quando mais nova. Temos também a Tia Mathilde, uma personagem sensata e que me fez dar boas risadas com a forma que lida com os meninos e seus problemas.

Mesmo que role a ideia de um triângulo amoroso complicado, as relações do livro são o ponto mais importante. Como esse grupo de amigos vai saber lidar com a vida adulta, seus sentimentos e a repercussão deles é o ponto alto do livro. E Graciela soube colocar isso nas páginas de uma forma encantadora e envolvente. Com uma narrativa madura, bem desenvolvida e apaixonante, A Namorada do Meu Amigo se mostra um livro surpreendente, principalmente quando se chega ao fim. Mas é preciso ler para entender do que estou falando.

[Resenha] O Beijo, de James Patterson e Jill Dembowski


Quarto volume da Série Bruxos e Bruxas e penúltimo também (porque o senhor é pai e não padastro), O Beijo veio para tentar fazer com que aquele leitor decepcionado com o primeiro livro, com medo do segundo, um pouco mais animado com o terceiro (EU!) tivesse ânimo para ler o quarto livro. E agora, obviamente, chegar ao fim da série. Well Played, Patterson. Well Played.




A princípio, Whit e Wisty estão no que parece ser um terreno menos conturbado. Mas, na realidade, isso e só o reflexo dos últimos tempos, onde eles mais viram mortes e desastres que qualquer outra coisa. Se deixar impressionar por qualquer novidade que apareça não seria normal. E a vida para todos está mesmo parecendo mais tranquila. O conceito de liberdade volta a existir na vida das pessoas, e suas reações à isso mostram um povo que acredita que um futuro melhor vai existir.



Agora, um conselho foi formado e sua missão é reestruturar aquilo que a Nova Ordem tirou do lugar. E, por terem sido parte muito importante para que essa liberdade fosse possível, Whit e Wisty fazem parte do conselho. Tentar recuperar o que O Único Que É o Único destruiu é um trabalho longo, mas a união dos irmãos Allgood torna isso um pouco menos impossível. Desde o primeiro livro, a única coisa que eu sempre gostei foi o fato deles serem irmãos unidos, que sabem que bem, a união realmente faz a força.



Lembra que eu sempre falo sobre os capítulos curtos e sempre narrados por Wisty ou Whit? Nesse livro temos uma novidade: tem capítulo narrado por Pearl Marie Neederman. Ela é uma personagem que apareceu no livro anterior da série, Fogo, mas que agora toma mais força na narrativa - e transforma um pouco a história do livro. O que foi uma reviravolta revigorante, de verdade.


O lugar em que estão está cheio de esperanças por uma vida melhor agora que conseguiram se livrar do mal que a Nova Ordem fazia. Só que algumas atitudes são tomadas de forma impensada, e as forças do mal, que obviamente continuavam a rondar, começam a se infiltrar entre eles. Outros personagens que não tiveram tanto destaque até aqui começam a ser parte importante da trama. 


Dos quatro livros, esse foi o que eu mais gostei, por ter essas novidades na narrativa, por fazer com que personagens secundários se tornassem importantes e por, mesmo assim, manter a fantasia e as aventuras como parte da trama. Eles tem que passar por mais desafios, mas agora as coisas parecem mais reais. Mal posso esperar pelo último livro!


[Resenha] Perdendo-me, de Cora Carmack


Faz dois anos que li Losing It, ainda em inglês, ainda em ebook. Quando a Novo Conceito anunciou que ia lançar, eu basicamente gritei, insanamente, avisando pro Pedro que quando o livro chegasse ele seria meu. Não que tenha sido um enorme esforço da parte dele me ceder o livro - porque não é bem o tipo de livro que ele curte ler - mas ainda assim, obrigada, querido . :)



Nessa história conhecemos Bliss Edwards, 22 anos, quase se formando em artes cênicas e virgem. Sim, porque pra ela, isso é uma coisa bem irritante - ter 22 anos e ser virgem, eu digo. Isso acaba se tornando o maior drama de sua vida, que fica bem balanceado com o fato de ela não fazer ideia do que vai fazer depois da faculdade. E, em uma noite em que ela fez a besteira de contar a sua melhor amiga que ela era virgem, ela sai e decide ter um caso de uma noite só pra resolver seu "problema". (Eu sei, parece idiota, mas esse é só o início, depois ela começa a ser menos estúpida, juro.)

Ela vai pra um bar, decidia, e lá acaba conhecendo um cara lindo - e bem interessante. Papo vai, papo vem, pegação vai... Bliss simplesmente enlouquece, percebe que não quer fazer aquilo, e sai correndo com uma desculpa bem idiota - deixando o gato do bar nu e confuso em seu apartamento. No dia seguinte, ela foca em sua aula para esquecer o episódio do dia anterior e, para sua infelicidade, esbarra com o cara do bar. Na sua sala de aula.
Ele era seu novo professor. 

Claro que, a partir daqui, você já imagina o que vai acontecer. Mas não se engane pela sinopse: dá a impressão de é um livro erótico estilo cinquenta tons de cinza (o que a capa também não ajuda, cinza, com essas fotos nada indicadoras). Ele é um New Adult - aqueles romances de gente jovem, com histórias leves e algumas cenas quentes (obviamente). Mas nada de absurdo.


Bliss tem uma das piores auto-estimas do universo, daquele tipo que é cheia de inseguranças, sabe? Mas ela não chega a ser tão irritante quanto todas as outras que tem aparecido ultimamente nos nossos livros. Garrick, o gato do bar/professor, é um cara daqueles que a gente quer ter do nosso lado: companheiro, dedicado e, bem, lindo. E inglês. Imaginem o sotaque. 

  Cora se autopublicou e seu romance de estréia é aquele tipo de livro que você deve ler quando precisa dar umas risadas e ler um romance fofo. Porque sim, tem romance - e não necessariamente sexo -  e os personagens são super queridos. Bliss e Garrick tem uma boa química - como casal, como amigos ou nos palcos, atuando. 

O livro é clichê, é romance, é fofurinha em excesso. Mas às  vezes é isso que a gente precisa ler (Deus sabe que era o que eu precisava). E tem mais dois livros na série - e a escrita de Cora só melhora. Os enredos também. Mas isso é material para outro post.


[Resenha] O Fogo, de James Patterson e Jill Dembolski


      O Fogo é o terceiro livro da série Bruxos e Bruxas e, sinceramente, é um pouco mais do mesmo. Whit e Wisty continuam fugindo do Único que é o Único, o que já era esperado - mas não com essa intensidade. Só que nesse livro os irmãos Allgood vão enfrentar também a Peste Sangrenta, uma doença que se alastrou pelo lugar. Witsy está contaminada e Whit precisa correr contra o tempo para descobrir como salvá-la, ou vai acabar perdendo sua irmã.


      A resistência se espalhou, os Allgood estão sozinhos e tendo que, a cada dia, superar todos os medos que sempre tiveram. Vamos conbinar que perder os pais, descobrir ter poderes e fugir de um vilão que está decidido a matá-los não é mole pra ninguém, ainda mais pra dois adolescentes. Nesse livro vamos ver que eles estão conseguindo melhorar suas habilidades. O problema é que, mesmo estando mais cientes do seu poder, eles continuam agindo de modo infantil, cheios de desculpinhas e de "tadinhos dos caras maus, não vamos machucá-los", o que é bem idiota quando se trata da própria sobrevivência.


      O Único que é o único passa a ter um papel mais presente no livro, assim como seus seguidores. O leitor conhece mais sobre ele, suas motivações, o que ele esconde por trás da máscara de vilão e, mais importante, quais são os planos absurdos que ele tem. 


      Um grande personagem que ganhará uma maior exploração na narrativa é o Único que é o Único e seus fiéis seguidores. Conheceremos um pouco mais sobre quem é o cara por traz do Único que é o Único, se há sentimentos por baixo da casca de um vilão cruel e também sobre suas ambições e seus planos mais cruéis para a Superfície.


      E, sinceramente, se tem uma coisa que Patterson sabe escrever é um bom crime. Então, no que diz respeito aos planos da Nova Ordem, eu não tenho muito do que reclamar. As cenas eram bem intensas, as crueldades bem descritas e tudo bem real. Os irmãos Algood continuam a fugir do Único, tudo continua super monótono nesse ponto, mas ai vem uma crueldade básica e anima as coisas um pouco. Um pouco.



      De tudo, o final foi o que mais me deixou empolgada para ler o próximo. Assim como no livro anterior, Fogo colocou um final cheio de mistério e em uma situação inesperada, então qualquer ser humano curioso acabaria por ficar querendo a continuação.Não sei muito bem o que esperar de O Beijo, mas desde o primeiro livro da série eu não venho esperando muita coisa para não me decepcionar demais. James Patterson é um ótimo escritor, mas ele devia deixar a distopia e o infanto-juvenil para outras pessoas.



[Resenha] As Gêmeas, de Saskia Sarginson


     Isolte e Viola são gêmeas idênticas e melhores amigas. Elas são muito ligadas, mesmo que suas personalidades sejam completamente diferentes. Elas vivem na floresta com a mãe, uma pessoa bem irresponsável, que decidiu ter uma vida livre e sem regras, que esperava tirar da natureza o que precisavam para sobreviver. o que faz com que as meninas não tenham muitas orientações para seguir em suas vidas. Mas as meninas são felizes no cenário idílico da floresta, pelo menos bem mais felizes que são na vida adulta, e lá elas se tornam amigas de John e Michael, que também são gêmeos. Enquanto crianças, elas não tem uma vida tão ruim. Quando ficam mais velhas é que começa o problema. Principalmente depois do acidente que muda completamente a vida das meninas, e que faz com que tudo comece a sair dos trilhos e a dar errado.

     O tempo passa, ninguém entende de fato o que aconteceu, e com o tempo Isolte se torna uma mulher bem sucedida, que tem um relacionamento com um fotógrafo. Enquanto isso, Viola possui transtornos alimentares e está em um hospital em estado grave. Enquanto Isolte era a destemida, extrovertida e forte, Viola era introspectiva e tímida, e parecia estar sempre sendo consumida por algum tipo de culpa. Agora, Isolte vai até sua irmã e tenta ajudá-la a sair da situação em que está.

      E é aqui que o passado e o presente passam a se encontrar. Viola vive repensando sua infância e tudo que aconteceu, e Isolte também começa a rever todas as suas memórias e a questionar suas atitudes. Mas, acima de tudo, ela é levada a questionar se realmente vale a pena desenterrar o passado, quando sua relação com a irmã não está tão bem assim. E a porque, apesar de não parecer, Isolte foi tão marcada pelos acontecimentos do passado quanto sua irmã.

     As gêmeas é narrado em primeira pessoa, hora por Isolte e hora por Viola, hora no presente e hora no passado. O acidente que aconteceu não é muito claro para o leitor a princípio, porque as meninas mais descrevem as sensações de estarem naquela situação que comentam sobre o acidente em si. E essas idas e vindas entre presente e passado, Viola e Isolte, fizeram com que a leitura fosse um pouco confusa a princípio. Mas a gente se acostuma, e aí a leitura flui fácil. Além da narrativa cheia de suspense que prende o leitor até o fim para tentar descobrir o que aconteceu com as duas. Tão suspense que chegava a beirar o terror em algumas cenas. O final é, literalmente, surpreendente, porque eu acho que ninguém esperava por aquele desfecho. Leitura recomendada!


[Resenha] O Resgate, de Nicholas Sparks



      Todo mundo sabe que sou uma apaixonada convicta pelas histórias de Nicholas Sparks. Nem adiante dizer que é fórmula pronta, que é tudo a mesma coisa, porque eu vou ler mesmo assim - até porque pra mim os romances não são tão parecidos assim. Gosto tanto de Nicholas que implorei pro Pedro correr atrás de senha dele pra mim, na Bienal do ano passado, e ele conseguiu! o/ (ETERNAMENTE GRATA) Então, quando a Arqueiro lança alguma coisa dele, Pedro já nem precisa perguntar: ele simplesmente pede logo. E O Resgate foi o re-lançamento mais recente em terras tupiniquins.

      Esse é o quinto romance do autor (que já tem 17 ou 18 publicados), e te faz matar saudades do Nicholas Sparks da primeira geração - porque qualquer leitora de Nicholas percebe uma diferença na narrativa dos seus primeiros livros para os livros mais recentes. Não que eles sejam ruins, longe disso, mas a narrativa mudou, o estilo de história mudou um pouco também, e as fãs tem duas versões de Nicholas pra escolher quando querem um romance fofo, com uma certa dose de tragédia e com muito amor.

      Nesse livro conhecemos Denise, uma mãe solteira que abriu mão de tudo para poder cuidar de seu filho, Kyle. O menino, com 4 anos, apresenta uma dificuldade enorme em desenvolver a fala. A linguagem para ele é uma coisa difícil de entender, o que faz com que Denise precise treinar palavra por palavra, dia após dia, por pelo menos 4 horas. Os diagnósticos até ali não levaram a nada conclusivo, e Denise já tinha lido todo tipo de literatura que falasse sobre qualquer problema que englobasse pelo menos um dos sintomas de Kyle. E agora ela se dedica a ajudar seu filho a desvendar os mistérios da língua falada.

      Denise se muda para Endenton (sim, uma cidade da Carolina do Norte ♥ ), porque herdou uma casa de sua mãe na cidade e, com sua dedicação à seu filho, ela acaba não tendo tanto tempo - e dinheiro - pra pagar aluguel. E é nessa cidade nova que, em um dia normal de ida ao mercado, ela se pega lembrando de sua trajetória até ali: o caso sem compromisso que acabou resultando em Kyle. O cara com quem compartilhou a cama e depois não compartilhou mais nada. A morte de sua mãe. O fato de que seu filho, tão lindo e tão amado, não fosse perfeito. E, enquanto pensava em todas essas reviravoltas da vida, ela sofre um acidente de carro. E, quando acorda, se depara com Taylor, um bombeiro voluntário.

      A chuva estava muito forte, a noite já havia escurecido tudo ao seu redor e ela estava atordoada por causa do acidente. E, quando descobre que Kyle não está no carro com ela, ela fica desesperada. E aí Taylor começa as buscas incessantes por Kyle, o meio da noite, no meio de uma chuva absurda, na tentativa de encontrar o menino são e salvo. Carpinteiro de dia, voluntário do corpo de bombeiros quando é requisitado, Taylor tenta fugir dos fantasmas que assombram seu passado se voluntariando para todas as missões de resgate que o corpo de bombeiros precisar. Ele e seu melhor amigo, Mitch, fazem isso há alguns anos. Mitch, casado e com quatro filhos, já não acha que vale mais a pena se arriscar tanto - ele tem uma família para manter e para ver crescer. Taylor nem cogita deixar de ser voluntário, mesmo que muitas vezes ele tenha ficado bem perto da morte. E, agora, nessa madrugada de tempestade, ele inicia uma busca incessante por Kyle. E, depois dessa noite horrorosa, a vida de Denise e a de Taylor se encontram e eles vão ter que aprender a superar diversos fantasmas, juntos.

      Esse livro tem elementos inspirados na vida de Nicholas, como todos os seus primeiros romances. Nesse caso, a dificuldade de Kyle é a mesma que a do filho do autor, Ryan. Além disso, os personagens são super bem construídos, com personalidades fortes, fraquezas e um bom caráter. Denise e Taylor tem uma longa estrada pela frente: ela precisa aprender a dividir seus dias entre o filho e o novo amor, ele precisa superar os traumas que vem guiando suas ações e relacionamentos desde cedo. Os dois precisam aprender a compartilhar. Não é fácil, para nenhum dos dois, mas eles precisam deixar o passado para trás para dar uma chance para o presente. É um livro que nos faz perceber que os fantasmas do passado são só fantasmas, que não deviam ter nenhuma opinião no que fazemos agora. E que segundas chances são importantes. E, além de tudo, que se deixar ser resgatado não é sinal de fraqueza.



[Resenhas] Deb Caletti, meu amor, meu bem, meu querido



     “Meu amor, meu bem, meu querido” conta a história de Ruby, uma adolescente que se apaixona pelo bad boy do bairro. Mas não, esse não é somente um besteirol adolescente, e o romance não é o foco da história. Ruby vive com a mãe e o irmão mais novo, uma vez que seu pai basicamente abandonou a família para seguir seu sonho de ser um músico famoso. Ela não entende porque sua mãe continua com seu pai, já que ele nunca está em casa e raramente os visita.

     Bem, um dia Ruby está voltando da escola e inesperadamente conhece Travis, com quem vai acabar criando um certo tipo de relacionamento. Ele a desafia e faz aflorar nela tudo o que ela nunca foi. O problema é: Travis não é o melhor exemplo de pessoa, e faz coisas que Ruby não acha que sejam certas. Ruby tenta se afastar de Travis, e sua mãe, que nunca aprovou o garoto, tenta distrair a filha, e a leva para um clube de leitura do qual participa. Na minha opinião, é a partir daqui que o livro fica realmente bom.
    O clube de leitura é basicamente formado por idosos, e todos eles tem personalidades bem fortes. As Rainhas Caçarolas, nome que deram ao grupo (mesmo tendo um senhor no meio), ajudam Ruby a ver a vida por um outro lado. Ruby tem a chance de conhecer outras histórias, e percebe que o mundo não acabou só porque a vida dela parecia um pouco fora dos trilhos.
   Como o livro é narrado em primeira pessoa por Ruby, você acaba conseguindo ver a mecânica dos pensamentos da menina. Mas a história não se atem somente em Ruby. Você conhece os outros personagens, e eles são importantes durante toda a história. Também é muito bom ver como a relação de Ruby com a mãe vai mudando aos poucos, e como elas começam a se entenderem melhor, e a escutarem uma à outra.
     Não espere uma trama dramática ou arrebatadora: meu amor, meu bem, meu querido não tem pretensões de ser esse tipo de livro. Parece mais que a autora estava tentando mostrar que a vida acontece de muitas maneiras diferentes, para pessoas diferentes, e que a perspectiva que você decide adotar ao ver o caminho a sua frente é o que interessa. Se eu tivesse lido as resenhas que vi por aí, sobre esse livro, provavelmente nunca o teria lido. E isso seria realmente uma pena, porque passei por bons momentos vendo o que acontecia com as personagens. O livro meu deu bons momentos, com uma leitura leve e despreocupada.


[Resenha] A Rosa da Meia-Noite, de Lucinda Riley



     Lucinda Riley sabe como contar uma história. Em um ano, li quatro livros da autora - e tive o prazer de conhece-la. Os quatro livros foram, para mim, pequenos tesouros que eu esperava ansiosamente ter nas minhas mãos. Porque, depois de quatro livros sensacionais, Lucinda Riley estampado na capa agora significa a garantia de uma história bem contada, uma companhia para alguns dias felizes.


     Para quem não sabe, as historias de Lucinda são sempre ambientadas no presente e no passado. Normalmente, cada uma dessas histórias se passa em um lugar diferente - que depois terá alguma ligação com o outro lugar. Dessa vez, os dois cenários escolhidos foram o interior da Inglaterra e a Índia. Mas nesse livro, mais que nos anteriores, os dois cenários foram vistos tanto no passado quanto no futuro. Ainda assim, a maior parte do "presente" se passa na Inglaterra, enquanto o passado fica equilibrado em momentos indianos e momentos ingleses. Tudo isso para contar uma história de amor que passa por gerações até que possa, finalmente, terminar de ser contada.


     O livro inicia com um prólogo de Anahita, quando essa estava completando mais um aniversário - o centésimo. Nesse dia, ela confia a um de seus netos - Ari - a história de sua vida - e de seu filho perdido tantos anos atrás. Ela pede para que o neto um dia tente descobrir o paradeiro dessa criança que, anos atrás, foi dada como morta, mas que ela sabia que permanecia viva. Sem considerar muito o que sua avó disse, Ari deixa as centenas de páginas escritas por sua avó em uma gaveta da sua escrivaninha por quase dez anos antes de pesquisar o paradeiro dessa criança - e mergulhar na história de seus antepassados.


     Para pesquisar, Ari vai para a fonte principal de informações: a propriedade dos Astbury, no interior da Inglaterra. Quando lá ele chega, descobre que o lugar é, temporariamente, o cenário de um filme que está sendo gravado na propriedade. E descobre também que extrair informações dos empregados - ou do Lorde Astbury, vai ser mais difícil do que imaginava. Mas, ao mesmo tempo, ele conhece Rebecca, uma atriz norte-americana que estava no auge de sua carreira - não que ele soubesse disso, nunca fora ligado à televisão - e que está passando por alguns momentos ruins em sua vida pessoal. Mas ela parece ter um acesso um pouco maior ao dono da casa, além de ser ótima companhia. Assim, ele permite que ela leia as anotações de sua avó e, juntos, eles tentam descobrir o que acontecera  naquela propriedade quase um século antes.


     O livro é narrado, na parte do passado, por Anahita, que conta a sua trajetória desde pequena, quando ainda vivia na Índia com seus pais, até quando ela foi para Inglaterra, e todos os momentos entre sua infância e o dia em que sua vida parecia perder o sentido - quando perdeu seu filho e seu grande amor. Assim, temos um gostinho da vida nos palácios da Índia, dos costumes da Índia do século passado e também dos costumes da Inglaterra de tanto tempo atrás.


     É inevitável se pegar viciado no livro. Lucinda faz um trabalho de pesquisa incrível para cada livro, o que faz com que o leitor realmente se sinta parte da história, e consiga imaginar como as coisas parecem, como o lugar aparenta, como os personagens realmente se sentem. Viajar pela Índia e pela Inglaterra nas páginas de Lucinda nos faz querer poder voltar no tempo e estar com os personagens enquanto eles vivem tudo aquilo. É uma história linda, sobre amor sem preconceitos, sobre o julgo de uma sociedade marcada pelo estigma social, sobre acreditar em mais do que se pode ver e sobre a fé. Uma história que permanece na memória do leitor até muito depois da última página do livro.

[Resenhas] O Retrato, de Charlie Lovett

     Pense em uma pessoa que não sabe se relacionar bem com as pessoas, e por isso encontra uma válvula de escape na página dos livros. Esse é Peter. Recluso, nada sociável, ele não era de interagir com as pessoas até que conhece Amanda, a única pessoa que o fez mudar e interagir. Mas, quando sua esposa morre, Peter fica sem chão; volta a ser a pessoa que era antes de conhecer sua espora, e não consegue imaginar um futuro sem ela. Mas depois de alguns meses e de muita insistência para que ele retomasse sua vida, Peter vai para a Inglaterra e para uma nova atividade: trabalhar com livros raros.  


     Enquanto trabalha com aqueles que são, desde sempre, o apoio que Peter podia ter, ele encontra o retrato de uma mulher incrivelmente parecida com sua amada e falecida esposa. Só que a imagem tinha sido pintada há muitos, muitos anos, num passado longínquo. Obviamente curioso com tamanha semelhança, ele começa a pesquisar tudo o que pode sobre o retrato. Só que, além de tentar descobrir mais sobre aquela imagem, ele também esbarra em outra descoberta fascinante, que nada mais é que uma obra perdida de Shakespeare. E assim, sozinho, Peter precisa descobrir a história por traz do retrato e encontrar essa raridade em forma de clássico da literatura, para fazer com que seu trabalho seja reconhecido - e eternizado.

     Em O Retrato, temos uma história imersa no universo da literatura. Se você ama esse mundo das artes e das letras, vai se encantar. A história é dividida em épocas diferentes, então temos diversos personagens que acabam se entrelaçando de alguma maneira, mesmo que suas existências tenham sido separadas por séculos. O livro se passa em 1995, mas os acontecimentos de séculos antes desvendam muitas coisas no presente, e é quando isso começa a acontecer que o leitor fica irremediavelmente preso à história. Enquanto o leitor sabe o que aconteceu e o que levou certas situações a acontecerem, a tendência é querermos arrastar Peter para os lugares onde sabemos que está o que ele procura. Porque, enquanto temos todos os lados da história, Peter só tem o dele.           

     O livro, dividido em três épocas - entre os séculos XVI e XX, na década de 80 e na década de 90 - é um livro recheado de suspense e de mistério, e ao mesmo tempo nos conta uma história de amor encantadora. Com tudo para dar errado em um enredo tão diverso, foi bom ver que O Retrato teve um desfecho incrível - e um enredo viciante.

Dias Melhores Virão, de Jennifer Weiner

      Seis anos depois de muitas tentativas e, finalmente, Ruth Saunders recebe o telefone que mudará sua vida para sempre. O que esse telefonema diz: que seu roteiro, para uma série de comédia foi aprovado, e irá ao ar. O roteiro é baseado em sua vida: uma mulher que vive com a avó e que está tentando descobrir seu próprio espaço no mundo. Porque essa é a história de vida de Ruth que, desde os três anos de idade, vive com sua avó. Seus pais morreram em um acidente de carro ao qual ela sobreviveu, mas não sem grandes sequelas. Sequelas essas que são físicas e emocionais. Só que as físicas ficam bem óbvias para qualquer um que a veja, já que as feridas que o acidente deixou acabaram transfigurando seu rosto e seu corpo. E, por isso, Ruth passou boa parte da sua infância internada ou passando pela mão de diversos médicos, tentando diminuir a dor que sentia e tendo que ser submetida à diversas cirurgias.         

      Sendo rejeitada por todos ao seu redor, menos por sua avó, Ruth acaba se apaixonando por uma de suas atividades com a avó: assistir à seriados na televisão. E, como uma válvula de escape, ela começa a escrever, sendo sempre incentivada por sua avó. E foi por isso que ela decidiu escrever seu roteiro: para mostrar para outras pessoas como ela, sem amigos ou que são excluídas da sociedade, que ser uma pessoa normal não é um absurdo. Que não é preciso ser extraordinário para se ter algum espaço. E, então, finalmente seu projeto é aprovado. Só que nem tudo era tão fácil assim.



      Mal tinha conseguido comemorar a aprovação de seu roteiro quando descobriu que teria que mudar diversas coisas para adequar sua série aos desejos da editora, mudando o sentido de sua série. E, além disso, ela é obrigada a lidar com todo tipo de gente; roteiristas, atrizes que não sabem lidar com suas vidas, executivos que querem ser sempre paparicados. E, para melhorar, ela ainda precisa lidar com o lado emocional de sua própria vida, porque ela não consegue se sentir bem sendo quem é. Seu recente namoro acaba, ela é recusada por um dos roteiristas e ainda tem que ver sua avó planejando um novo casamento. As coisas estavam boas, até que não estavam mais.              

fonte da imagem: http://samyaquino.blogspot.com.br/

      O livro me chamou atenção por ser uma grande lição  de moral. Sabe aqueles romances que sempre mostram uma garota de baixa autoestima que se acha super feia e desinteressante mas na verdade não é, e que se apaixona pelo cara popular, bonito e charmoso e, juntos, ela descobre que na verdade é incrível e ele descobre as coisas simples da vida? Pois é, chega uma hora que você cansa dessas histórias, né? E Dias Melhores Virão mostra que você pode ser feliz e se dar bem no mundo mesmo que a sua vida seja mesmo mais cruel que a dos outros. E, na verdade, o livro é uma grande crítica à industria cinematográfica. O livro mostra muito bem tudo que acontece nos bastidores desse mundo e que, na verdade, eles não criam o conteúdo que o público quer ver. Eles criam o conteúdo que eles, os grandes empresários desse mundo, querem vender para o público. Um livro muito bem escrito e que foi um bom ponto de vista diferente dos livros clichês (que eu amo, não me entendam mal) de hoje em dia.

[Resenha] Vinte Garotos no Verão, de Sarah Ockler



Algo que só quem já perdeu alguém sabe é o quanto dói, e como nunca passa. Diminui, deixa de estar sempre na memória, mas a dor continua lá, escondida, esperando uma lembrança para ser revivida. E quem já perdeu alguém também sabe que recomeçar, ou seguir em frente, é muito difícil. A vida passa a ter uma dinâmica diferente, e se adaptar à nova realidade não é nem de perto fácil. E é isso que Anna e Frankie tem que aprender em Vinte Garotos no Verão.

Desde sempre, Anna, Frankie e Matt são inseparáveis. Frankie e Matt são irmãos, e são irmãos que se amam e se respeitam. Melhores amigos desde pequenos e, ainda por cima, vizinhos, eles cresceram juntos. Os laços construídos entre eles desde a infância não seriam quebrados com facilidade. Eles sabiam o que fazia os outros felizes, eles compartilhavam todos os momentos de felicidade, medo e tristeza e planejavam seus futuros juntos. Anna é apaixonada por Matt. Mas, com medo de estragar a amizade que os três tem, ela prefere ficar quieta. Só que, no seu aniversário de quinze anos, Matt acaba tomando a iniciativa. E finalmente Anna tem Matt do jeito que ela sempre quis. Com medo do que Frankie vai sentir, e por serem tão unidos, Matt pede à Anna que eles guardem segredo por mais algumas semanas, até que ele e sua irmã façam a viagem que estavam programando, para que ele possa explicar para Frankie sem que ela se sinta magoada - ou ferida. Anna aceita, sem nem imaginar o que viria a seguir. 

Um dia, de forma abrupta, Frankie e Anna perdem Matt. Em um minuto, todos os seus sonhos pareciam que iriam se tornar realidade. No outro, tudo estava tão despedaçado quanto os vidros do carro de Matt depois do acidente. Para superar a dor, cada uma delas se refugia aonde pode. Anna acha consolo nas páginas de seu diário onde, sem precisar de fato falar com alguém, escreve tudo o que sente e tudo que não pode contar para sua melhor amiga. Anna se transforma em uma outra pessoa, se refugiando em tudo que o dinheiro pode comprar para tentar mascarar a sua dor. O pior de tudo é que todos ao redor delas também estão sofrendo. Os pais de Frankie perderam seu filho, e os pais de Anna sentem a dor de perder um filho também. Todos estão tendo que se recuperar daquele acidente cruel, mas não conseguem ver um futuro muito distante. 

Mas a história do livro na verdade começa quando, doze meses depois de perderem Matt, Anna e Frankie vão viajar juntas para Califórnia. Sentindo que precisam de um ponto para o recomeço, elas decidem seguir em frente com os planos de todos os anos. Assim, planejam uma viagem com muita diversão, surfistas e sol nas praias californianas. Mas as duas sabiam que, na verdade, a viagem serviria para curar de vez os corações das duas e para que elas aprendessem a seguir em frente sem Matt. Seria isso ou seus corações acabariam ainda mais destroçados ao viajarem para um lugar onde cada grão de areia as faria lembrar dele.

Assim, elas decidem que, nesse verão, vão conhecer vinte garotos. E seguem a viagem vivendo cada dia, sem planejar demais, sendo um pouco mais ousadas do que seriam normalmente, arriscando um pouco mais e vivendo um pouco mais. E, a cada nova aventura juntas, elas tentam aceitar que se sentir bem não é totalmente um crime. E que elas precisam mesmo superar. Tudo isso permeado pelas incertezas e inseguranças da vida de uma adolescente, assim como também uma boa dose de drama e sentimentos misturados numa fase da vida em que todos sabem não ser tão fácil de se encontrar - e encontrar seu lugar - no mundo.

Em uma narrativa tocante e ágil, experimentamos com as personagens tudo que elas viveram naqueles vinte dias de verão. E podemos ver de perto como os laços entre elas são reconstruídos, pouco a pouco. Podia ter sido um livro dramático e extremamente doloroso, por se tratar de uma situação tão delicada, mas a autora soube como balancear a dor das meninas com a necessidade de serem felizes de novo que elas tinham. Elas aprendem, juntas, que perdoar é preciso, e que deixar ir é imprescindível. E o final do livro faz com que a leitura inteira seja ainda mais leve e linda do que eu esperava quando li a primeira frase de Vinte Garotos no Verão.


[Resenha] Querida Sue, de Jessica Brockmole




Querido leitor,
Preciso dizer que, para mim, esse  provavelmente vai ser um dos livros mais difíceis de resenhar. Quando eu o peguei para ler, não sabia muito sobre a história: sabia que se passaria na guerra, sabia que seria um romance. Nem de perto imaginaria que seria um livro que eu gostaria tanto e que me apaixonaria em tão pouco tempo. Bastaram dez páginas para eu saber que seria um dos melhores livros que eu tinha lido. E quando terminei, só pude agradecer mentalmente à autora por ter colocado no papel essa história tão linda, e por ter compartilhado isso com o mundo.

Para começar, você precisa saber que o livro é inteirinho narrado por meio de cartas. E que ele se passa em duas épocas diferentes: 1912 e 1940. Na história de 1912, temos um jovem universitário que escreve para uma poetiza depois de ter lido um de seus livros. Na de 1940 temos uma filha que se corresponde com a mãe no período da segunda guerra mundial.                

David estava hospitalizado quando leu o livro de Elspeth pela primeira vez. Sem ter muito o que fazer na enfermaria, decidiu escrever para a autora dos poemas que mais o marcaram até então. Mal sabia ele que aquela carta mudaria o rumo de sua vida a partir dali. Elspeth morava em uma pequena ilha escocesa e seus dias eram repletos de momentos campestres, entre as montanhas e suas cabras. Quando recebeu uma carta de um fã, americano ainda por cima, ela nem conseguiu acreditar. Respondeu seu leitor tão logo pode. Assim, David e Elspeth começaram a se corresponder sempre, e essa correspondência continua por cinco anos. E que privilégio ver crescer a relação desses dois! Cada carta chegada faz com que nós, meros espectadores, fiquemos ainda mais curiosos com o rumo que o relacionamento deles dois vai tomar.     

E, preciso confessar, querido leitor, que nem sempre foi simples, para esses dois, manter as correspondências. Em um mês, que era o tempo entre uma carta em outra, eles descobriam pequenas coisas um do outro, mas em suas vidas coisas grandiosas aconteciam. Porque, enquanto nas cartas eles estão, pouco a pouco, conhecendo um ao outro, em suas vidas reais tudo continuava na velocidade normal. Elspeth continua casada, e seu marido continua no front. David continua noivo, e ainda tenta encontrar o que, de fato, o faz feliz. E eles compartilhavam um com o outro cada um desses momentos. Mas, chega uma hora em que eles precisam assumir que, no fundo, eles não são só dois amigos à distância. Mesmo separados, seus sentimentos um pelo outro cresceram mais do que parecia ser possível. E, depois de mais de dois anos e muitos acontecimentos, eles finalmente precisam assumir que a paixão é maior do que a distância entre seus continentes.      


Enquanto isso conhecemos também Margareth, uma jovem que vive no período da II Guerra Mundial. Seu trabalho é levar pequenas crianças para o interior, para longe da guerra. E, enquanto seus dias passam, ela se corresponde com sua mãe e procura notícias de seu melhor amigo - e amado - que está lutando na guerra. Por meio de cartas, ela fala com sua mãe, e conta tudo que está acontecendo em sua vida. E sua mãe lhe dá conselhos e lhe diz o que acontece em sua cidade. E por meio de cartas com seu amor, ela conta a ele - e a nós, leitores - seus medos e inseguranças, seus sonhos e suas paixões. E é nessas cartas à Paul que descobrimos que Margareth não conhece seu pai, e que essa lacuna em sua vida nunca é preenchida por sua mãe.
E, um dia, descobrimos que a mãe de Margareth é Elspeth, e que Elspeth nunca chegou a superar seu amor com David.                



Nesse ponto, sinto que não posso mais falar sobre essas histórias de amor. Só posso dizer que, a cada carta trocada entre os personagens, a vontade cresce. E a necessidade de saber o que vai acontecer também aumenta. E, se para os personagens há uma certa urgência de saber como será seus futuros, para o leitor essa urgência vem em forma de ansiedade, e é impossível não querer ser um pouco mais rápido para descobrir o que vem a seguir - se é uma carta de Elspeth e David, enquanto eles eram jovens, ou se é uma carta de Margareth e Paul, onde ela lhe conta o que vem descobrindo da juventude de sua mãe. Mas, com certeza, a vontade de ir mais rápido é paradoxalmente a mesma de se ler mais lentamente, para aproveitar aquelas cartas que, assim que começamos o livro, sabemos que são um número finito. Cada momento das cartas dos personagens passa a ser nosso também. E é preciso ler o livro para compartilhar esse sentimento.

Termino essa carta pedindo a você que, se estiver precisando ler algo que lhe faça acreditar que o amor ainda é o melhor remédio, e que amar - o que se faz, ou a outra pessoa - é o melhor incentivo para continuarmos, então leia Querida Sue. E me escreva de volta dizendo o que achou.  

De uma leitora satisfeita e feliz,   
           
Larissa.



[Resenhas] Mar de Rosas, de Nora Roberts


     Esse é o segundo livro da série Quarteto de Noivas, onde poderemos ver a história de Emma, a florista romântica e doce da empresa de casamentos Votos. Emma tem uma base familiar construída com muito amor, e seus pais são o exemplo de relacionamento que ela queria ter. Mas ela não se dá tão bem com os homens. Pelo menos nunca encontrou um cara que a fizesse se sentir realmente bem. Na verdade, Emma é ótima para juntar casais. Só não consegue fazer isso com si mesma. 

     E, para melhorar, ela tem estado secretamente apaixonada por Jack há tantos anos que não se sabe se ela realmente gostaria de estar com alguém que não fosse ele. Mas Jack é um grande amigo de Del, irmão de sua melhor amiga, e é praticamente da família. Pelo menos era assim que ela pensava até reencontrar com ele e perceber que nem sempre pode conter seus sentimentos.

     Eles acabam entrando em um relacionamento mas, ao mesmo tempo que se dão muito bem por já se conhecerem há mais de uma década, eles acabam pisando em ovos justamente por serem amigos há tanto tempo e ficarem com medo de estragarem as coisas um com o outro e, principalmente, com todos os amigos envolvidos. E, além disso, ainda existe mais um problema: enquanto Jack reluta em se apaixonar e se deixar levar pelo amor, Emma acaba se apaixonando ainda mais por ele. Encontrar um meio termo entre suas diretrizes de vida vai ser essencial para que eles possam realmente estar um com o outro.

     Esse é um livro da Nora, e mesmo em seu pior livro Nora sabe como prender o leitor. Não tem como não se apaixonar por seus personagens, porque eles são sempre muito bem construídos; pessoas fortes, com temperamentos e personalidades bem estabelecidos que não são alteradas de repente, e que sempre sabem o que querem, mas ainda assim se propoem a mudar se isso for necessário para encontrar o amor. E nesse livro não é diferente.
     Além de termos Emma e Jack, a descoberta de um novo lado do seu relacionamento de tantos anos, os tropeços e os acertos, também temos o lado emocional afetado para todos os outros personagens. Porque eles são todos uma família, e quando um se machuca, todos sofrem. Ainda mais por se tratar de Emma, a romântica incurável do quarteto de amigas dessa série de livros.

"Sabia exatamente que tipo de amor queria, um amor que se infiltra nos ossos, se enraíza no coração e floresce no corpo. Queria um amor que durasse para sempre."

      Enquanto Emma sabe o que quer e pretende conseguir, que é um amor que se mantenha por muitos anos e esteja com ela em todos os momentos, Jack é um cara que nunca considerou ter um grande amor. E quando o encontra em Emma, ele não sabe como lidar com o sentimento. Não só porque nunca pensou em sentir algo assim, mas porque nunca quis sentir algo assim. Eles são o oposto um do outro: Emma é uma flor delicada, Jack é um bruto. Mas ainda assim eles tentam fazer dar certo.

     É ainda melhor poder continuar acompanhando a vida dessas quatro amigas. Umka das melhores características de livros da Nora é que seus personagens são todos muito reais, com fraquezas e qualidades, mas são todos muito honestos e sabem valorizar o amor que lhes é dado. E Laurel, Parker, Emma e Mac sabem valorizar o que tem juntas. Mal posso esperar para ler os próximos livros da série (até pq o próximo é de Laurel e Del, e POR FAVOR, alguém lança esse livro AGORA!)


[Resenha] O Começo de Tudo, de Robin Scheneider



Sabe aquele modelo típico de garoto popular americano? Atleta, bonito, namorando uma menina popular e futuro rei do baile? Esse era Ezra Faulkner. Ele vivia uma vida americana tão típica, mas tão típica, que foi em uma festa daquelas em que os pais do dono da casa viajam e aí ele abre para todo o ensino médio, com direito à bebidas e tudo o mais que sua vida mudou. Bem depois de pegar sua namorada perfeita chifrando ele. Mas é aqui que o estereótipo acaba. Porque, cansado da atitude das pessoas e irritado, Ezra vai embora da festa. E é atingido por um carro que ultrapassou o sinal vermelho.

Ezra fratura o pulso e o joelho, e por isso tudo que ele sabia da vida se torna impossível. Seus planos eram todos baseados em sua capacidade de jogar tênis. Ele iria pra faculdade com uma bolsa de estudos de atletas, ele tinha suas matérias na escola escolhidas de acordo com os dias de treinos. Agora, ele teria que usar uma bengala e fazer fisioterapia, mas nunca mais pisaria em uma quadra de tênis. E ainda teria que lidar com o bullying na sua escola.

Nenhum dos seus amigos se preocupou em visitá-lo no hospital, nem depois. Na verdade, nenhum dos seus amigos se preocupou em ficar ao seu lado no acidente; todos preferiram correr com medo da polícia e deixa-lo, sozinho, esmagado dentro de um carro, pelo socorro. Então, o retorno à vida escolar seria duplamente doloroso: ele não sabe onde se encaixar, porque seus amigos não eram seus amigos, e porque teria que enfrentar o olhar de pena e repulsa de todos à sua volta. 



Só que, na vida, sempre existem pessoas incríveis, e é uma dessas pessoas que faz com que o primeiro dia de volta às aulas - e, bem, todos os seguintes - se tornarem aceitáveis e, depois de algum tempo, maravilhosos. Toby, seu melhor amigo de infância, com quem não falava há anos, puxa assunto com ele e torna seu primeiro dia muito melhor. E a partir dali ele pelo menos tem alguém com quem estar nos intervalos. 


Toby e Ezra eram melhores amigos daqueles que fazem tudo junto, até os doze anos de idade. Só que, no aniversário de 12 anos de Tobby, quando eles foram comemorar na Disney, as coisas começaram a mudar. Porque Ezra acredita que, na vida de todo mundo, existe um desastre que muda tudo pra sempre. O seu foi o acidente de carro. O de Toby foi o passeio macabro que tiveram na montanha russa naquele dia. E então seus caminhos começaram a se distanciar; eles deixaram de ser os melhores amigos para se tornarem o atleta popular e o nerd. Só que, alguns anos depois, é na turma nerd que Ezra vai acabar se encontrando. 


E é por causa de Toby e seu grupo de amigos nerds que Ezra conhece Cassidy, uma menina diferente de todas as outras da escola. além de misteriosa e de ter uma vida bem livre, conhecendo lugares exóticos e citando autores clássicos, Cassidy também é muito calada no que se diz de sua vida particular. Sempre se esquiva de perguntas pessoais e nunca fala demais sobre o que fez até ali. E, mesmo que Toby avise para não fazer, Ezra se apaixona por ela. Só que as coisas não chegam nem perto de ser tão simples assim.


A Cassidy é o tipo de alma livre que todos queriam, nem que por um momento da vida, ser. E se as pessoas não gostam dela, bem, isso não a afeta, porque ela não é quem é pra agradar os outros, sabe? E ela mostra ao Ezra como uma pessoa não precisa se encaixar em padrões para ser quem é. E que, às vezes, a gente pensa que quer alguma coisa, mas só porque ainda não conheceu alguma coisa melhor. Mas Cassidy não foi a única à ajudar Ezra a encontrar quem ele era de verdade. Toby mostra à Ezra que amizade é muito mais do que um grupo de pessoas com quem se almoça todos os dias. A forma como Toby leva a sua vida, sendo feliz mesmo que as outras pessoas não considerem que ele seja o mais legal, ou o mais popular, faz com que Ezra perceba, finalmente, que existe um mundo inteiro além do alcance dos olhos dele, sabe? Que pensar em um quadro maior ajuda a entender uma cena isolada. 


Os personagens são cativantes, de verdade. Gente inteligente sempre cativa, né? E os amigos que Ezra finalmente tem são pessoas inteligentes, espertas e muito divertidas. O livro é cheio de tiradas geniais, de reflexões simples que fazem a gente repensar a vida e de citações à obras que amamos tipo Harry Potter. Porque, no fundo, O Começo de Tudo quer mostrar que você pode ser qualquer pessoa, se você entender que aquilo tem que ser o bastante para você, e não para os outros. E é muito mais complexo, profundo, divertido e apaixonante que o que eu descrevi aqui. Porque o que acontece entre os eventos é o que faz com que eu não quisesse fechar o livro quando cheguei à última página. E o final, muito mais real que a sinopse - e essa resenha - possam chegar a ser, faz com que a gente tenha vontade de entrar no livro e virar parte da história. 


 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos