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[Resenha] Para Sempre, de Kim e Krickitt Carpenter

     Alô, amigos Inspirados!

     Acabei de ler um dos livros mais extraordinários do ano. Não. Ele não tem uma narração mágica e sedutora, não tem cenários fantásticos nem uma trama complexa e intrincada. O livro Para Sempre tem uma coisa simples, porém determinante: contém verdade.
     Para Sempre conta a história verídica de Kim e Krickitt Carpenter, uma narração intensa sobre a vida atribulada de um casal que não esperava nenhuma tragédia. Pelo menos não até o dia do acidente.

http://lh3.ggpht.com/-jppwc14S0Gg/T0J7NUkrYiI/AAAAAAAAGCk/LXFrqARmaAk/para%252520sempre%25255B7%25255D.jpg Título: Para Sempre
Autores: Kim e Krickitt Carpenter
Editora: Novo Conceito
Páginas: 144

     Kim Carpenter era um treinador do time de beisebol da faculdade, em Las Vegas (não aquela luminosa de Nevada, mas a do Novo México). Tudo o que queria era encomendar algumas jaquetas para os jogadores, escolher cores do uniforme e tudo mais.
     Mas não foi simples assim.
     A voz, do outro lado da linha, o encantou. Krickitt, a atendente, passou de uma funcionária ao motivo das constantes ligações de Kim. Sempre com uma ou outra desculpa. Cores, amigos que queriam encomendar jaquetas... Entre tantas conversas, surgiu a oportunidade de um encontro.
     Após trocas de cartas e fotos, encontraram-se pela primeira vez. Em poucos meses, estavam casados. Uma história que provavelmente aconteceria em alguma novela. Mas essa foi real, tanto quanto qualquer coisa que nos acontece dia após dia.

     O final feliz? Ele estava bem longe, bem depois de um acidente, lapsos de memória e um recomeço.
     Aconteceu durante uma viagem, quando o carro ocupado pelo casal sofrera um grave acidente, ao ser arremessado a metros de distância por um caminhão. Kim ficou aos frangalhos, com costelas nariz e orelha quebrados. Krickitt, por outro lado, estava ainda pior. Um grande dano cerebral mudou a vida desse casal para sempre.
     Krickitt foi para o hospital, em coma. Os médicos não tinham grandes expectativas, e tudo o que Kim pensava é que sua vida estaria acabada sem sua esposa. Mas o pior (supostamente, pelo menos) passou. Ao acordar, os médicos percebrem que a paciente estava sofrendo de amnésia. Todos os acontecimentos dos últimos meses foram apagados da mente de Krickitt, inclusive o casamento, a festa... E seu noivo. Kim fora varrido das lembranças de Krickitt. Nesse momento, eles foram colocados à prova.

     Para Sempre é uma receita capaz de envolver os leitores: fé, família e amor incondicional estão nessa composição. Kim, ao perceber que sua única esperança era reconquistar sua esposa, mesmo sofrendo distratos de uma mulher que não aceitava um "estranho" como marido, deixa tudo de lado, e prioriza seu relacionamento, arriscando até mesmo sua carreira para salvar seu casamento. Uma lição de vida para os casais de hoje, que por muito pouco assinam seus contratos de divórcio.

     A narrativa de Para Sempre não é sofisticada, tem uma elaboração bem simples e, em alguns momentos, chega a ser detalhista demais. Mas isso torna a obra ainda mais atraente, pois se trata de uma narração real, em que o próprio Kim nos conta sua história e a de sua mulher, e como venceram os obstáculos.
     A diagramação feita pela Novo Conceito foi, como sempre, impecável. Sem erros de impressão e preocupada em levar aos leitores um material de qualidade.
     A história poderia ter sido melhor desenvolvida. Justamente por ser baseada em fatos reais, Kim poderia ter abordado alguns detalhes mais íntimos do casal, mostrado ao leitor um pouco mais da aproximação do casal antes do acidente. Mas isso, de forma alguma, é motivo para deixar de ler Para Sempre.
     O livro, em sua totalidade, é incrível, mas incrível mesmo! Recomendo a todos, uma leitura como essa não deve ser ignorada. Precisamos, nos dias de hoje, saber que histórias de amor verdadeiro existem, de fato. Kim e Krickitt nos ensiam que romances não estão apenas nos livros.

     Boa leitura, amigos! Fiquem na Paz!


 

[Resenha] - O Médico e o Monstro

Oi, leitores...

     Estamos aqui mais uma vez... Nesse silêncio sepulcral... Nesse mausoléu com cheiro de morte e repleto de sombras vivas... Estamos aqui para falar sobre uma história que poderia deixar o homem mais corajoso a pensar, com suas calças urinadas em um canto da sala... Sim, leitores... Uma história de terror...

     Ok, não é tão terror assim. Não chega a ser um "'bú', pronto, perdi meus culhões", nada disso. Mas, sim, a atmosfera desse livro é capaz de provocar um arrepio e certa hesitação quanto à criatura que mais mete medo: o próprio homem.
     Vamos entender isso melhor.




Título: O Médico e o Monstro
Autor: Robert Louis Stevenson
Editora: Martin Claret


~~***~~

Apresentação pelo Blog Inspirados: 

     Imagine um homem íntegro, cheio de boa intenções e cercado de bons e sinceros amigos. Imagine agora outro homem, vil, cruel, vivendo à flor da pele os seus instintos mais cruéis e pecaminosos. E se alguém te contasse que ambos são a mesma pessoa? Você acreditaria? Acharia possível?

     A extraordinária história do famoso personagem Dr. Jekyll toma forma nessa edição incrível da Martin Claret. A coletânea conta com 3 histórias, os clássicos do terror. Mas hoje vamos falar sobre O Médico e o Monstro, e como a natureza humana pode se mostrar mais terrível do que sequer podemos imaginar.

~~***~~

Resenha: Utterson era um sujeito tranquilo, de respeito, além de um competente advogado. Sua integridade era notória e seus hábitos, louváveis. Mas era, como qualquer um, movido por curiosidades. E uma das que mais lhe incomodava era o testamento de seu cliente e amigo, Dr. Henry Jekyll.
     Havia um tal Sr. Hyde na vida do médico, um sujeito que, estranhamente, era herdeiro de Jekyll, ainda que não tivessem nenhum parentesco, ainda que Utterson jamais tivesse visto o amigo acompanhado desse tal Hyde. E o advogado ouvira bastante sobre esse misterioso homem.


"Não era bem um homem: parecia uma encarnação de algum demônio terrível."
Capítulo 1, página 175


     Os relatos das atrocidades provocadas pelo Sr. Hyde parecia aumentar. A princípio, uma crueldade "leve", a ponto de escandalizar um grupo de pessoas, mas não o suficiente para torná-lo perigoso aos olhos da cidade. No entanto, suas atitudes tornavam-se cada vez mais sádicas, como se um monstro sem moral e limite aflorasse noite após noite, provocando dor e crime sem nenhum resquício de remorso na manhã seguinte.
     Utterson ficava cada vez mais curioso a respeito dessa estranha relação entre o médico e um desconhecido com má fama. Havia algo naquela história que o incomodava e, seguindo seus instintos, decidiu que era hora de descobrir. E era nas respostas que o terror se abrigava, longe da luz e de qualquer bondade que o coração humano pudesse sentir.
   
     Dr. Jekyll era, na verdade, o próprio Dr. Hyde. A história em si é famosa, quando as pessoas usam a expressão "médico e monstro" ao se referir a alguém de personalidade dupla, uma boazinha e outra horrenda. Hyde era o monstro.
     Utterson, no entanto, precisava chegar a essa informação por conta própria e, ao receber Poole, o criado do seu amigo, pôde perceber que a situação estava cada vez pior. Ao que parecia, ninguém na casa de Jekyll queria aproximar-se do patrão.


     "- Agora caminhe o mais silenciosamente possível - disse Poole - é necessário que o senhor ouça sem, contudo, ser pressentido. E, se ele o convidar a entrar, não o faça, em absoluto."
Capítulo 8, Página 197


     Utterson, depois de muita dificuldade, obteve documentos que resolveriam todo o mistério.
     Dr. Hery Jekyll desenvolvera uma droga capaz de transformar um homem, literalmente. Não apenas sua personalidade, como seu próprio corpo sofria drásticas mudanças. A transformação era dolorosa, mas ao fim dela, a sensação era libertadora. A nova personalidade era desprovida de moral, de senso ou limite. Era capaz de fazer tudo o que queria, até mesmo sentir prazer em causar sofrimento.
     A princípio, segundo o diário de Jekyll, o experimento era maravilhoso. Durante a noite, transformava-se em Hyde e vivia uma vida sem barreiras ou peso de consciência. Era apenas ele e suas vontades. Mas o controle de uso da droga fora negligenciado. Logo, Hyde tornou-se a mente dominante e, para manter viva a aparência e sanidade de Jekyll, era preciso tomar os remédios. O médico fora substituído pelo monstro e, para mantê-lo latente, a droga era, agora, uma necessidade.
     O fim, como toda história de terror, não tem um final feliz, mas é de longe um fim trágico. Acho que podemos dizer que a história termina com um grande nevoeiro e sombras ao pé da escada, e ninguém nunca saberá o que há por trás disso.

     A história é incrível! Stevenson cria uma atmosfera brilhante e atemorizante. O medo provocado por esse livro não é do tipo "hey, vou olhar embaixo da cama antes de dormir". O medo real existe em Hyde. Literalmente, sentimos medo do monstro, quando ele pisoteia uma garotinha sem nenhum remorso ou mata um senhor a pauladas, sem nem hesitar ou lamentar.
     A história me ganhou fácil. A narração é densa, não tão simples, mas seu ritmo é típico de histórias de terror classudas. Não espere sentir o medo sobrenatural, e sim o pavor do próprio homem e, talvez, medo de si mesmo, por não saber até onde você seria capaz de chegar se não fosse sua índole para limitar suas ações.
 
     Espero que tenham gostado e, cá entre nós, não percam a chance de ler esse livro. Brilhante, original e reflexivo. Se gostaram da resenha, garanto que o livro é imensamente melhor. Super indicado!

É isso aí, galera! Fiquem na Paz!
Grande Abraço xD

  
 
Base feita por Adália Sá | Editado por Luara Cardoso | Não retire os créditos