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Título: Neuromancer
Autor: William Gibson
Editora: Aleph
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"O céu por cima do porto tinha a cor de uma TV que saiu do ar.
— Não é que eu queira — Case ouviu enquanto abria caminho pela multidão que estava na porta do Chat. — Mas é como se o meu corpo tivesse criado, por si mesmo, esta enorme dependência da droga." página 6, capítulo 1
Case era um requisitado cowboy do cyberespaço - um racker de primeira linha - sempre fazendo grandes negócios usando seu talento em viajar na Matrix, um mundo virtual. Mas cometeu um grave erro, o maior erro que um cowboy poderia cometer: passar a perna nos contratantes. Isso rendeu ao hacker uma terrível dor de cabeça, literalmente. Seu sistema nervoso foi comprometido devido a uma micotoxina aplicada a mando dos patrões ressentidos pelo golpe. Case tornou-se um inválido, nunca mais poderia viajar pela Matrix.
Sua vida limitou-se às drogas e ao mundo sei lei de Chiba City, o receptáculo de toda a atividade criminosa, desde roubo de dados à pesquisas genéticas ilegais. Era esse o motivo de Case estar ali, buscar uma cura com os especialistas, buscar uma forma de restaurar seu cérebro e poder, enfim, viajar pelo cyberespaço novamente.
Mas a vida de Case deu outra guinada. Sua vida ainda tinha as mesmas promessas miseráveis de um hacker encostado, quando surgiu Molly, uma samurai das ruas - dotada de implantes oculares e bisturis retráteis debaixo da unha - em seu caminho, alegando que precisava levá-lo até Armitage, um ex-militar com porte assustadoramente atlético. O homem misterioso ofereceu a cura do cowboy em troca de serviços especiais, e a ideia de viajar novamente pela Matrix deu ao Case esperança, ainda que não fosse essa a "palavra-tema" na decadente sociedade futurista.
Sem ter ideia exata de onde estavam se metendo, Case e Molly formam uma dupla para cumprir as ordens de Armitage e, nas horas vagas, descobrir para quem o patrão trabalha. Uma complexa rede de inimigos se forma na frente deles, e aliados cada vez mais duvidosos são recrutados por Armitage. Especialmente Riviera, um sujeito capaz de criar hologramas a partir da sua simples vontade.
"As costas do casaco do homem caído incharam e explodiram: sangue
esguichou pelas paredes e porta. Um par de braços de comprimento
impossível, cheio de tendões como cordas, moviam-se no clarão com uma
cor rosada. A coisa dava idéia de que ia subir por si mesma do chão, de
dentro da ruína inerte e sangrenta que havia sido o corpo de Riviera. Tinha
dois metros de altura, apoiava-se em duas pernas e parecia não ter cabeça."
esguichou pelas paredes e porta. Um par de braços de comprimento
impossível, cheio de tendões como cordas, moviam-se no clarão com uma
cor rosada. A coisa dava idéia de que ia subir por si mesma do chão, de
dentro da ruína inerte e sangrenta que havia sido o corpo de Riviera. Tinha
dois metros de altura, apoiava-se em duas pernas e parecia não ter cabeça."
Página 92, capítulo 7
Ao longo da trama, a rede se torna mais clara, mas ainda complexa. Agora estavam lidando com as IA's (Inteligências Artificiais), personalidades virtuais que comandavam grandes operações. Case, sem ter completa certeza quem seja, de fato, seu inimigo, começou a buscar respostas em todos os lugares, e Molly era a única pessoa confiável em todo o mundo.
Nesse conflito Homem versus IA's, William Gibson consegue criar uma poderosa história que envolve um mundo decadente e noir, uma série de reflexões sobre a sociedade e os passos que tomam a humanidade, além de uma trama astuta capaz de prender sua mente.
William Gibson revoluciou o termo Sci-Fi. Sua obra inspirou muitos sucessos futuristas, entre eles a renomada trilogia Matrix. A obra Neuromancer, publicada em 1984, reproduz uma sociedade de atmosfera mortiça, com drogas, crime, sexo fácil e outras barganhas da vida pelo prazer prático em um mundo acabado.
Neuromancer pertence a uma trilogia, a Trilogia do Sprawl, contendo o volume 2 - Count Zero, e o volume 3 - Monalisa Overdrive.
"E, numa noite de outubro, quando avançava pelas galerias da Eastern
Seabord Fission Authority, notou três figuras, minúsculas e impossíveis.
Apesar de serem tão pequenas, conseguiu descobrir o sorriso do rapaz, as
gengivas rosadas, o brilho dos olhos rasgados e cinzentos — os olhos que
tinham sido de Riviera. Linda ainda vestia o seu blusão; acenou quando ele
passou. Mas a terceira figura, muito junto dela e com o braço em volta dos
seus ombros, era ele próprio."
Seabord Fission Authority, notou três figuras, minúsculas e impossíveis.
Apesar de serem tão pequenas, conseguiu descobrir o sorriso do rapaz, as
gengivas rosadas, o brilho dos olhos rasgados e cinzentos — os olhos que
tinham sido de Riviera. Linda ainda vestia o seu blusão; acenou quando ele
passou. Mas a terceira figura, muito junto dela e com o braço em volta dos
seus ombros, era ele próprio."
Página 258, Último capítulo
Minha dificuldade em escrever essa resenha foi absurda! Neuromancer é, pra mim, o melhor cybepunk e, por ser o livro que encabeça minha lista de desejados (ou pelo menos briga com uma meia dúzia para assumir o posto), não tem como não se sentir inseguro diante de tamanha responsabilidade, que é escrever sobre algo que tanto gostamos. Mas espero que eu tenha sido convincente o bastante, a ponto de entenderem o meu recado: Neuromancer é muito bom. Não apenas bom, nem ótimo. O livro é incrível! O frenesi da narração, as reflexões, os diálogos agressivos e imundos! Leiam, leiam mesmo! vale a pena, mais do que comer McFlurry ^^
Grande abraço a todos! Fiquem na Paz!






